domingo, 13 de setembro de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 9 Parte 2

A História do Rock na Década de 50


4. Rock And Roll: Os Anos 50 – Por Léo Falabela

Em 1945, a partir das alterações que a Segunda Guerra trouxe à cultura norte-americana, surgiram as primeiras casas e estações de rádio especializadas na divulgação da música negra.
Os gêneros Blues e Country, originários de regiões pobres e caracterizados por letras faladas e ritmos espontâneos, o Jazz tocado nas grandes cidades, baseado na improvisação e marcado por bandas maiores e arranjos mais elaborados, com percussão e instrumentos de sopro, e o Gospel, desenvolvido nas igrejas evangélicas que, embora obedecendo as escalas do Blues, caracterizava-se por ter um ritmo frenético e, por vezes, sensual.
Da fusão da música negra (Blues e Gospel) com os ritmos mais dançantes dos brancos (Country e Jazz) surgiu o Rythm and Blues, que fez com que a cultura negra ficasse conhecida pela população branca e consumista. Essa foi a época do surgimento e apogeu de nomes como B.B. King, Muddy Waters, Fats Domino e o grupo vocal The Platers, entre outros tantos.
A partir de então, passou a ser fundamental a prática do cover, ou seja, a adaptação elaborada por cantores brancos de músicas negras, com alterações nas letras, para que pudessem ser aceitas pelo grande público jovem e branco.
A vendagem de discos de 45 rpm cresceu assustadoramente (já que a juventude teve ampliado seu poder aquisitivo no pós-guerra) e o espaço na radiodifusão foi definitivamente conquistado.
A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... a explosão era questão de tempo....
Mas quem poderia ser considerado o "Rei do Rock"? É claro que um estilo musical tão complexo e avassalador não poderia ter sua invenção atribuída a apenas uma pessoa ou uma banda.
Há quem diga que o "inventor" foi o compositor, cantor e pianista Little Richard, que, em 1955 incendiou o mundo musical com seu famoso hit "Tutti Frutti". Outros atribuem o surgimento do Rock'n'Roll ao guitarrista branco Bill Haley, que atingiu o 1º lugar da parada americana, no verão de 1954, com a música "Rock Around the Clock". 


Little Richard - Tutti Frutti



Ao guitarrista Chuck Berry é também creditada a "invenção" pois foi ele quem personificou a essência do estilo através dos riffs, solos e a inconfundível batida rítmica transformada em sua marca registrada.


Chuck Berry – Little Queenie 1959



Mas foi um disc-jóquei e radialista de Cleveland, Ohio, Allan Freed, quem usou o termo "Rock and Roll", algo como "deitar e rolar" (uma gíria usada pelos negros americanos quando se referiam ao ato sexual) para denominar o novo estilo musical que surgia criando o programa "Moon Dog Rock and Roll Party" ao mesmo tempo em que promovia festas de dança com o mesmo nome e movidas pelo ritmo que ele havia ajudado a definir e divulgar.
Assim, o termo e o estilo de música "Rock and Roll" se popularizou, e virou uma febre mundial.
E, a partir de então, o universo da música nunca mais seria o mesmo!


5. O Início do Rock

Apesar de no decorrer de sua história o Rock and Roll ter ficado mais marcado por astros brancos, deve-se aos negros, escravos trazidos da África para as plantações de algodão dos Estados Unidos, a criação da estrutura rítmica e melódica que seria a base do Rock. Os cantos entoados pelos negros durante o trabalho, no início do século XX dariam origem ao Blues. Focado basicamente no vocal, o Blues era geralmente acompanhado apenas por violão.
Enquanto o Blues se desenvolvia nos campos e pequenas cidades, nas grandes cidades por sua vez tocava-se o Jazz, baseado na improvisação e marcado por bandas maiores e arranjos mais elaborados, com percussão e instrumentos de sopro. 
Por um outro lado, nas igrejas evangélicas desenvolvia-se a música gospel negra, que embora obedecendo as escalas de Blues, caracterizavam-se por rítmo frenético ou mesmo sensual, canções de redenção e esperança para um povo oprimido. A música era acompanhada por piano ou órgão.
As guerras mundiais serviram, entre outras coisas, para acelerar vertiginosamente a produção industrial nos Estados Unidos. Os negros do Sul, descendentes de antigos escravos da lavoura, que vinham cultivando sua música de raízes africanas, acabaram por se constituir na grande massa de operários das indústrias do Norte e do Oeste, formando guetos por todo o território americano. Nessa condição, espalhavam seus três tipos básicos de música: Rhythm’n’Blues, gospel e ballad.
Isso forçou o relacionamento entre negros e brancos favorecendo a influência mútua entre a música negra (Blues e seus derivados) e a música branca (principalmente Country e Jazz). 
Da fusão do Blues original com os ritmos mais dançantes dos brancos surgiu o rhythm and Blues, que levou a música negra ao conhecimento da população consumista. 
No início da década de 50, com o final da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coréia, os Estados Unidos despontavam como grande potência mundial. Mais do que em qualquer outro momento da história era incentivado o gozo da vida, marcada que estava a sociedade pelos anos de sofrimento da guerra. A população de maneira geral e inclusive as minorias pela primeira vez tinha dinheiro para gastar com supérfluos como música. Com o anúncio da explosão de bombas atômicas pela União Soviética e um possível "fim do mundo" a qualquer momento, a ordem geral era aproveitar cada momento como se fosse o último.
Numa época de mudanças surgia uma corrente intelectual inédita contrária à antiga política, rebeldia esta refletida na literatura, como no livro O Apanhador no Campo de Centeio, de J. D. Salinger, mas mais notadamente no cinema com a glorificação da antítese dos antigos valores em filmes como O Selvagem (em que Marlon Brando interpreta um delinquente).

O apanhador no campo de centeio – J.D. Salinger

Em pleno crescimento econômico capitalista o consumo era considerado fator primordial para geração de empregos e divisas, bem como o melhor antídoto contra o comunismo, e a busca por novos mercados consumidores era incessante. Obviamente a parcela mais jovem da população rapidamente se mostrou mais facilmente influenciável e ao público adolescente pela primeira vez foi dado o direito de ter produtos destinados ao seu consumo exclusivo, bem como poder de escolha. 

Os jovens na década de 50

Estranhamente, porém, os jovens brancos em grande parte se negavam a consumir a música normalmente consumida pela maioria branca. Começaram a buscar na música dos guetos algo diferente. Com a indústria fonográfica de grande porte não preparada para suprir o público consumidor com este tipo de música ganharam importância selos pequenos de música negra. 
A aceitação deste tipo de música pelo público de maior poder aquisitivo levou a incipiente indústria fonográfica da época a investir na evolução do estilo e procura e contratação de novos talentos, principalmente na procura de um jovem branco que pudesse domar aquele estilo aliando a ele uma imagem que pudesse ser vendida mais facilmente. Tornaram-se comuns os relançamentos de versões de músicas dos negros regravadas por artistas brancos, que terminavam por tirar os verdadeiros criadores do estilo do topo das paradas. 
Uma outra grande revolução de costumes estava em curso. Sexo deixava de ser tabu e passava a ser considerado diversão (tanto para o homem como para as mulheres). As canções de amor por pressão do público comprador passavam a dar lugar a letras mais sacanas, embora muitas vezes fosse necessário criar versões atenuadas de versos mais diretos.
A mistura explosiva da empolgante música negra com o consumismo branco adolescente havia sido feita... a explosão era questão de tempo....
Mas quem teria sido o homem que mereceria ser coroado como responsável pela "criação" do Rock and Roll? Obviamente um estilo musical tão complexo não poderia ter sua invenção atribuída incontestavelmente a apenas um indivíduo ou grupo de indivíduos. Mas se alguém merecesse ter seu nome associado à "criação" do Rock como o conhecemos este alguém não seria Elvis ou Bill Haley ou Chuck Berry ou nenhum outro cantor ou band leader. O "inventor" do termo Rock and Roll e grande responsável pela difusão do estilo foi o disk jokey Allan Freed, radialista de programas de rhythm and Blues de Cleveland, Ohio, que primeiro captou e investiu na carência do público jovem consumista por um novo tipo de música mais energética e primeiro percebeu o potencial comercial da música negra.
O termo Rock and Roll era uma gíria dos negros americanos, referente ao ato sexual, presente inclusive em muitas letras de Blues (a exemplo de My Daddy Rocks Me With a Steady Roll da cantora Trixie Smith, de 1922). Allan Freed foi o responsável por usar o nome sonoro para denominar o novo estilo musical em que estava investindo.


Trixie Smith - My Daddy Rocks Me (With One Steady Roll) 1938



Em 1951 Allan Freed criou o programa Moon Dog Show mais tarde renomeado para Moon Dog Rock and Roll Party ao mesmo tempo em que promovia festas de dança com o mesmo nome, movidas inicialmente a Blues e rhythm & Blues e mais tarde pelo ritmo que havia ajudado a definir e divulgar. Suas festas apesar dos constantes atritos e reclamações por parte das autoridades eram um sucesso. Tumultos lhe valeram dezenas de processos por incitação à violência.


Moondog Alan Freed Full Version



Enquanto a juventude adotava o novo ritmo como sua marca registrada os adultos, principalmente das parcelas mais conservadoras da sociedade, a taxavam como causa de toda delinquência juvenil... apesar do exagero dos protestos, não estavam de todo errados, o gosto pelo Rock era realmente parte do estilo das gangues juvenis.


6. A mulher negra que criou o “Rock And Roll” - Por Patrimonio Cultural

Sister Rosetta Tharpe

Quase que completamente desconhecida hoje, Sister Rosetta tinha um programa gospel na rádio nos anos 30, 40. Reza a lenda que King of Rock N’Roll, Mr. Elvis, quando criança, saía correndo da escola para ouvir o programa e as músicas que ela cantava.
Do Pensador Anônimo

O jeito de ela cantar, e tocar guitarra, acabaram sendo assimilados por outro King, o B.B.
E ainda há o terceiro King, desta vez o do Folk, Bob Dylan, assumidamente fã desta artista extraordinária.
É gratificante relembrar e curtir os antepassados negros que fizeram a história do blues americano, como a pioneira Sister Rosetta Tharpe, a madrinha-avó do Rock And Roll.


Sister Rosetta Tharpe - Didn't It Rain? Live 1964



Sister Rosetta Tharpe foi um amor à primeira vista. Aquela mulher de energia possante a brincar com a guitarra, faz lembrar Chuck Berry. A verdade é que foi esta a mulher que inspirou Chuck Berry. A mulher “bonita, divina sem mencionar sublime e esplêndida”, como Bob Dylan afirmou numa entrevista, é a essência do Rock n’ Roll.
Nascida a 20 de março de 1915, em Cotton Plant, Arkansas. Filha de Willis Atkins e Katie Bell Nublin, apanhadores de algodão. A sua mãe tornou-se pastora evangélica, cantando e tocando para a sua congregação. É através da sua mãe e pela sua mão que a pequena Rosetta Nublin faz a sua primeira atuação aos 4 anos, acompanhada pela guitarra, cantou o conhecido tema gospel “Jesus is on the mainline”. Aos 6 anos de idade, segue a sua mãe, que abandonou o seu pai e migrou para norte.

Steamin’And Dreamin – Sister Rosetta Tharpe

Durante a juventude com a sua mãe, fez digressões em circuitos evangélicos. Influenciada pelo seu meio e pela energia de Chicago, uma cidade que fervilhava a Blues e Jazz, a jovem Rosetta misturava o Gospel com os ritmos seculares, o que, juntamente com o seu engenho com a guitarra, tornaram-na bastante popular. A forma como tocava transpirava Blues e impressionou muitos. Rosetta era também uma das poucas mulheres negras a tocarem guitarra na década de 20 do século passado.


Sister Rosetta Tharpe - This little light of mine 1960



Sister Rosetta Tharpe - This Train



Sister Rosetta Tharpe - Rock Me



Casou-se com Thomas A. Thorpe, um pastor evangélico abusivo e controlador que se aproveitara do talento e da popularidade de Rosetta. Decide divorciar-se, mantendo o nome do ex-marido, mas alterando a grafia para Tharpe, nome pelo qual ficou conhecida. Muda-se para Nova Iorque com a mãe, onde conquistou o sucesso e atuou no prestigiado Cotton Club, ao lado de Cab Calloway, para um público mais mundano. O que gerou polêmica junto do seu fiel público-base.


Faz história, quando, em 1938, se torna na primeira cantora gospel a assinar por uma grande gravadora, a Decca Records. Um contrato controverso, pois impunha que Rosetta cantasse tudo o que o seu manager propunha. Os temas Rock Me e The lonesome Road conquistam as tabelas Pop em outubro do mesmo ano. A irmã Rosetta era uma superestrela. Apesar do mal-estar entre a comunidade gospel causado por músicas como Tall Skinny Papa, ninguém conseguia ficar indiferente ao seu estilo particular.
Durante os anos que se seguiram, somou sucessos. Todos queriam ver e ouvir a prodigiosa irmã, ela percorreu os Estados Unidos da América, encheu salas de espetáculos, é uma das poucas vozes femininas negras a animar os soldados norte-americanos, durante a guerra. 


Sister Rosetta Tharpe - Down By the Riverside



Grava Down by the Riverside e Strange Things Happening Every Day, num período onde a segregação era a norma, denotam que as normas são algo que Rosetta nasceu para quebrar e foi assim que foi a sua vida.


Depois de um segundo casamento fracassado, é ao lado de Marie Knight que grava Up Above My Head, uma música sublime. Pouco se sabe sobre esta parceria que terminou abruptamente, após uma tragédia familiar ocorrida com Marie. Rosetta continua a sua carreira e, em 1951, a todos surpreende, quando é anunciado o seu casamento, o terceiro, com Russel Morrison, oficializado no estádio Griffith, em Washington D.C, perante uma audiência de vinte e cinco mil pessoas. Morrisson, seu marido e agente a acompanha até ao fim dos seus dias.


Sister Rosetta Tharpe - Up Above My Head



É com o aparecimento de jovens vindos do delta do Mississippi que surge o Rock n’ Roll e Elvis é coroado como rei do novo gênero musical. Rosetta, a mulher que vinte anos antes começou a fazer estes ritmos mantem-se fiel a si, mas a sua popularidade e o seu brilho ofuscam-se pelos novos artistas.
Até que um dia recebe uma chamada de Chris Barber, que a convida a embarcar numa nova digressão, desta vez, no Reino Unido. Para um público que nunca tinha visto ao vivo, uma verdadeira artista Gospel como Rosetta aparece como algo do outro mundo. Era diferente, cativante, fervilhava energia e alma. Ela e a guitarra eram apenas uma. A atuação de 1964 em Manchester, gravada num dia frio e chuvoso na estação de comboios, é a prova disso.
A irmã Rosetta estava de regresso e conquista o público europeu. Em 1968, Katie Bell falece e esta perda marcou bastante a cantora. Após este acontecimento e depois de ter sido diagnosticada com diabetes, Rosetta Tharpe atua pela última vez em Copenhague, em 1970. Mais tarde, teve que amputar uma perna e, em 1973, abandona este mundo.
Rosetta Tharpe é uma inspiração para Etta Jones, Johnny Cash, Little Richard, entre outros. O seu legado é enorme, marcou a história da música, marcou gerações e apaixona todos aqueles que a ouvem, isto derivado à alma que possuía, à sua energia e poder.
Em 2004, Down by the Riverside entra para a National Recording Registry, da biblioteca do congresso norte-americano. Em 2007, entra para o Blues Hall of Fame e, em 2008, o governador Edward Rendell declara o dia 11 de janeiro o dia da Sister Rosetta Tharpe, no estado da Pensilvânia. No seu discurso, destacou a lendária cantora, a pioneira que levou o Gospel para a cena mainstream.

Rock And Roll Hall of Fame

A força da natureza como foi apelidada por Bob Dylan continua viva entre todos aqueles que a seguiram e na sua discografia.


Rock And Roll Hall Of Fame Inductee Insights: Sister Rosetta Tharpe



2018 Induction Ceremony Sister Rosetta Tharpe Tribute "That's All"



2018 Induction Ceremony Sister Rosetta Tharpe Tribute "Strange Things Happening Every Day"



7. Antes de Chuck Berry, Elvis e Beatles, tivemos Sister Rosetta Tharpe: conheça a Mãe do Rock’n Roll - Por 11 Minute Read

A primeira vez que ouvi falar em Sister Rosetta Tharpe foi há pouco mais de dois meses. Mais precisamente, no dia 3 de julho de 2019 — data em que o episódio do podcast do Frank Turner sobre ela foi lançado.
Desde então, me tornei obcecado pela sua história, seus inúmeros feitos e, principalmente pelo fato de eu ter demorado tanto tempo a conhecê-la — apesar de ser apaixonado pelo Rock’n Roll.
Na grande maioria dos artigos e materiais sobre música, Sister Rosetta é referenciada como a Madrinha do Rock’n Roll. Porém, como você vai ver, ela não esteve presente apenas no “batismo do Rock”, mas desde seus primórdios — ou parto, se preferir.
Por exemplo, a primeira vez que o termo “Rock’n Roll” apareceu na renomada revista americana Billboard foi justamente para descrever uma performance dela, em maio de 1942:

Revista Billboard, edição de 30 de maio de 1942 — página 25

Então, prefiro considerá-la Mãe, com os padrinhos surgindo depois:

Se você tentar dar outro nome ao Rock’n Roll, você pode chamá-lo de ‘Chuck Berry’.
John Lennon

Ele (Chuck Berry) iluminou nossa adolescência e deu vida aos nossos sonhos de sermos músicos.
Mick Jagger

Uma longa personificação de Sister Rosetta Tharpe, foi como Chuck Berry - o Pai do Rock – descreveu certa vez sua própria carreira.
Quando ele tinha 12 anos, a cantora lançou seu primeiro disco, Rock Me, e o garoto Chuck foi parte de uma geração de crianças que cresceram nas décadas de 40 e 50 acostumadas a ver Sister Rosetta como uma grande estrela da música.
Nessa geração também estava o pequeno Elvis, ainda com 3 anos, que dificilmente se lembra de ouvir o disco no ano do lançamento, mas não deixou de ser influenciado por ela:

Elvis adorava Sister Rosetta. Principalmente seu estilo de tocar guitarra, que era muito diferente.
Gordon Stoker, do Jordanaires, que trabalhou tanto com Sister Rosetta Tharpe, quanto com Elvis Presley.

Sister Rosetta foi uma estrela do Rock muito antes dessa expressão existir, quebrando barreiras com todo o estilo, extravagância e peculiaridades que tinha direito.

a) O início de tudo
Não dá para falar sobre Rock’n Roll citar o Blues — que, por sua vez, se desenvolveu especialmente do canto dos escravos das lavouras de algodão.
Foi também nessas lavouras, em 1915, que Rosetta Nubin nasceu, na cidade de Cotton Plant, Arkansas, às beiras do rio Mississíppi. Seus pais, Katie Bell e Willis Atkins, eram colhedores de algodão.
Não se sabe muito sobre seu pai, que pouco participou de sua vida, além do fato de que ele sabia cantar.
Enquanto sua mãe, foi a pessoa mais presente ao seu lado, até falecer em 1968. Ela era evangelista e incrivelmente apaixonada pela Igreja.


Quando sua filha tinha apenas seis anos, Katie Bell abandonou Willis e levou Rosetta para que se tornassem evangelistas viajantes da Igreja de Deus em Cristo.
Desde então, a música, a religião e a rotina de viajar fazendo shows estiveram presentes na vida de Rosetta. Há relatos de que, quando ela tinha 10 anos, já era uma showoman completa, tocando violão, piano e dominando alguns passos de dança.
Seu sobrenome Tharpe surgiu após o casamento com o Reverendo Tommy Thorpe (e por erros de grafia), em 1934, quando ela tinha ainda 19 anos.
Ambos trabalhavam para a mesma igreja: ela fazia os shows e atraía multidões, enquanto ele pregava do púlpito.
O casamento não durou muito tempo, pois, além de ter sido arranjado pela mãe de Rosetta, o Reverendo claramente se aproveitava dos dons de sua esposa para ganhar dinheiro e se sustentar.
Sister Rosetta não era nada comum
Após 4 anos casados, em 1938, ela deixou seu marido e foi para a cidade de Nova York. Dessa vez, foi Rosetta quem levou junto sua mãe.
Seu reconhecimento na música não demorou: no mesmo ano, lançou o disco “Rock Me” e recebeu a oportunidade de se apresentar no prestigiado Cotton Club — uma casa noturna para clientes brancos e performers negros.


Por força de um contrato de sete anos que assinou, Rosetta se viu obrigada a cantar qualquer música que sua gravadora, Decca Records, escolhesse.
Por isso, temos registros dela cantando algumas músicas que não fazem qualquer menção a Deus, mas apenas sobre “agradar seu homem” - como Tall Skinny Papa, em que ela repete constantemente:

Eu quero um papai alto e magro. É tudo o que eu preciso.

Claro que um papai alto e magro estava longe de ser tudo o que Rosetta queria ou precisava, mas foi um mal necessário para ela trilhar seu caminho para o sucesso e se ambientar ao universo do Show Business.
Com 25 anos, ela estava entre os melhores músicos populares da época e havia se acostumado a tocar com nomes como Lucky Millinder, Cab Calloway, Duke Ellington e outros.


Após cumprir o contrato, Rosetta havia se estabelecido numa indústria dominada por homens, era rica, famosa, amada por uma legião de fãs e, finalmente, poderia cantar o que bem entendesse.
O que mais a primeira superstar gospel da história poderia fazer?

b) Rosetta na estrada, a segregação racial e Marie Knight
Nos anos 40, ela passou boa parte do tempo na estrada e tocando em casas de show lotadas — sempre acompanhada por diferentes quartetos gospel.
Um desses quartetos foram os Jordanaires, que depois ficariam conhecidos como backing vocals de Elvis Presley. Nessa época, eram carinhosamente chamados por Rosetta como “seus quatro pequenos bebês brancos”.

Elvis Presley no Estúdio

Numa sociedade altamente segregada, negros e brancos tocando juntos era tabu. Mas desde seus primeiros acordes arranhados nas portas das igrejas, Rosetta sempre tocou para unir as pessoas e isso persistiu por toda a sua carreira.
Durante a turnê com os Jordanaires, o grupo de apoio era recebido nos melhores restaurantes e hotéis, enquanto a estrela principal tentava a sorte na porta dos fundos. Ou contava com a ajuda de seus “quatro bebês brancos”, que pediam um prato extra para viagem e levavam até ela em seu ônibus.


O vencedor do Oscar, Green Book, fornece um bom panorama de como era a rotina de um negro em turnê durante a segregação.
Com a diferença que a história do filme se passa em 1962, às vésperas da assinatura da Lei de Direitos Civis, que decretou o fim da segregação racial americana em 1964.
Ou seja, os tempos de Rosetta eram outros, mas nem isso foi capaz de fazê-la recuar.
E não satisfeita fazendo turnês apenas com quartetos gospel, em 1946, ela pegou a estrada com Marie Knight, sem nenhum acompanhamento além delas próprias — algo completamente inédito para a época.


Green Book - O Guia | Trailer Oficial Legendado




Há relatos de que elas sozinhas montavam todo o equipamento, depois retornavam aos bastidores para se ajudarem na maquiagem e cabelo, e, então, o show era completo. As duas cantavam e se revezavam no piano, Rosetta assumia a guitarra e Marie, a percussão.
De acordo com a historiadora Gayle Wald, elas não eram apenas companheiras de estrada e shows, mas também amantes — um “segredo aberto”, diz Wald.
E retomo a pergunta: o que mais Sister Rosetta Tharpe poderia fazer?

c) A primeira música de Rock’n Roll da história
Em 1944, a cantora lançou a música Strange Things Happening Everyday, uma forte crítica às hipocrisias religiosas que emplacou o 2º lugar na lista da Billboard de melhores músicas de Rhythm & Blues.
Além desse feito, para muitos historiadores e estudiosos da música, essa foi a primeira música de Rock’n Roll da história.
Não há um consenso sobre um marco zero específico para definir qual hit recebe esse título e, por isso, ele acaba dividido entre Strange Things Happening Everyday e outras três opções:

- Rock the Joint - Jimmy Preston (lançada em 1949)
- Rock Awhile - Goree Carter (1949)
- Rocket 88 - Jackie Brenston (1951)

Se analisarmos pelo ano de lançamento, não há discussão.
E basta um clique no vídeo abaixo para você notar os traços do gênero musical na música e, principalmente, na guitarra de Rosetta.


Sister Rosetta Tharpe - Strange Things Happening Every Day



d) Quando a noiva tocou guitarra
Após vários anos na estrada dedicados a desafiar a segregação racial enquanto fazia shows, em 1950, dois grandes promotores da música gospel da época fizeram uma proposta bem inusitada para Sister Rosetta Tharpe:
Combinar uma cerimônia de casamento com um show, e fazer tudo isso no Griffith Stadium, em Washington.



Ela topou de prontidão e faltava apenas um detalhe necessário para a cerimônia: um noivo. Algumas semanas antes do grande dia, Rosetta encontrou Russel Morrisson e resolveu o problema.
O casamento aconteceu em 1951 com tudo o que se tem direito, incluindo a Marcha Nupcial.
O Reverendo Kelsey se dirigiu aos 20 mil pagantes que lotavam o estádio para saber se havia alguma objeção. “Você tem uma aliança, Russel?”, ele também perguntou ao noivo e despertou várias risadas do público.
Os convidados - no caso, os fãs - levaram presentes, pratarias e até uma televisão.
E após o anúncio de “pode beijar o noivo” - pelo menos é o que Kelsey deveria ter dito - Sister Rosetta pegou sua guitarra.
Terminava o maior casamento que a cidade de Washington havia visto para dar início a um dos primeiros shows em estádio que se tem registro.


e) A invasão americana
No fim dos anos 50, o Rock’n Roll havia chegado para ficar. Seus principais ídolos eram homens jovens e brancos, e Rosetta, que não lançava mais tantas músicas, seguia reencenando seus hits e parecia caminhar para o final de carreira.
Até que, em 1957, ela recebeu a ligação de um grande fã britânico. O popular trombonista de Jazz, Chris Barber, queria levá-la para a Europa e fecharam um acordo para um mês de turnê.

Sua guitarra por si só era tão alta quanto a minha banda inteira. 
Foi apaixonante, totalmente fascinante. Chris Barber

Até então, o público britânico havia visto Blues e Gospel apenas por imitações brancas. Pela primeira vez, eles tinham contato com a música de verdade.
Essa turnê chamou a atenção de todos na Europa, tanto de agentes quanto de novos fãs. Rosetta era uma estrela renascida e agora espalhava sua influência em um novo continente.
A cantora não estava sozinha nessa e vários artistas americanos também passaram a viajar pelo continente europeu para fazer shows.
Entre eles, estava o lendário Muddy Waters, um dos pioneiros na eletrificação do Blues, e que participou ao lado de Rosetta numa série de shows na Inglaterra que ficaram marcados como The American Folk-Blues Festival, entre 1963 e 1966.


Então, antes de toda a Beatlemania e a Invasão Britânica, primeiro aconteceu uma Invasão Americana.
Em 1963, houve somente um show dessa turnê, na cidade de Manchester e, como era algo inédito, pessoas de várias outras cidades se organizaram para prestigiá-lo. Inclusive de Londres, de onde saiu um micro-ônibus transportando, entre outros passageiros, Eric Clapton, Jeff Beck, Keith Richards e Brian Jones.
Quando comecei este artigo, estava preocupado em investigar quem Sister Rosetta havia influenciado. Agora, tenho outra pergunta em mente: quem ela não influenciou?
O ápice dessa Invasão Americana também aconteceu em Manchester, em 1964, com um dos shows mais incomuns e icônicos que se tem registro.
Ele aconteceu numa estação de trem desativada, com o palco montado em uma plataforma e o público na outra, separados pelos trilhos. Rosetta — com 49 anos de vida e mais de 40 de estrada —, que estava acostumada a limusines, chegou ao palco em uma carruagem.
Enquanto desembarcava, ela deixa claro o quanto estava contente ao elogiar o cavalo que a trouxe e ao declarar que “aquele era o momento mais maravilhoso de sua vida”, antes mesmo de colocar os pés no chão.


Por mera formalidade, Sister Rosetta recebeu a ajuda de Cousin Joe para descer e, então, caminharam lentamente de braços dados na direção de sua guitarra. “Está chovendo e as pessoas são muito gentis por ficarem aqui”, ela dava a pista de que a primeira música seria Didn’t it Rain.
Com a alça da guitarra devidamente vestida, a mão esquerda pressionando as cordas junto aos trastes e a direita com a palheta preparada, surgem as primeiras notas.
E quando começa a tocar, Rosetta está completamente entregue ao momento. Cabeça levemente curvada para trás, olhos para cima, às vezes fechados, e ela entra em comunhão com algo que não podemos ver, mas felizmente podemos ouvir.
Senhoras e senhores, Sister Rosetta Tharpe.

A irmã Rosetta Tharpe não era nada comum, nem simples. Ela era uma grande e bela mulher, e divina, para não mencionar sublime e esplêndida. Ela era uma força poderosa da natureza. Um evangelista que cantava e tocava guitarra.
Ela viajou para a Inglaterra com Muddy Waters e vários outros artistas do Blues no começo dos anos 60. E tenho certeza que vários jovens ingleses resolveram pegar uma guitarra após vê-la tocando.
Bob Dylan

f) Memórias preciosas
Depois disso, vieram diversos artistas e bandas que se consagraram no cenário do Rock e, hoje, são vistos como grandes referências no universo da música.
Rosetta, por outro lado, não teve últimos dias tão gloriosos quanto merecia. Sua mãe, que acompanhou de perto todos os seus passos, faleceu em 1968 — o que já foi um baque gigantesco para ela.
Após ser diagnosticada com diabetes, teve uma perna amputada por complicações da doença, em 1971. E dois anos mais tarde, depois de sofrer um derrame, Sister Rosetta Tharpe não resistiu e acabou falecendo.
No funeral, Marie Knight fez questão de maquiar e vestir sua companheira para garantir que ela estaria o mais glamourosa possível. E prestou uma homenagem como despedida, reencenando uma música de Rosetta que estavam acostumadas a cantar juntar: Precious Memories.

Velhos tempos cantando, alegria trazendo
Daquela terra adorável em algum lugar
Memórias preciosas, como elas permanecem.

Somente 36 anos depois, em 2009, Rosetta ganhou uma lápide e, em 2018, foi integrada ao Hall da Fama do Rock’n Roll, em Cleveland.

A lápide da irmã Rosetta Tharpe no cemitério Northwood da Filadélfia.
O memorial foi pago graças a um concerto beneficente organizado
pelo escritor e fã Bob Merz

Placa na Filadélfia indicando onde era a casa de Sister Rosetta


The Godmother of Rock’n’Roll – Sister Rosetta Tharpe






Até o próximo encontro!



domingo, 6 de setembro de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 9 Parte 1

A História do Rock na Década de 50


1. A origem negra do Rock n' Roll – Por Filipe Larêdo

A origem de um estilo musical difundido por todos os cantos do planeta não haveria de ter uma explicação fácil, afinal, foi longo o caminho necessário para que o Rock pudesse nascer.
Diversos ritmos e comportamentos foram se adaptando com o tempo e, em uma pura combinação de fatores, surgiu primeiro o Rhythm and Blues -- o famoso R&B -- e depois o Rock and Roll propriamente dito. Uma retrospectiva pelas raízes é necessária para que se possa entender sua importância no cenário, não apenas musical, mas também social do mundo.

Rhythm And Blues

Diferente de outros estilos musicais, o Rock pressupõe a troca, a integração do artista com o público. Não há espaço para passividade nesse estilo; todos devem participar da construção do ritmo.

Por isso, dançar é fundamental. Se não houver reação corpórea quente, não há Rock. 
(Chacon, 1993. p.85).

Porém, tão importante quanto dançar é cantar. O ouvinte deseja se unir ao cantor e, em um amálgama mágico, se torna elemento insubstituível da equação. Não há como imaginar uma apresentação de Rock com o público sentado sem interagir. Isso é uma característica da música erudita.
O Rock penetra não apenas nos ouvidos e na visão, mas em todas as células do corpo.

Em suas origens, o Rock and Roll era essencialmente uma música afro-americana. Os ritmos sincronizados, a voz rouca e sentimental e as vocalizações de chamado-e-resposta características dos trabalhadores negros eram parte da herança da música africana e tornaram-se tijolos com os quais o Rock and Roll foi construído.
(Friedlander, 2010. p. 31)

É incontestável que, a maior fonte do R&B e, posteriormente do Rock and Roll foi o Blues. A música negra por excelência era tocada por homens negros desempregados que carregavam seus violões pelo sul dos Estados Unidos -- região mais pobre e rural do país, e que demorou mais tempo para alcançar o desenvolvimento econômico e ideológico que os estados do Norte - no período da depressão das décadas de 1920 e 1930 e cantavam sobre a vida difícil e dolorosa que levavam.


Skip James - Devil Got My Woman



Nesse contexto social, era comum encontrar letras de músicas Blues que falavam de adversidades, conflitos e, ocasionalmente, celebração. Essencialmente rural, o Blues sulista -- vindo da região do Delta do Mississippi -- era tocado nas varandas, nos bares de beira de estrada ou nas praças das cidades. Todavia, após o auge da depressão e o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945, houve uma maciça migração negra para o Norte e o Blues urbano começou a florescer.

O Bluesman viajante

O Blues urbano manteve a carga emocional de referencial rural e sulista, mas passou a usar um toque de positividade e orgulho. Com isso, foi abandonando cada vez mais os temas depressivos e, usando uma formação expandida -- criada por Muddy Waters -- de guitarra rítmica, guitarra solo, bateria, baixo e piano, representou um importante avanço em direção ao Rock and Roll.
A segunda grande influência é a música religiosa: o gospel. Com seu estilo emocionado, “incluía palmas, chamado-e-resposta, complexidade rítmica, batidas persistentes, improvisação melódica e acompanhamento com percussão” (Friedlander, 2010. p. 33). É certo que, no R&B, muitas dessas características também estão presentes, mas é na música gospel que elas têm origem.

Muddy Waters

A união da plateia com o artista através de tantos recursos interativos, encontra sua origem na música negra religiosa, pois “os diálogos de chamado-e-resposta – originários dos cantos africanos – eram executados por um cantor principal e pela congregação que respondia” (Friedlander, 2010. p. 34).
O terceiro e último estágio para a origem do R&B é o jump band jazz. Surgido no final da era das grandes bandas no final da Segunda Guerra Mundial, era um estilo animado, com batida suingada e formado por cinco ou seis instrumentos e um saxofone que se destacava. Comparada às grandes bandas, as bandas de jazz pareciam pequenas, mas guardavam o poder de fazer o público dançar ao som dos solos de saxofone.
Reunindo as três fontes – Blues, gospel e jump band jazz –, músicos negros criaram o estilo conhecido como Rhythm and Blues, que, por sua vez, seria a principal base para o Rock and Roll.
A síntese musical do R&B consistia na formação básica das bandas de Blues, complementada por um solista de sax-tenor do jazz. Como no jump band jazz, o importante era o swing. A influência do gospel, que enfatizava a base rítmica 2/4 (ou “backbeat”), marcadas principalmente pela bateria, criava um movimento corporal que estimulava os ouvintes.

Blind “Willie” Johnson

O virtuosismo vocal e a criatividade no palco, ambas heranças do gospel, foram importantes componentes do R&B (…) Emoção na voz e a sustentação das notas foram herdadas do Blues. O solo instrumental, feito principalmente pelo sax-tenor, combinava com a fluidez improvisada do jazz com as longas repetições do Blues. (Friedlander, 2010. p. 34).


Blind Willie Johnson - Trouble will soon be over (1927)



Deixando para trás os lamentos de sofrimento e dor dos tempos da depressão tocados pelos Bluesmen rurais, o R&B contemplava principalmente o amor e as experiências sexuais da vida real. Enquanto o ritmo ia se tornando cada vez mais popular, um novo público de jovens ouvintes negros ia surgindo, à revelia de grande parte da população branca, que tinha excesso de pudor e também não aceitava que uma música negra invadisse seus ouvidos.

a) Uma pitada de folk e country. E agora, Rock and Roll?

Embora, grande parte da população branca dos Estados Unidos não aceitasse a música dançante dos negros, o R&B ia conquistando admiradores. Não apenas os negros poderiam extravasar suas angústias e tristezas se divertindo com o novo e frenético som. Agora, os brancos queriam participar e também fizeram sua contribuição para o nascimento do Rock and Roll.
As músicas folk e country dos brancos criavam baladas sobre o cotidiano de pessoas comuns. Assim como o R&B negro, que até esse momento não se misturava, a música country branca também buscava manifestar suas experiências e emoções e representava uma alternativa às canções melosas e rimadas das músicas populares da época.

Hank Williams

Encabeçado por Hank Williams, Jimmy Rodgers e Carter Family, o country/folk proliferou nas rádios do começo da década de 1950 e entrou nas paradas de sucesso.


Jimmie Rodgers - Blue Yodel No 1 (T For Texas)



Assim como a música transmitia a emoção do artista, o público respondia, na mesma medida, “movendo seus corpos em vibrações que acompanhavam o movimento dos artistas” (Friedlander, 2010. p. 46). 


Jimmie Rodgers

O Rock and Roll era, para muitos, um catalisador de identidade para os adolescentes que, criados por pais hierarquicamente influenciados pela estrutura do exército, do trabalho e da família, não queriam obedecer a regras apenas porque elas existiam. Queriam seguir o rumo que suas próprias vidas os levariam.

E, deitados na cama encolhidos com seus rádios ou depois da escola na casa de amigos, os jovens sabiam que ouvir Rock and Roll os fazia sentir-se bem.
(Friedlander, 2010. p. 47)

Apenas alguns anos após o término da II Guerra Mundial, a juventude americana, ainda traumatizada pelas perdas humanas -- principalmente de jovens --, queria, após anos de sofrimento, se divertir. Músicas despretensiosas, ritmos dançantes e o clima de festa serviriam para alegrar tanto os músicos, quanto os ouvintes.
Nesse contexto, ocorreu a mistura de música branca e negra que, mais alguns anos depois, já na década de 1960, percebendo que já viviam miscigenados através do Rock and Roll, vão reclamar e protestar contra o racismo.
Foi dessa forma, por meio da festa e da diversão, que brancos e negros aprenderam a dançar e cantar juntos.

b) O Rockabilly pede licença: finalmente a mistura se completa

O R&B, originado do Blues (rural e urbano), da música gospel e do jump band jazz, surgiu para os negros, popularizou-se e espalhou-se.
O folk e o country dos brancos se modernizaram e passaram a ser tocados nas rádios. Aos poucos, quase que imperceptivelmente, os dois caminhos começaram a se aproximar e, alguns jovens, ansiosos por sair da monótona música popular americana, decidiram criar uma nova estrutura de som e ritmo.
“Em meados dos anos 50, alguns jovens, influenciados por Williams, ansiavam por mais. Cientes da força e da emocionalidade do rhythm and Blues, eles quiseram incorporar ‘a batida’ à autêntica música country. Elvis Presley – nascido no Mississipi e depois estabelecido em Memphis – entrou na gravadora Sun Records em uma tarde de julho para gravar um Blues rural intitulado That’s All Right (Mama).

Elvis Presley

Gravado com apenas um violão, uma guitarra, um baixo e cantado com trêmulo e displicente abandono, Elvis criou a síntese do country/Blues/R&B conhecida como Rockabilly. Mais tarde, a bateria somou-se ao conjunto e o Rockabilly tornou-se um gênero de transição para alguns artistas brancos, atraindo astros como Jerry Lee Lewis, Johnny Cash, Carl Perkins e Roy Orbinson para a Sun Records antes do final da década”. (Friedlander, 2010, p. 36)

Jerry Lee Lewis

Os artistas brancos das regiões rurais e montanhosas do sul dos Estados Unidos tocavam uma espécie de proto-country, chamada hillbilly. Denominado “música caipira”, era o modo de vida que as pessoas, vindas principalmente dos Apalaches e Ozarks, tinham e, como o principal meio de transporte para a região era o ferroviário, o som do hillbilly, muitas vezes, se assemelha a um trem em movimento.


Eddie Cochran - Half Loved



Quando alguns jovens, embalados pelas duas culturas -- branca e negra -- e pelo sucesso da economia e da política americana do pós-guerra procuraram uma forma de extravasar sua insatisfação e de ter uma identidade de grupo, encontraram no Rockabilly a expressão ideal de suas vontades.

Eddie Cochran

É importante lembrar que, ao mesmo tempo em que a música revelava a vontade de mistura músico-racial, a política e a poesia também se manifestavam nesse sentido, respectivamente, por meio da decisão da Suprema Corte americana no caso Brown vs Conselho de Educação (1954), que tornava inconstitucional a segregação racial nas escolas, e da geração beat, que buscava exterminar a repressão sexual, usando temas de amor livre em versos críticos ao rígido ambiente dos anos 1950.
Dessa maneira, o mercado americano, predominantemente branco, passou a aceitar a música negra, adaptando seu estilo para uma fórmula nova e, de quebra, permitiu que o Rock and Roll salvasse o rádio da morte certa, já que, com o advento da televisão, não conseguia se sustentar.
Pequenas gravadoras independentes, tais como Sun e Chess Records, foram responsáveis por tal feito e conseguiram transpor a linha conservadora da cultura alimentada pelo modelo que a série de TV Papai Sabe Tudo (transmitido pelas emissoras CBS, ABC e NBC entre os anos 1949 e 1962, que retratava o cotidiano de uma feliz e satisfeita) transmitia, produzindo músicas fora do mercado.

Sun Records Label

Embora a música Rockabilly fosse tocada com cada vez mais frequência nas rádios, era “condenada pelas associações de pais e professores locais, por comitês governamentais e líderes religiosos” (Friedlander, 2010. p. 40) e sua aceitação não foi muito fácil.
Uma cultura baseada em segregação racial precisa de bastante tempo para abandonar seus paradigmas, mas o Rockabilly, essencialmente uma música de mistura racial, foi um perfeito instrumento para alcançar esse objetivo.

Chess Records Label

Alan Freed foi tido como o responsável por ter apresentado o som dos negros para as plateias brancas com seu programa de rádio Moondog Rock and Roll Party, que começou em Ohio, 1952, tocando R&B para uma audiência de adolescentes brancos. Como racismo pegava pesado naquela época, o DJ foi criticado por sua iniciativa e perseguido pelas autoridades.
(Vinil, 2008. p. 14)

Realmente não era fácil para os pais racistas daquela época ver seus filhos, com as cabeças cada vez mais abertas por influências musicais e intelectuais, dançarem da mesma forma que os negros dançavam. Até aquele momento, o ritmo branco tradicionalista e preconceituoso não aceitava a sensualidade e o suingue dos negros.


Johnny Burnette - Train Kept A Rollin'



Coube então aos jovens sedentos por mudanças a mistura sócio-musical tão importante para a origem de um ritmo que vem se fazendo presente até os dias atuais.

Johnny Burnette

Dessa forma, a juventude mostrou toda a sua força para a sociedade, especialmente a americana, cheia de recalques e preconceitos. Tanto negros quanto brancos passaram a cantar e dançar juntos e o Rock serviu como instrumento de contestação e revolta, mesmo que de maneira sutil e despretensiosa.


2. Precursores do Rock And Roll


A música “That’s All Right” de 1946 de Arthur Crudup
disputa o título de “Primeira gravação de Rock de todas”.

O Rock n’ Roll é um gênero de Música Popular que se originou e desenvolveu nos EUA entre o final dos anos 40 e início dos anos 50. Diversos estilos desenvolveram o Rock n’ Roll como: Country, Blues, Boogie Woogie, Rhythm and Blues e muitos outros.
Os elementos do Rock são encontrados nas gravações dos anos 20 até o início dos anos 50, sendo que alguns foram considerados precursores desse gênero musical.


Arthur Crudup - That's All Right (original version)



a) Origem do termo “Rock n’ Roll” e uso nas canções

O termo “Rock n’ Roll” ganhou diversos significados ao longo do tempo. Foi originalmente usado por marinheiros entre os séculos XVII e XIX para descreverem os movimentos para frente, para trás (referido como “Rocking”) e lado a lado (referido como “Rolling”) dos navios. Em 1658, o escritor Richard Franck mencionou o termo no trecho “…prevent her from Rocking and Rolling…” em seu livro. Uma edição foi impressa em 1821:

Capa da edição de 1821

A página 200 do livro contém a expressão “Rocking and Rolling”

O termo também foi usado em uma matéria do jornal de 1835 “The United Service Journal” no trecho “…Rocking and Rolling on both beam-ends…”


A página 406 da edição de 1835 inclui o termo “Rocking and Rolling”
para descrever os movimentos de um navio

O jornal “The United Service Journal” ficou popular no século XIX
A imagem acima é a capa da edição de 1831

Devido a popularidade do termo entre os marinheiros, a expressão foi usada na canção “Johnny Bowker” do início do século XIX, que inclui o trecho “…oh do, my Johnny Bowker/ Come Rock and Roll me over…”
“Johnny Bowker” foi popular entre os marinheiros na época.
A composição musical de 1839 “Rocked in the Cradle of the Deep” de Emma Willard e Joseph Philip Knight mais tarde seria interpretada por vários cantores na década de 1890 como: The Original Bison City Quartet em 1892 e The Standard Quartette em 1895.
Uma gravação também foi feita por Gus Reed em 1908.


Frank Ross - Rocked In The Cradle Of The Deep



Lil Johnson - Rock That Thing



Um dos primeiros exemplos de uso do termo “Rock and Roll” no sentido figurado é encontrado na música “My Man Rocks Me (With One Steady Roll) ” de Trixie Smith de 1922. Esse foi um dos maiores sucessos de Smith e inspirou diversas músicas como: “Rock That Thing” de Lil Johnson, “Rock Me Mama” de Ikey Robinson e outras.

Disco de vinil da música


Blind Blake - West Coast Blues (1926)



Uncle Dave Macon - Sail Away Ladies (1927)



Mais tarde, Smith gravou uma continuação chamada “My Daddy Rocks Me” no final dos anos 30.
A expressões “Rocking” e “Rocking and Rolling” foram frequentemente usadas em gravações dos anos 20 e 30. Exemplos incluem: O trecho “…now we gonna do the old country Rock/ First thing we do, swing your partners…” na música de 1927 “West Coast Blues” de Blind Blake e o refrão “Don’t she Rock, daddy-o” na música de mesmo ano “Sail Away Ladies” de Uncle Dave Macon e seu grupo Fruit Jar Drinkers, que ficaram extremamente famosos na década de 20.

Dave Macon era um famoso tocador de banjo nos anos 20 e 30.

Além de “Sail Away Ladies”, Macon também gravou “Rock About My Saro Jane” e fez sucesso com ambas as composições. O trecho “Don’t she Rock, daddy-o” foi mais tarde adaptado para “Don’t you Rock me, daddy-o”.
Mais tarde, em 1957, o artista Lonnie Donegan e a banda Vipers Skiffle Group fizeram sucesso com a adaptação “Don’t You Rock Me, Daddy-o”.
O musicólogo Alan Lomax deu a hipótese de que a música “Rock About My Saro Jane” foi composta na metade do século XIX, apesar de houver hipóteses de que a composição é da década de 1880.
A versão de Macon foi lançada em 1927 pela gravadora Brunswick e foi uma de suas músicas mais populares:
Os filmes também mencionavam o termo “Rock and Roll”. Um exemplo é o filme “Asleep In The Feet” de 1932.

Imagem do filme “Asleep In The Feet”

O famoso grupo “The Boswell Sisters” fez um enorme sucesso com a música “Rock and Roll” em 1934:


The Boswell Sisters - Rock and Roll



O trio The Boswell Sisters foi extremamente popular na
década de 30 com diversas músicas.

Outro uso notável da frase se encontra na música “Rock It For Me” de Chick Webb e Ella Fitzgerald, um sucesso de 1937.
As letras contam a estória de um novo estilo de música chamado “Rock and Roll” e descrevem como “um novo tipo de ritmo”:

Disco com as gravações da orquestra de Webb e Fitzgerald
nos anos 30, incluindo “Rock It For Me” e outras.

O significado original da expressão “Rock And Roll” foi usado na música “Rockin’ Rollin’ Mama” de Buddy Jones de 1939:

Lançamento de 1939 da versão original.

A popularidade da frase foi tão grande que no mesmo ano, Irene Castle inventou uma dança chamada “The Castle Rock and Roll”, a qual ela descreveu como um “simples passo de swing”. A dança foi apresentada na convenção Dancing Masters Of América no hotel Astor.

A dupla de dançarinos de salão Vernon and Irene Castle atingiu
sucesso primeiramente no musical “Watch Your Step” de 1914.

O filme de 1941 “The Big Store” contém uma cena em que a atriz Virginia O’Brien cantou uma música que começou em estilo de canção de ninar e que terminou em estilo Boogie woogie com as letras “Rock, Rock, Rock it, baby…”
O tema é uma adaptação da famosa canção “Rock-a-bye Baby”:
De acordo com o Oxford English Dictionary, a frase “Rock” foi usada para descrever um estilo musical em uma resenha na revista Metronome de 1938. A revista avaliou a música “Lullaby in Rhythm” de Harry James: “Lullaby In Rhythm really Rocks…”


The Big Store - Piano Scene - The Marx Brothers



Virginia O'Brien - Lullaby (Rock-a-bye baby)



Lullaby In Rhythm - Harry James, 1938




A revista Metronome era popular nos anos 30 e avaliava
músicas de sucesso da época.

Na época, a expressão ”Rock and Roll” foi usada para descrever músicas em avaliações. Uma revisão de 1939 das músicas “Ciribiribin” e “Yodelin’ Jive”, ambas gravadas por Andrew Sisters e Bing Crosby, no jornal “The Musician” descreveu os temas como: “…Rock and Roll com entusiasmo desencadeado e temperado na assinatura comum 4/4.”


O trecho onde se encontra o termo “Rock and Roll”,
usado para descrever uma música.

O jornalista da Billboard Maurie Orodenker usou a expressão “Rock and Roll” para descrever músicas nos anos 40, entre essas: “Rock Me” de Sister Rosetta Tharpe com a banda de Lucky Millinder em 1942, “It’s Sand, Man” de Count Basie, “Caldonia” de Erskine Hawkins e “Sugar Lump” de Joe Liggins em 1946.

Avaliação da música “It’s Sand, Man” de Count Basie:
“It displays its Rock and Roll capacities when tackling the righteous rhythms”.

Considerada “a madrinha do Rock and Roll”, Tharpe fez gravações que foram considerados precursores desse estilo como: “Rock Me”, “Strange Things Happening Every Day” e mais. Foi uma influência para músicos como: Elvis Presley, Chuck Berry e outros.
O termo também foi usado na música “Good Rocking Tonight” de Roy Brown de 1947.
Mais tarde, a regravação de 1948 de Wynonie Harris seria um sucesso no final da década de 40. Vários artistas foram influenciados por essa gravação e usaram títulos semelhantes nos anos 40:
As gravações feitas por Paul Bascomb e Wild Bill Moore foram sucesso nesse período. Ambas as gravações foram feitas sob o título “Rock and Roll”:


Paul Bascomb - Rock & Roll (1947)



Moore também foi amplamente reconhecido como um contribuidor para o desenvolvimento do Rock n’ Roll. A gravação “We’re Gonna Rock, We’re Gonna Roll” de 1947 disputa o título de “Primeira música desse estilo”. Essa foi uma das primeiras faixas tocadas por Alan Freed em seu programa de rádio em 1951. A composição foi citada no livro de 1992 “What Was the First Rock n’ Roll Record?” de Jim Dawson e Steve Propes, que analisa 50 candidatos para a primeira gravação de Rock and Roll.
A Savoy Records criou um anúncio para a música “Robbie-Dobey Boogie” de Brownie McGhee com o slogan: “It jumps, it’s made, it Rocks, it Rolls”.
Apesar da expressão “Rock and Roll” ter sido usada para descrever um estilo musical nos anos 40, a frase foi popularizada nesse sentido pelo disc jockey Alan Freed em 1951.
Freed se tornou famoso por ter promovido uma mistura de Blues, country e rhythm and Blues na rádio, sob o título de “Rock and Roll”. Assim, Freed foi considerado o “pai desse gênero musical”. Foi o primeiro locutor a usar a frase em rádio, nos anos 50.
Freed mais tarde participou de filmes como: “Rock Around The Clock” de 1956, “Don’t Knock The Rock” de 1957 e muitos outros.
O locutor de rádio foi considerado um contribuidor para o Rock and Roll e foi mencionado em várias músicas e filmes.

Freed foi importante para esse gênero musical, promovendo músicas
e popularizando o termo “Rock And Roll” para descrever um ritmo.


3. Outras Gravações Importantes para o Rock

O músico Tampa Red ficou popular nos anos 20 com gravações como:
“It’s Tight Like That”, “Love Her with a Feeling” e muitas outras.

a) Kansas City Blues

Foi gravada por Jim Jackson em 1927 e foi um extremo sucesso, vendendo mais de um milhão de cópias. A melodia mais tarde seria reutilizada em diversas gravações como: “Going To Move To Alabama” de Charlie Patton em 1929, “Move It On Over” de Hank Williams em 1947 e “Rock Around The Clock” de Bill Haley and His Comets em 1954, uma gravação também importante para o Rock and Roll. A composição também inspirou Leiber e Stoller a escreverem a música “Kansans City” em 1952. Jackson refez o trecho “It takes a Rocking chair to Rock, a rubber ball to Roll…” de “Jealous Hearted Blues”, gravação esta realizada por Ma Rainey em 1925.


Jim Jackson - Kansas City Blues (1927)



Charley Patton - Going To Move To Alabama (1929)



Hank Williams - Move it on Over (1947)



Bill Haley & His Comets - Rock Around The Clock (1955)



b) Roll’em Pete

“Roll ‘Em Pete” foi gravada por Big Joe Turner em 1938 e foi considerada um dos precursores mais importantes do estilo Rock and Roll. Turner mais tarde regravaria outras versões, em colaboração com vários músicos, principalmente nos anos 50 quando se tornou um músico famoso no Rock and Roll:


Big Joe Turner - Roll 'Em Pete



c) Sing Sing Sing (With A Swing)

O solo de bateria de Gene Krupa na música “Sing Sing Sing (With A Swing)” de 1937 foi considerado um precursor da batida do Rock n’ Roll. O instrumental teve a participação da orquestra de Benny Goodman e foi um sucesso nos anos 30. Krupa foi considerado um dos mais influentes bateristas de todos os tempos e participou de colaborações em várias gravações:


Benny Goodman Orchestra - Sing, Sing, Sing (1937)



Krupa foi um famoso baterista nos anos 30.

d) Guitar Boogie

O instrumental “Guitar Boogie” foi gravado pelo músico Arthur Smith em 1945, apesar de ter feito sucesso em 1948. Além da popularidade nos anos 40, “Guitar Boogie” inspirou adaptações de várias bandas de Rock instrumental nos anos 50, 60 e 70. Grupos e músicos que regravaram o tema incluem: The Virtues em 1959, Bert Weedon no mesmo ano, Peter Posa em 1962 e The Ventures em 1972. A versão de 1948 vendeu 3 milhões de cópias, Smith foi apelidado de “Guitar Boogie” e o tema foi o maior sucesso do músico.


Arthur Smith - Guitar Boogie (1945)



Arthur “Guitar Boogie” Smith
Vários temas de Smith fizeram sucesso na década de 40 e 50.

O tema foi inspirado pelas músicas “Pinetop’s Boogie Woogie” de Pinetop Smith de 1928 e “Boogie Woogie” de Tommy Dorsey e sua orquestra, uma composição de 1938.




Até o próximo encontro!