domingo, 9 de agosto de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 7 Parte D


Capítulo 7
A Sociedade nos Anos 50 - Parte D


12. Movimento Beat ajudou a deixar a sociedade mais moderna

O primeiro contato de Claudio Willer com a literatura beat se deu com a leitura de On the road (Na estrada) e The dharma bums (Os vagabundos iluminados). Mas o impacto definitivo ocorreu quando o poeta Roberto Piva lhe entregou uma pilha de obras da literatura beat. 

Claudio Willer

Ficou fascinado pelo espírito de aventura, a maneira audaciosa de misturar literatura e vida, a busca do êxtase e a liberdade de imaginação no ritmo das improvisações do jazz. É autor de Geração beat — Poesia e rebelião (Ed. L&PM Pocket), que será autografado na terça-feira, no Sebinho (406 Norte, comercial). Em seguida, ele fará palestra sobre o tema do livro, mediada por Adeilton Lima, inaugurando o projeto O Sebinho convida: da palavra ao verso. Willer é doutor em letras pela USP e traduziu, entre outras, obras de Lautreamont e Allen Ginsberg. Nesta entrevista para o Pensar, o escritor sustenta que o legado de rebeldia da geração beat permanece vivo na busca de uma literatura libertária, na liberdade sexual e no multiculturalismo.

A literatura beat é uma subliteratura?
Desqualificar a literatura beat é coisa de críticos reacionários, incomodados com aquilo que obras de Kerouac, Ginsberg, Snyder, McClure, di Prima, etc, têm de subversivo. Em especial, On the road, de Jack Kerouac, a narrativa mais influente da segunda metade do século 20, que não só mudou a vida de pessoas (Bob Dylan, por exemplo, saiu de casa após lê-lo), mas teve um sentido coletivo, ao desencadear, com Uivo de Allen Ginsberg, a Geração Beat. 

Uivo de Allen Ginsberg

Foi a obra mais atacada, desde seu lançamento em 1957, até hoje. Recentemente, por exemplo, em uma aula aberta de Yale, uma professora importante declarou serem Cassady e Kerouac estereótipos de homens “brutos, naturalizados”, que queriam liberar seus desejos sexuais, por meio de uma aventura “vazia e sem sentido”. Inumeráveis críticos ecoam. Diante disso, é preciso resgatar suas qualidades especificamente literárias, a começar, em Kerouac, pela copiosa prosa poética, e sua substância filosófica, que vai muito além da apologia da libertinagem. E ler o restante da obra colossal dele e dos demais beats. Pegue, por exemplo, uma antologia recente, Poesia beat, organizada por Sergio Cohn, publicada pela Azougue: a qualidade salta aos olhos.Continua depois da publicidade

Quem são os precursores reconhecidos ou não da literatura beat? Walt Whitman? Jean-Arthur Rimbaud? Baudelaire? Louis Ferdinand Céline?
E William Blake. Mas ele e outros autores que você cita — Whitman, Rimbaud, Baudelaire — são universais. Influenciaram tudo, a beat e o restante. É forte a influência de românticos — Gregory Corso idolatrava Shelley, fez que o enterrassem em Roma ao lado do túmulo do poeta inglês. E de formalistas: Ezra Pound e dois de seus seguidores, William Carlos Williams, mentor de Ginsberg, e Charles Olson, cultuado por Michael McClure. 

William Blake

E muito mais. Kerouac e amigos faziam leituras em voz alta de Ulisses e Finnegan’s Wake de James Joyce, para captar a prosódia. Viajavam com um volume de Proust, como foi mostrado no filme de Walter Salles, Na estrada.

Há uma leitura talvez rasa segundo a qual os autores da literatura beat eram pouco letrados. Isso procede?
Basta lê-los! O tempo todo, comentam suas leituras. Kerouac, nos diários e em Anjos da desolação: “Histórias de dor! De repente estou escrevendo como Céline”. Etc. Mais importante que os comentários é o intertexto: reescreveram e recriaram o que leram. Em todos eles, constantemente, se observa o diálogo criativo com outros autores.

Parece que Charles Bukovski não gostava de ser ligado à literatura beat. Como avalia as relações dele com o movimento?
Bukovski reconheceu a importância de Ginsberg, e da beat em geral, em Pedaços de um caderno manchado de vinho. Mas, naquela altura, os beats eram celebridades, e Bukowski fazia questão de ser a margem da margem, o rebelde perante a rebelião. Beat, já convertida em beatniks e em contracultura, era algo coletivo demais para ele, individualista radical: “Eu era um movimento de protesto, sozinho”, escreveu. Ademais, religiosidade e misticismo, fortes em Ginsberg, Kerouac ou Snyder, eram algo ausente de seu interesse ou sensibilidade.

Como avalia a importância do jazz para a literatura beat?
Como decisiva. Aos 17 anos, em 1939, Kerouac ia ao Minton’s, ao Harlem, via o bop nascer e entrevistava Dizzy Gillespie para o jornal do curso preparatório que estava fazendo. Caso particular de sua enorme sensibilidade auditiva. Beats sabiam ouvir — incorporaram à sua poesia a riqueza da língua falada, da fala das ruas, da música em geral e do jazz em especial, assim como das expressões orais de culturas arcaicas, cantos tribais e mantras. Ginsberg, em um dado momento, tornou-se um dublê de poeta e músico. 
 
Minton’s – The Harley Jazz Club

A parceria com Bob Dylan não foi circunstancial. Mas seus modos de expressão musical prediletos eram a balada country (gravou discos) e o punk rock (participou de turnês com The Clash de Joe Strummer). McClure apresentou-se com The Band, etc.

Qual a dimensão que teve o poema Uivo para a afirmação da poesia beat?
A geração beat já havia sido divulgada por meio da narrativa Go!, de John Clellon Holmes, de 1952. Mas o poema Uivo, de Ginsberg, lido em 1955, publicado logo a seguir por Ferlinghetti, teve um impacto colossal. Como declarou Kenneth Rexroth: “Quando Allen leu Howl, foi como se o céu caísse sobre nossas cabeças. Um efeito inimaginável. Pois, seguramente, ele dizia tudo o que aquele público desejaria ouvir, e dizia isso na linguagem deles, rompendo radicalmente com o estilo estabelecido.” É um poema messiânico, plataforma de uma rebelião. Anuncia que marginais transformarão o mundo; que “o vagabundo louco e beat angelical no tempo, desconhecido, mas, mesmo assim, deixando aqui o que houver para ser dito no tempo após a morte” iria “recriar a sintaxe e a medida da pobre prosa humana”. O impacto ampliou-se com a tentativa de censura, o processo contra a circulação do livro, impulsionando suas vendas para centenas de milhares de exemplares e, logo, para milhões.

Quem são os representantes da literatura beat no Brasil?
Talvez a enumeração seja demasiado extensa. Há muitos. Nenhum, porém, como destaco em meu livro Geração Beat, equivalente ao poeta Roberto Piva. Mundialmente, ninguém fez uma loucura equivalente à que ele cometeu: em Paranoia, de 1963, apropriou-se de trechos de Ginsberg e Corso, reescreveu-os de modo pessoal, criativo, surreal. 
 
Roberto Piva

Adicionou. E fez o mesmo, também com McClure, Snyder, Burroughs, Kerouac e outros, em seus livros subseqüentes. Amigos de Piva constituíram-se em confraria fascinada pela beat: Roberto Bicelli, Raul Fiker, Maninha Cavalcante, Toninho Mendes, eu e outros, conforme bem documentado no recente livro Os dentes da memória: Piva, Willer, Bicelli e uma trajetória paulista da poesia, de Renata D’Elia e Camila Hungria (editora Azougue). Citaria outros: Antonio Bivar, Eduardo Bueno, Luís Carlos Maciel, etc. Destaco, por volta de 1995, Sergio Cohn e amigos, ao criarem a Azougue, porem-se a traduzir e publicar autores beat. Cohn faz isso até hoje, e há marcas da poesia beat em sua criação. Dos novos, o bom poeta carioca Augusto de Guimarães Cavalcanti. Ademir Assunção apresenta-se como leitor da beat. Claro que o inventário seria extenso, haveria muito mais a ser citado — quem sabe, o impacto maior tenha sido social, refletindo-se na vida, no comportamento.

Qual a impacto da literatura beat no Brasil? Ela formou escritores à altura da matriz? Qual o principal legado da literatura beat?
Já relatei o caso de Roberto Piva — foi o melhor. No geral, a qualidade de contemporâneos brasileiros é um assunto que prefiro discutir daqui a uns 50 anos — na devida perspectiva...

Quais as conexões e as diferenças que estabelece entre a poesia beat e a Poesia Marginal?
Chacal, poeta da Poesia Marginal e do grupo Nuvem Cigana, comentou recentemente — após minha palestra sobre beat e Ginsberg na Livraria Travessa, no Rio — que os beats eram algo forte, influente para eles, mas que tinham pouco acesso às obras. No meu Geração beat, observo a enorme influência da contracultura, por sua vez decorrente da beat, na tropicália e outros movimentos, mas esse já é um ciclo ou etapa seguinte.

Essa dimensão de contestação radical colocada pela literatura beat se perdeu? A literatura ficou muito bem-comportada na pós-modernidade?
Não, de jeito nenhum. Muito da contribuição da beat e da contracultura incorporou-se às sociedades mais modernas, tornando-as mais abertas. Principalmente, o recuo da censura (que, contudo, a toda hora tenta voltar). Você nem imagina como era por volta de 1960. Assuntos que hoje são tema de um debate amplo — vida sexual, respeito à diversidade, valorização do multiculturalismo, defesa do meio ambiente — naquela época eram minoritários, vistos como excentricidade — inclusive nos setores à esquerda, que se apresentavam como progressistas. Quanto ao crescimento atual de um neoconservadorismo, acredito que refluirá, que se esgotará por seu vazio de propostas.

O senhor já realizou várias performances em Brasília. Qual a visão que tem da cidade?
Estive em Brasília uma quantidade de vezes, perdi a conta de quantas. As primeiras, na década de 1960 com a cidade ainda em construção. Em duas das ocasiões, escrevi poemas. Espero que isso volte a acontecer. Já me apresentei aqui como poeta, mas esta, desta vez, vai ser a apresentação mais importante.


Fonte 
Ensaio feito pelo poeta, ensaísta e tradutor Claudio Willer
postado em 29/09/2012
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2012/09/29/interna_diversao_arte,325137/movimento-beat-ajudou-a-deixar-a-sociedade-mais-moderna-diz-claudio-willer.shtml


13. O Movimento Beat

O termo Beat é de origem controversa. Jack Kerouac defendia que o termo fosse uma abreviação de beatitude. Allen Ginsberg nominava seus devassos e esquisitos amigos de farras e poesias, como beatificados – “mendigos santos sofredores e fodidos”. Outras fontes alegam que essa denominação estava relacionada à influência do jazz por sua batida, ritmo e improviso, mas também como parte de um novo arsenal de gírias da época, associado a um fenômeno da mídia devido ao primeiro satélite lançado ao espaço, o russo Sputnik. Por causa dos comportamentos nada ortodoxos desse grupo um crítico do jornal San Franciso Chronicle, em 2 de abril de 1958, chamou-os de forma depreciativa, por “Beatniks”, fundindo o nome do satélite (símbolo de novidade e velocidade) às suas aparências desleixadas, suas ousadias em ouvirem música negra e por espalharem uma literatura direta e espontânea, que ignorava as regras da academia.
 
Imagem do filme On the Road de Walter Salles em 2012

O Movimento Beat irá absorver o “fluir” do Surrealismo onde o inconsciente se torna matéria de criação de arte num emaranhado de escapes com fortes doses de uma anarquia intuitiva, em total negação às hierarquias sociais e posturas irreverentes nunca vistas antes por grupos jovens. A aparência caótica de seus comportamentos imporá um debate entre as famílias tradicionais estadunidenses, cujos problemas de rebeldia ligados a uma determinada faixa etária da sociedade organizada do Ocidente são identificados. Começa a surgir a “juventude transviada”.
Os beatniks buscarão essa índole anárquica de criar e produzir, propondo a extinção da censura sobre vivências e sensações, isto é, sem as noções maniqueístas de bem e mal, de santo e pecaminoso da sociedade naquele tempo. A liberalidade sobre a subjetividade surge num momento em que o peso da existência de uma sociedade massificada e moralista, aparece como subproduto da industrialização que começa a se impor no cotidiano social do pós-guerra. Freud, figura que vinha se tornando mais e mais conhecida desde o Surrealismo no final dos anos 1920, torna-se imperiosa com o existencialismo de Sartre, jogando lenha na fogueira dos experimentos vivenciais. Contra a máxima sartreana de que “o inferno é o Outro” os Beats escolhem as estradas como via para seus próprios Paraísos longe das cidades superpovoadas da Costa Leste. O Movimento Beat torna-se nômade, festeiro, drogado e imerso na poesia transgressiva de uma geração que se opõe à sociedade puritana subserviente às leis do mercado e ao deslumbramento das tecnologias que escravizam e massificam.
 
A longa estrada 66 (Route 66) que atravessa os EUA de Leste para o Oeste
marcou a Geração Beat, levando-os de N. York para S. Francisco

Com a Geração Beat as condições repressivas da sociedade do pós-guerra, começam a ser pulverizadas pela força da indústria cinematográfica com filmes de extrema violência existencial como o Vidas Amargas (East of Eden, de 1955), que foi um escândalo, visto como uma delação dos silêncios impostos por uma estrutura familiar e social repressora, acovardada e violenta. A este filme, seguiu-se Juventude Transviada (Rebel without a Cause, do mesmo ano de 1955) que levantou mais polêmica, mas sempre abafada pela própria indústria do cinema, jogando com o glamur do ator James Dean (jovem e lindo) na tentativa de relativizar impactos sobre conceitos morais de uma sociedade que, até então, esforçava-se para se manter casta e vigorosa como padrão social. Mas a cortina do moralismo já estava rota.
A polêmica evidenciava questões perigosas em um momento delicado da Guerra Fria, quando o macarthismo, em plena cruzada contra o comunismo, perseguia adversários e críticos dessa sociedade, que via sua herança puritana, cristã e castradora, tornar-se monstruosa ao invés de virtuosa como sempre acreditou ser, através do american way of life que, neste momento, é posto em cheque.

 

Além do cinema, o movimento Beat impactaria a cultura ocidental pela qualidade literária, principalmente de três de seus mais famosos representantes: Jack Kerouac, Allen Ginsberg e William Burroughs, entre outros. Esse movimento, em si mesmo, já era um emaranhado de influências, com ingredientes explosivos que incluíam a rejeição ao modus vivendi da classe média estadunidense e seus objetivos de consumo, a imposição de uma higiene pessoal e aparência apolíneas, duplicadas nas relações interpessoais formais, hierarquizadas e competitivas, e várias outras.
Essa busca de aventuras por deslocamentos geográficos e inquietações nos subterrâneos da consciência e do corpo, percorriam caminhos freudianamente perigosos, repletos de porões e sótãos de si mesmos. Nessas viagens, além de seus carrões baratos pela explosão da indústria automobilística dos anos ’50 e ‘60, também mergulhavam em outras vertigens levados pelo álcool, as drogas, a música inebriante e a ‘escrita automática’ aprendida do Surrealismo, produzindo golfadas de imagens instantâneas com passagens ao desconhecido íntimo, talvez até, seus próprios monstros.
Uma das marcas mais impressionantes das experiências desse grupo foi denominada por Kerouac de “prosódia bop”, significando uma linguagem rápida, com versos longos, misturas espontâneas, saltos de ideias livres como os compassos do free jazz não domesticado, impaciente e marginal. Nessa mesma ‘vibe’ alguns nomes do jazz do período ficarão associados aos road-poets como Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thellonious Monk, mas também o experimentalismo nas artes plásticas, que buscava se perder sem domínio, como a pintura gestual de Jackson Pollock jogando o corpo, o suor, as raivas e erotismos em golpes de pincéis em febre, produzindo todos juntos e fragmentados os “anais” da Beat Generation. Estudioso dessa perturbação artística do pós-guerra Claudio Willer comenta as ousadias que marcaram as artes e as letras, concordando com Ginsberg na imagem da ‘iogas da palavras’ onde o fruir dos sons, imagens e ritmos das palavras, prescindiam da velha e mofada coesão de sentidos. Entender? Não com a razão.

 Alen Ginsberg lendo Howl (Uivo) em Berkeley, San Francisco, em 1959

Apesar da fama de vagabundos, afinal fizeram-se nômades grande parte de suas vidas, tinham em sua maioria, formação universitária ligada às letras, e todos eles, ou quase todos, viveram de vender seus textos às editoras e jornais, mesmo quando em trânsito pelas estradas do país, via correios. Pode não ser tão romântico conhecer essa realidade dos Beats, mas poupou seus integrantes da pobreza absoluta, garantindo o nomadismo. De qualquer modo, fosse pelo marketing da indústria cinematográfica, por um inconsciente coletivo que já se indispunha aos padrões rígidos das sociedades cristãs do Ocidente, ou pela alta qualidade da produção literária da maioria de seus integrantes, suas ideias escaparam do país, espalhando-se por outros Continentes.
Herdeiros desse movimento no Brasil, grandes poetas vivos ou idos são Claudio Willer, Roberto Piva, Rodrigo de Haro, Antonio Fernando de Franceschi, Roberto Biccelli e outros. Roberto Piva, em especial, mergulhado num surrealismo revisitado pela iconoclastia beat, atravessa a louca São Paulo já dos anos sessenta aos noventa (século XX) numa loucura de experiências fragmentadas por um moralismo que não consegue sequestrar seus pecados e desandanças.

Bicho-Preguiça

Flores calvas
calmas
colunas de fumaça
dançando
na Lua nua
seus beijos dançam
em minha boca vermelha
estrelas azuis folhas calcinadas
o parque é um sonho vegetal & seus olhos zumbem
vocês atravessam a ponte do delírio
Bem-te-vi bebendo o orvalho
na palmeira
correrias de crianças criando o caos
colorido
o parque espreguiça
onde você estiver esta tarde de janeiro 77
gostaria de receber seu coração por Via Aérea
com todas as pérolas do amor com mãos dadas
percorrendo as ruas à procura do Rumo
andaimes partidos na alma amassada na
mesma hora hora
tudo feito sob medida de um terremoto …
(Coxas (1979)

“Ginsberg tinha razão ao falar em ‘ioga da palavra’ referindo-se a essa fruição das palavras como ritmo e sonoridade, desligadas de seu sentido imediato” citando Claudio Willer e seus estudos.
Também Burroughs experimentava, com suas colagens de palavras, cujo procedimento consta de recortar e dobrar, ou seja: cut up e fold in, usurpadas do Dadaísmo. Burroughs escreveu o Almoço nu, entre outras obras, com essa técnica. Em um poema Allen Ginsberg comenta assombrado, essa maneira surrealista de Burroughs criar.
 
On Burrough’s Work

The method must be purest meat
And no symbolic dressing,
Actual visions and actual prisons
As seen then and now
Prisons and visions presented
With rare descriptions
Corresponding exactly to those
Of Alcatraz and Rose
A naked lunch is natural to us,
We eat reality sandwiches.
But allegories are so much lettuce
Don’t hide the madness
(San Jose, 1954)


Sobre a obra de Burroughs

O método deve ser a mais pura carne
e nada de molho  simbólico,
verdadeiras visões & verdadeiras prisões
assim como vistas vez por outra
Prisões e visões mostradas
com raros relatos crus
correspondendo exatamente àqueles
de Alcatraz e Rose
Um lanche nu nos é natural,
comemos sanduíches de realidade
Porém alegorias não passam de alface.
Não escondam a loucura.

Esse fluxo da palavra tem mesmo a intenção de deixar surgir como num improviso de jazz, um jorro rítmico, acelerado, às vezes construído em frente aos olhos como um ente mítico, chamado “Poema”.


14. Geração Beat abriu a porta para o começo da Revolução Sexual
 
A chamada Beat Generation constitui-se na vida, na obra e também na lenda de alguns escritores americanos da década de 1950. Acordaram do pesadelo da Segunda Guerra Mundial com a sombra de um cogumelo atômico sobre suas cabeças e produziram livros de poesia e prosa com uma marca muito própria. Eram, essencialmente, contestadores do sistema americano, aquele que ficou conhecido como American Way of Life e que os EUA exportam para todo o planeta.
Esses poetas achavam que tudo estava muito devagar, daí o nome Beat, ritmo, embalo, ligação, e também bater, e beatificar. Esses artistas da palavra estavam descobrindo a cultura negra, a riqueza do jazz, a sensualidade, e a festa, é claro. A festa dos cabarés ao som do sopro do jazz… Foi um movimento de celebração da vida e da liberdade. Afinal, o mundo poderia acabar por qualquer razão idiota que a guerra fria decidisse encontrar.
O grupo inicial tinha na figura de Jack Kerouac sua principal expressão. Jack criou o termo Geração Beat, sacramentado quando o New York Times o publicou. Kerouac escreveu um livro chamado On The Road, algo como Na Estrada. Até hoje os Road Movies, esses filmes em que os protagonistas viajam de carro pelo deserto americano, repetem essa fórmula de sucesso.
Mas Jack não chegou a ser aceito pelo sistema americano. Como todo artista de vanguarda, sofreu rejeição por sua ousadia. Junto com ele vieram poetas com Allen Ginsberg, romancistas como William Burroughs, filósofos com Herbert Marcuse e cientistas como Thimoty Leary, que distribuía LSD no campus da universidade.
A Geração Beat foi uma das principais vertentes que deram origem ao Movimento Hippie, que por sua vez mudou radicalmente o Ocidente. Se a revolução comunista caiu junto com o muro de Berlim, em 1989, os hippies ou seus descendentes podem afirmar que foram vitoriosos, isso porque foi um movimento estético antes de tudo, e o mundo incorporou essa estética. O cinema, a moda, a música, sobretudo, absorveram esse legado vorazmente.
Quando Elvis Presley rebolava as ancas sensualmente, e a TV da época só era permitida a mostrá-lo da cintura para cima, era sinal de que a revolução sexual estava começando. Os beats abriram essa porta e a geração seguinte fez muito sexo ao som de Jimi Hendrix ou com a voz rouca de Janis Joplin ao fundo.

Fonte 
Regina Navarro Lins
https://reginanavarro.blogosfera.uol.com.br/2018/01/25/geracao-beat-abriu-a-porta-para-o-comeco-da-revolucao-sexual/


15. Imagens, Músicas e Filmes da Década Beatnik

The Beat Generation



What Greenwich Village Beatniks Were Like



20 Vintage Photos of the Beat Generation



I Feel Like Saying A Beatnik Poem 1950's B Movie Style



1950's Beatnik Wedding Music?



Beat Generation - Kerouac & Ginsberg - New York 1959



Greenwich Village Suring The Beatnik Era 1961



John Brent’s Bible Land 1961Greenwich Village Story



16. Imagens, Músicas e Filmes da Década de 50


Os Melhores Filmes por Ano - Anos 50



Top 10 Movies of the 1950s



1950s Commercials and Vintage Commercials



50 Incredible Vintage Photos of Life in America during the 1950s Volume 1



50 Incredible Vintage Photos of Life in America during the 1950s Volume 2



50 Incredible Vintage Photos of Life in America during the 1950s Volume 3



Car Lots and Assembly lines of the 50s



Hollywood Blvd 1957



Mid Century Home Life - The 50s



Top Best Rock and Roll Classic (50s) Video and Dance Moves



Top 50 Greatest Hits of the '50s



Top 10 Decade Defining Actors: 1950s



Los Angeles in the 50s



Spectacular New York, 1956



This Is London Reel 1 (1950)



London Girls (1954)



London Traffic (1952)



This Is London Part 1 (1950-1959)



This Is London Part 2 (1950-1959)



Driving Through Old London (1950's)



Look at Life - Down London River, 1959




Marilyn Monroe - Forever Young



The Greatest Films of Marilyn Monroe



Top 10 Grace Kelly Fashion Moments in Movies





Até o próximo encontro!


domingo, 2 de agosto de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 7 Parte C

Capítulo 7
A Sociedade nos Anos 50 – Parte C


10. Os 20 Riffs dos Anos 50 que mudaram a história da música

De Bo Diddley a Chuck Berry, artistas dos anos 50 ajudaram
a conceber os primeiros grandes riffs da música
Por Felipe Ernani

Poucas coisas dizem mais sobre a música de uma determinada época do que os famigerados riffs.
Os fraseados que ditam o ritmo, tom, e muitas vezes até a melodia de canções que dominam as paradas ficam marcados por anos e anos e são eles que tornam aquelas músicas instantaneamente reconhecíveis, mesmo se ela não tiver um refrão tão grudento.
Vale lembrar, aliás, que pela definição do New Harvard Dictionary of Music um riff é uma “progressão de acordes ou refrão repetida na música”, de forma que pode ser “um padrão, ou melodia […] que formam a base ou acompanhamento da composição musical”.
É claro, portanto, que o próprio conceito em si foi variando muito ao longo dos anos e lá nos primórdios era muito mais difícil que tivemos os riffs como os conhecemos hoje, bem definidos e geralmente mais escancarados ao ouvinte geral.
É esse o objetivo dessa próxima série de listas que montaremos aqui: promover um passeio pela história da música por meio dos riffs, celebrando desde os anos 1950 onde eles eram pouco comuns até os anos 2010, e sem se limitar a um único estilo ou instrumento.
Hoje, então, começamos com a década de 1950 e você pode conferir a nossa seleção logo abaixo (em ordem cronológica).

a) Bill Haley and His Comets – Rock Around the Clock (1954)
Se o Rock and Roll chegou aos ouvidos de boa parte dos EUA e depois do mundo, muito se deve a Bill Halley and His Comets. Além de um solo icônico, a linha de guitarra que comanda “Rock Around the Clock” pode não ser excepcionalmente marcante mas ditou o que seria o gênero por anos.




b) Little Richard – Tutti Frutti (1955)
Quem disse que riff tem que ser sempre na guitarra? O lendário e saudoso Little Richard usou seu piano para criar um dos maiores hinos do Rock and Roll e, acompanhado de uma guitarra, deixou marcado o riff de “Tutti Frutti” como um clássico.




c) Muddy Waters – Mannish Boy (1955)
Ainda que o icônico riff da canção seja de autoria de Bo Diddley (em “I’m a Man”), foi a versão de Muddy Waters que obteve maior sucesso graças à sua guitarra mais pesada. A música, aliás, chegou até mesmo a ser sampleada na faixa “Bluesman”, do brasileiro Baco Exu do Blues, lançada em 2018!




d) Carl Perkins – Blue Suede Shoes (1956)
Carl Perkins lançou ao mesmo tempo duas das grandes canções de 1956 com o single que teve “Blue Suede Shoes” como lado A e “Honey Don’t” como lado B. A primeira foi regravada por Elvis Presley e a segunda pelos Beatles; tá bom ou quer mais?




e) Elvis Presley – Hound Dog (1956)
Apesar da música original ser de Big Mama Thornton e sem dúvidas os créditos da incrível linha vocal irem para ela, foi na versão de Elvis que “Hound Dog” ganhou um dos riffs mais inesquecíveis dos anos 50 — e um solo sensacional também.




f) Johnny Cash – I Walk the Line (1956)
Literalmente basta ouvir uma nota de “I Walk the Line” para saber que se trata de um dos maiores sucessos da carreira de Johnny Cash. É uma pena não termos mais esse ídolo entre nós, mas certamente seu legado se expandiu bem além da icônica canção — que ainda permanece como um clássico.




g) Johnny Burnette and the Rock and Roll Trio – The Train Kept A-Rollin (1956)
Originalmente gravada em 1951 por Tiny Bradshaw, a icônica “Train Kept A-Rollin'” sobreviveu ao teste do tempo muito graças à versão de Johnny Burnette em 1956 que a transformou em um clássico da guitarra. Tanto é que foi regravada “apenas” por nomes como Yardbirds, Led Zeppelin (só ao vivo) e Aerosmith.




h) Bo Diddley – Who Do You Love (1956)
“Who Do You Love” pode não ser a canção mais famosa de Bo Diddley, mas a lenda da guitarra certamente deixou um de seus legados mais sensacionais da guitarra nessa gravação. Não é exagero dizer que grande parte dos riffs de rockabilly que existem até hoje só estão aí graças a ela!




i) The Everly Brothers – Bye Bye Love (1957)
“Bye Bye Love” traz uma mistura incrível de Country e Rock que encantou até mesmo o próprio George Harrison, fazendo com que o ex-Beatle regravasse a faixa lá em 1974.




j) Betinho & seu Conjunto – Enrolando o Rock (1957)
Pioneiros na chegada do Rock and Roll ao Brasil, Betinho & seu Conjunto abriu caminho para uma abordagem mais abrasileirada do gênero tão popular na América do Norte e “Enrolando o Rock” foi uma das grandes responsáveis por isso.




k) Dale Hawkins – Susie Q (1957)
“Susie Q” é provavelmente o mais próximo que tivemos do que hoje conhecemos como um riff lá nos anos 50, com suas repetições constantes ditando o ritmo da canção como um todo. Lá em 1968, ela ganhou uma versão pelo Creedence Clearwater Revival que se tornou ainda mais famosa que a original.



l) Buddy Holly – “Words of Love” (1957)
A lendária carreira de Buddy Holly fez com que “Words of Love” não fosse um de seus maiores hits, mas vale destacar o pioneirismo do cara na canção que ele gravou em diversas fitas e harmonizou consigo mesmo. Ao vivo, ela também soava excelente — e foi regravada pelos Beatles anos depois, em uma versão mais rápida.




m) Jerry Lee Lewis – “Great Balls of Fire” (1957)
A mistura de guitarra e piano volta a atacar no riff de “Great Balls of Fire”, até hoje um dos grandes hinos do Rock and Roll. Mesmo em meio a tantas polêmicas envolvendo Jerry Lee Lewis, é inegável o legado desta (e outras) de suas canções para o gênero.




n) Chuck Berry – “Johnny B. Goode” (1958)
“Johnny B. Goode” é a “personificação” do Rock and Roll, e é claro que o lick do começo somado ao riff que comanda a música são os grandes atrativos que se somam à voz de Chuck Berry para criar um dos maiores sucessos da história.




o) Bobby Darin – “Splish Splash” (1958)
Sim, é muito mais provável que você já complete a frase “Splish splah” com “fez o beijo que eu dei”, graças à versão de Roberto Carlos. Mas o fato é que Bobby Darin é o autor original da canção, que também foi regravada por Sandy & Júnior por aqui e é sem dúvida um clássico do Rock cinquentista.




p) Eddie Cochran – “Summertime Blues” (1958)
Eddie Cochran só não tem um status tão lendário quanto merece pois morreu cedo demais, mas mesmo em seus 21 anos de idade ele conseguiu deixar um legado impressionante que é comandado pela inesquecível “Summertime Blues”.




q) Ritchie Valens – “La Bamba” (1958)
“La Bamba” tem uma história complicada e fala-se até em uma possível gravação da música em 1908, ainda que a primeira efetivamente comprovada seja de El Jarocho em 1939. No entanto, foi Ritchie Valens quem levou o impressionante riff à fama e, apesar de sua morte precoce, seu legado foi muito bem preservado com a regravação dos Los Lobos anos depois.




r) Bert Weedon – “Guitar Boogie Shuffle” (1959)
A instrumental “Guitar Boogie Shuffle” é uma verdadeira obra de arte deixada por Bert Weedon, que declaradamente inspirou nomes como Eric Clapton, Paul McCartney e Brian May. Só isso mesmo…




s) Celly Campello – “Estúpido Cupido” (1959)
Talvez o primeiro sucesso estarrecedor do Rock no Brasil, “Estúpido Cupido” deixou sua marca na voz de Celly Campello e abriu a porta para o que trariam os anos 60 com tantos outros nomes surgindo no gênero — muito disso graças ao marcante riff de guitarra.




t) James Brown and the Famous Flames – “Good Good Lovin'” (1959)
Lançado pouco antes da virada da década, o single de “Good Good Lovin'” vê o lendário James Brown ainda fazendo a sua transição entre o Rock, o Rhythm and Blues e o Soul que viria a se transformar no Funk que o consagrou.




11. A Geração Beatnik

a) Introdução
The Beat Generation foi um movimento literário iniciado por um grupo de autores cujo trabalho explorou e influenciou a cultura e a política americanas no período pós-guerra. A maior parte de seu trabalho foi publicada e popularizada ao longo dos anos 50. Os elementos centrais da cultura Beat são a rejeição dos valores narrativos padrão, a busca espiritual, a exploração das religiões americanas e orientais, a rejeição do materialismo econômico, retratos explícitos da condição humana, experimentação com drogas psicodélicas e liberação e exploração sexual.
  
Allen Ginsberg


Allen Ginsberg 's Howl (1956), William S. Burroughs ' Naked Lunch (1959), e Jack Kerouac 's On the Road (1957) estão entre os melhores exemplos conhecidos da literatura Beat. Ambos Howl e Nu almoço foram o foco de obscenidade ensaios que finalmente ajudaram a liberalizar a publicação nos Estados Unidos. Os membros da Beat Generation desenvolveram a reputação de novos hedonistas boêmios, que comemoravam a não conformidade e a criatividade espontânea.

William S. Burroughs

O grupo principal de autores da Beat Generation - Herbert Huncke, Ginsberg, Burroughs, Lucien Carr e Kerouac - se reuniu em 1944, dentro e ao redor do campus da Universidade de Columbia, em Nova York. Mais tarde, em meados da década de 1950, as figuras centrais, com exceção de Burroughs e Carr, terminaram juntas em São Francisco, onde conheceram e se tornaram amigas de figuras associadas ao Renascimento de São Francisco.
Na década de 1960, elementos do movimento Beat em expansão foram incorporados aos movimentos hippie e contracultura maior. Neal Cassady, como motorista do ônibus de Ken Kesey, Furthur, foi a principal ponte entre essas duas gerações. O trabalho de Ginsberg também se tornou um elemento integrante da cultura hippie do início dos anos 1960.

Jack Kerouac

b) Origem do nome
Kerouac introduziu a frase "Beat Generation" em 1948 para caracterizar um movimento juvenil subterrâneo e anticonformista em Nova York. O nome surgiu em uma conversa com o escritor John Clellon Holmes. Kerouac admite que foi Huncke, um traficante de rua, que originalmente usou a frase "beat", em uma discussão anterior com ele.
  
Herbert Huncle

O adjetivo "beat" pode coloquialmente significar "cansado" ou "derrotado" na comunidade afro-americana do período e se desenvolveu a partir da imagem de "bater em suas meias", mas Kerouac apropriou-se da imagem e alterou o significado para incluir as conotações "otimista", "beatífica" e a associação musical de ser "na batida", e "a batida para manter" o Poema Beat Generation.

c) Lugares Significativos

c.1. Universidade de Columbia
As origens da geração Beat podem ser encontradas na Universidade de Columbia e na reunião de Kerouac, Ginsberg, Carr, Hal Chase e outros. Kerouac frequentou a Columbia com uma bolsa de futebol. Embora as batidas sejam geralmente consideradas antiacadêmicas, muitas de suas ideias foram formadas em resposta a professores como Lionel Trilling e Mark Van Doren. 

Coulmbia Forum

Os colegas Carr e Ginsberg discutiram a necessidade de uma "Nova Visão" (um termo emprestado de WB Yeats), para neutralizar o que eles consideravam os ideais literários formalistas e conservadores de seus professores.

c.2. Times Square "underworld"
Burroughs tinha interesse em comportamento criminoso e se envolveu no tráfico de mercadorias e narcóticos roubados. Ele logo ficou viciado em opiáceos. O guia de Burroughs para o submundo do crime (centrado principalmente na Times Square de Nova York) foi Huncke, um pequeno criminoso e viciado em drogas. Os Beats foram atraídos por Huncke, que mais tarde começou a escrever, convencido de que possuía um conhecimento mundano vital, inacessível a eles, devido à sua formação em grande parte da classe média.

Times Square Underground

Ginsberg foi preso em 1949. A polícia tentou parar Ginsberg enquanto ele dirigia com Huncke, seu carro cheio de itens roubados que Huncke planejava vender. Ginsberg bateu o carro enquanto tentava fugir e escapou a pé, mas deixou para trás cadernos incriminadores. Ele teve a opção de alegar insanidade para evitar a prisão e ficou internado por 90 dias no Hospital Bellevue, onde conheceu Carl Solomon.
Solomon era sem dúvida mais excêntrico que psicótico. Fã de Antonin Artaud, ele se entregou a um comportamento "louco", como jogar salada de batata em um professor universitário de dadaísmo. Salomão recebeu tratamentos de choque em Bellevue; esse se tornou um dos principais temas do "Howl" de Ginsberg, dedicado a Solomon. Mais tarde, Solomon se tornou o contato editorial que concordou em publicar o primeiro romance de Burroughs, Junkie , em 1953.

c.3. Greenwich Village
Os escritores e artistas de beat lotaram o Greenwich Village, em Nova York, no final dos anos 50, por causa da baixa renda e do elemento "cidade pequena" da cena. Canções folclóricas, leituras e discussões aconteciam frequentemente no Washington Square Park. Allen Ginsberg era uma grande parte da cena no Village, assim como Burroughs, que morava na 69 Bedford Street. 

Greenwich Village - Washington Square Park

Burroughs, Ginsberg, Kerouac e outros poetas frequentavam muitos bares da região, incluindo o San Remo Cafe na 93 MacDougal Street, na esquina noroeste de Bleecker, Chumley's e Minetta Tavern. Jackson Pollock, Willem de Kooning, Franz Kline e outros expressionistas abstratos também foram visitantes frequentes e colaboradores dos Beats. Críticos culturais escreveram sobre a transição da cultura Beat no Village para a cultura hippie boêmia da década de 1960. 

Gore Vidal e Allen Ginsberg em frente ao San Remo Café 

Em 1960, um ano de eleições presidenciais, os Beats formaram um partido político, o "Beat Party", e realizaram uma convenção de nomeação falsa para anunciar um candidato à presidência: o poeta de rua afro-americano Big Brown, que conquistou a maioria dos votos na primeira votação, mas ficou aquém da indicação final. A Associated Press informou: "A liderança de Big Brown assustou a convenção. Big, como o negro rouco é chamado por seus amigos, não era o filho favorito de nenhuma delegação, mas ele tinha uma tática que aparentemente lhe valeu votos, uma convenção de conversas, apenas uma vez ele falou longamente, e isso foi para ler sua poesia".

c.4. San Francisco e a The Six Gallery reading
Ginsberg visitou Neal e Carolyn Cassady em San Jose, Califórnia em 1954 e se mudou para São Francisco em agosto. Ele se apaixonou por Peter Orlovsky no final de 1954 e começou a escrever Howl. Lawrence Ferlinghetti, da nova livraria City Lights, começou a publicar a série City Poets Pocket Poets em 1955. 

City Light Booksellers

O apartamento de Kenneth Rexroth se tornou um salão literário de sexta-feira à noite (o mentor de Ginsberg, William Carlos Williams, um velho amigo de Rexroth, havia lhe dado uma carta introdutória). Quando perguntado por Wally Hedrick para organizar a leitura da Six Gallery, Ginsberg queria que Rexroth servisse como mestre de cerimônias, em certo sentido para unir gerações.
Philip Lamantia, Michael McClure, Philip Whalen, Ginsberg e Gary Snyder leram em 7 de outubro de 1955, diante de 100 pessoas (incluindo Kerouac, da Cidade do México). Lamantia leu poemas de seu falecido amigo John Hoffman. Em sua primeira leitura pública, Ginsberg apresentou a primeira parte de Howl, que acabara de terminar. Foi um sucesso e a noite levou a muito mais leituras dos agora famosos poetas da Six Gallery.
Foi também um marco do início do movimento Beat, desde a publicação de Howl (City Lights Pocket Poets, nº 4), em 1956, e seu julgamento por obscenidade, em 1957, chamou a atenção de todo o país. 

The Six Gallery

A leitura da Six Gallery informa o segundo capítulo do romance de Kerouac de 1958, The Dharma Bums , cujo principal protagonista é "Japhy Ryder", um personagem que na verdade é baseado em Gary Snyder. Kerouac ficou impressionado com Snyder e eles ficaram próximos por vários anos. Na primavera de 1955, eles moravam juntos na cabana de Snyder em Mill Valley, Califórnia. A maioria dos Beats eram urbanos e consideraram Snyder quase exótico, com sua formação rural e experiência no deserto, bem como sua educação em antropologia cultural e línguas orientais. Lawrence Ferlinghetti o chamou de "o Thoreau da geração Beat".
Conforme documentado na conclusão do The Dharma Bums, Snyder mudou-se para o Japão em 1955, em grande parte, a fim de praticar e estudar intensamente o budismo zen. Ele passaria a maior parte dos próximos 10 anos lá. O budismo é um dos assuntos principais de The Dharma Bums, e o livro, sem dúvida, ajudou a popularizar o budismo no Ocidente e continua sendo um dos livros mais lidos de Kerouac.

c.5. Pacific Northwest
Os Beats também passaram algum tempo no noroeste do Pacífico Norte, incluindo Washington e Oregon. Kerouac escreveu sobre estadias no North Cascades, em Washington, no The Dharma Bums e On the Road.
O Reed College, em Portland, Oregon, também foi local de alguns dos poetas Beat. Gary Snyder estudou antropologia lá, Philip Whalen frequentou Reed e Allen Ginsberg realizou várias leituras no campus por volta de 1955 e 1956. Gary Snyder e Philip Whalen eram alunos da aula de caligrafia de Reed ministrada por Lloyd J. Reynolds.

d) Pessoas significativas no movimento

Burroughs foi apresentado ao grupo por David Kammerer, que estava apaixonado por Carr. Carr fez amizade com Ginsberg e o apresentou a Kammerer e Burroughs. Carr também conhecia a namorada de Kerouac, Edie Parker, através de quem Burroughs conheceu Kerouac em 1944.
Em 13 de agosto de 1944, Carr matou Kammerer com uma faca de escoteiro em Riverside Park, no que ele alegou mais tarde ser autodefesa. Ele esperou um tempo e então despejou o corpo no rio Hudson, mais tarde buscando conselhos de Burroughs, ele lhe sugeriu que se entregasse à polícia. Kerouac o ajudou a descartar a arma.
Carr se entregou na manhã seguinte e depois se declarou culpado de homicídio culposo. Kerouac foi acusado como cúmplice e Burroughs como testemunha material, mas nenhum deles foi processado. Kerouac escreveu sobre esse incidente duas vezes em seus próprios trabalhos: uma vez em seu primeiro romance, The Town and the City, e novamente em um de seu último, Vanity of Duluoz.

d.1. Gary Snyder
O poeta Gary Snyder foi um membro importante do movimento beat e é amplamente considerado um membro do círculo de escritores da Beat Generation. Ele foi um dos poetas que leram na famosa Six Gallery e escreveu sobre um dos romances mais populares de Kerouac, The Dharma Bums. 

Gary Snyder

Alguns críticos argumentam que a conexão de Snyder com os Beats é exagerada e que ele pode ser melhor considerado como um membro do grupo da Costa Oeste, o San Francisco Renaissance, que se desenvolveu de forma independente.

d.2. Neal Cassady
Neal Cassady foi apresentado ao grupo em 1947, inspirando vários autores do Beat. Ele se tornou uma espécie de musa para Ginsberg; eles tiveram um caso romântico, e Ginsberg se tornou o tutor pessoal de redação de Cassady. 

Neal Cassady

As viagens de Kerouac com Cassady no final da década de 1940 se tornaram o foco de seu segundo romance, On the Road. O estilo verbal de Cassady é uma das fontes do rap espontâneo, inspirado no jazz, que mais tarde se associou aos " beatniks ". Cassady impressionou o grupo com o estilo de fluxo livre de suas cartas, e Kerouac os citou como uma influência fundamental em seu estilo de prosa espontânea.

e) As mulheres e os Beats

As mulheres da Beat Generation incluem Edie Parker; Joyce Johnson; Carolyn Cassady; Hettie Jones; Joanne Kyger; Harriet Sohmers Zwerling; Diane DiPrima; e Ruth Weiss, que também fez filmes. Carolyn Cassady escreveu seu próprio relato detalhado sobre a vida com o marido Neal Cassady, que também incluiu detalhes sobre seu caso com Jack Kerouac. 

Edie Parker

Ela o intitulou Off the Road, e foi publicada em 1990. A poeta Elise Cowen tirou a própria vida em 1963. A poeta Anne Waldman foi menos influenciada pelos Beats do que pela virada posterior de Allen Ginsberg ao budismo. 

Elise Cowen

Mais tarde, surgiram poetas que alegaram ser fortemente influenciadas pelos Beats, incluindo Janine Pommy Vega na década de 1960, Patti Smith na década de 1970 e Hedwig Gorski na década de 1980.


f) Afro-Americanos e a Geração Beat

Embora os afro-americanos não estivessem amplamente representados na geração Beat, a presença dos dois escritores negros que esse movimento contribuiu para a progressão do movimento. Enquanto muitos dos Beats discutem brevemente questões de raça e sexualidade, eles falaram de suas próprias perspectivas - a maioria sendo homens brancos. No entanto, mulheres e pessoas de cor acrescentaram um senso de "eu" à discussão desses tópicos; seu trabalho forneceu aos leitores visões pessoais das ocorrências no mundo. Em particular, os escritores afro-americanos do Beat, Robert "Bob" Kaufman e LeRoi Jones (Amiri Baraka), compartilharam através de seus escritos, bem como em seu cotidiano, a busca ativa da mudança sobre a qual escreveram. 

Robert "Bob" Kaufman

Poeta Bob Kaufman retratou experiências em vários lugares, fazendo várias atividades. Após seu tempo nas forças armadas, ele teve problemas com policiais e o sistema de justiça criminal. Como muitos dos Beats, Kaufman também era fã de Jazz e o incorporou ao seu trabalho para descrever relacionamentos com os outros. LeRoi Jones (Amiri Baraka) casou-se com a escritora Beat, Hettie Cohen, que se tornou Hettie Jones, em 1958. 

LeRoy Jones

Eles trabalharam juntos com Diane di Prima, para desenvolver a revista Yūgen. O Sr. e a Sra. Jones corriam no mesmo círculo que a maioria dos Beats (Jack Kerouac, Allen Ginsberg e Gregory Corso). Ou seja, até o assassinato do líder dos direitos humanos,Malcolm X . Durante esse período, LeRoi Jones se ramificou dos outros escritores do Beat, incluindo sua esposa, para encontrar sua identidade entre as comunidades afro-americana e islâmica. A mudança em seu ambiente social, juntamente com o despertar, influenciou seus escritos e provocou o desenvolvimento de muitos de seus trabalhos mais notáveis, como "Somebody Blew Up America", em que ele refletiu sobre os ataques do 11 de setembro e a reação dos Estados Unidos a esse incidente em relação a outras ocorrências na América

g) Cultura e influencias

g.1. Sexualidade
Uma das principais crenças e práticas da geração Beat era o amor livre e a liberação sexual, que se desviavam dos ideais cristãos da cultura americana da época. Alguns escritores de Beat eram abertamente gays ou bissexuais, incluindo dois dos mais proeminentes (Ginsberg e Burroughs). No entanto, o primeiro romance mostra Cassady como francamente promíscuo. Os romances de Kerouac apresentam um caso de amor inter-racial (Os Subterrâneos) e sexo em grupo (The Dharma Bums). As relações entre os homens nos romances de Kerouac são predominantemente homosociais.

g.2. Uso de drogas
Os membros originais da Geração Beat usavam várias drogas diferentes, incluindo álcool, maconha, benzedrina, morfina e, posteriormente, psicodélicas, como peiote, ayahuasca e LSD. Eles costumavam abordar drogas experimentalmente, inicialmente não conhecendo seus efeitos. Seu uso de drogas foi amplamente inspirado pelo interesse intelectual, e muitos escritores de Beat pensaram que suas experiências com drogas aumentavam a criatividade, a percepção ou a produtividade. O uso de drogas foi uma influência fundamental em muitos dos eventos sociais da época que eram pessoais para a geração Beat.

g.3. Romantismo
Gregory Corso considerou o poeta romântico inglês Percy Bysshe Shelley um herói e foi enterrado no pé do túmulo de Shelley no cemitério protestante de Roma. Ginsberg menciona o poema de Shelley, Adonais, no início de seu poema Kaddish , e o cita como uma grande influência na composição de um de seus poemas mais importantes. Michael McClure comparou Howl, de Ginsberg, ao poema inovador de Shelley, Queen Mab.
A principal influência romântica de Ginsberg foi William Blake, e o estudou ao longo de sua vida. Blake foi o assunto da alucinação e revelação auditiva autodefinida de Ginsberg em 1948. O poeta romântico John Keats também foi citado como influência.

g.4. Jazz
Os escritores da geração Beat foram fortemente influenciados por artistas de jazz como Billie Holiday e pelas histórias contadas através da música jazz. Escritores como Jack Kerouac (On the road), Bob Kaufman ("Round About Midnight", "Jazz Chick" e "O-Jazz-O") e Frank O'Hara("The Day Lady Died") incorporou as emoções que eles sentiam em relação ao Jazz. Eles usaram suas peças para discutir sentimentos, pessoas e objetos que eles associam à música jazz, bem como experiências de vida que os lembraram desse estilo de música. As peças de Kaufman listadas acima "pretendiam ser improvisadas livremente quando lidas com acompanhamento de Jazz" (Cartas 327). Ele e outros escritores encontraram inspiração nesse gênero e permitiram que ele ajudasse a alimentar o movimento Beat.

g.5. Fontes americanas antigas
Os Beats foram inspirados por figuras americanas antigas, como Henry David Thoreau , Ralph Waldo Emerson , Herman Melville e especialmente Walt Whitman , que é abordado como o assunto de um dos poemas mais famosos de Ginsberg, “Um Supermercado na Califórnia” . Edgar Allan Poe era ocasionalmente reconhecido e Ginsberg via Emily Dickinson como tendo influência na poesia de Beat. O romance de 1926, You Can't Win, do autor foragido Jack Black, foi citado como tendo uma forte influência sobre Burroughs.

g.6. Surrealismo francês
De muitas maneiras, o surrealismo ainda era considerado um movimento vital nos anos 50. Carl Solomon apresentou a obra do escritor francês Antonin Artaud a Ginsberg, e a poesia de André Breton teve influência direta no poema de Ginsberg Kaddish. Rexroth, Ferlinghetti, John Ashbery e Ron Padgett traduziram poesia francesa. A segunda geração dos Beat Ted Joans foi nomeada "a única surrealista afro-americana" por Breton.
Philip Lamantia introduziu a poesia surrealista no Beats original. A poesia de Gregory Corso e Bob Kaufman mostra a influência da poesia surrealista com suas imagens oníricas e sua justaposição aleatória de imagens dissociadas, e essa influência também pode ser vista de maneiras mais sutis na poesia de Ginsberg. Segundo a lenda, ao conhecer o surrealista francês Marcel Duchamp , Ginsberg beijou o sapato e Corso cortou a gravata. Outros poetas franceses influentes para os Beats foram Guillaume Apollinaire, Arthur Rimbaud e Charles Baudelaire.

g.7. Modernismo
Gertrude Stein foi objeto de um estudo de Lew Welch, em tamanho de livro. As influências admitidas para Kerouac incluem Marcel Proust, Ernest Hemingway e Thomas Wolfe.

g.8. Budismo e Daoísmo
Gary Snyder definiu selvagem como "cuja ordem cresceu de dentro e é mantida pela força do consenso e dos costumes, em vez de legislação explícita". "O selvagem não é selvageria bruta, mas um equilíbrio saudável, um sistema auto-regulável". Snyder atribuiu selvagem ao budismo e ao taoísmo, os interesses de algumas batidas. "A síntese de Snyder usa o pensamento budista para incentivar o ativismo social americano, baseando-se no conceito de impermanência e no imperativo classicamente americano em direção à liberdade".

g.9. Beatniks
O termo " Beatnik " foi cunhado por Herb Caen, do San Francisco Chronicle, em 2 de abril de 1958, um portmanteau com o nome do recente satélite russo Sputnik e Beat Generation. Isso sugeria que os beatniks estavam "longe da corrente principal da sociedade" e "possivelmente pró-comunistas". O termo de Caen permaneceu e se tornou o rótulo popular associado a um novo estereótipo - o homem de cavanhaque e boina recitando poesias sem sentido e tocando bateria de bongô enquanto mulheres de espírito livre, vestindo collants pretos, dançam.
Um dos primeiros exemplos do "estereótipo beatnik" ocorreu no Vesuvio's (um bar em North Beach, San Francisco), que empregava o artista Wally Hedrick para sentar na janela, vestido com barba cheia, gola alta e sandálias, criando desenhos e pinturas improvisados. 

Vesuvios Bar em North Beach San Francisco

Em 1958, os turistas que vieram para São Francisco podiam fazer passeios de ônibus para ver a cena de North Beach Beat, profeticamente antecipando passeios semelhantes ao distrito de Haight-Ashbury dez anos depois.
Uma variedade de outras pequenas empresas também surgiu explorando (e / ou satirizando) a nova mania. Em 1959, Fred McDarrah iniciou um serviço "Rent-a-Beatnik" em Nova York, publicando anúncios no The Village Voice e enviando Ted Joans e amigos em chamadas para ler poesia.
"Beatniks" apareceu em muitos desenhos animados, filmes e programas de TV da época, talvez o mais famoso seja o personagem Maynard G. Krebs em Os Muitos Amores de Dobie Gillis (1959-1963). 

Maynard G. Krebs

Enquanto alguns dos Beats originais adotavam os beatniks, ou pelo menos achavam as paródias bem-humoradas (Ginsberg, por exemplo, apreciava a paródia na história em quadrinhos Pogo), outros criticavam os beatniks como poseurs inautênticos. Jack Kerouac temia que o aspecto espiritual de sua mensagem tivesse sido perdido e que muitos estavam usando a Geração Beat como uma desculpa para ser insensatamente selvagem.

g.10. Hippies
Durante a década de 1960, aspectos do movimento Beat se metamorfosearam na contracultura da década de 1960, acompanhada por uma mudança na terminologia de " beatnik " para " hippie ". Muitos dos Beats originais permaneceram participantes ativos, principalmente Allen Ginsberg, que se tornou um elemento do movimento anti-guerra. Notavelmente, no entanto, Jack Kerouac rompeu com Ginsberg e criticou os movimentos de protesto politicamente radicais da década de 1960 como uma desculpa para ser "maldoso".
Havia diferenças estilísticas entre beatniks e hippies - cores sombrias, óculos escuros e cavanhaques deram lugar a roupas psicodélicas coloridas e cabelos compridos. Os Beats eram conhecidos por "tocar com calma".
Além do estilo, houve mudanças substanciais: os Beats tendiam a ser essencialmente apolíticos, mas os hippies se envolveram ativamente com o movimento dos direitos civis e o movimento anti-guerra.

g.11. Legado literário
Entre os romancistas emergentes das décadas de 1960 e 1970, alguns estavam intimamente ligados aos escritores de Beat, principalmente Ken Kesey (Um Voo Sobre o Ninho de Cucos). Embora eles não tivessem conexão direta, outros escritores consideraram os Beats uma grande influência, incluindo Thomas Pynchon (Arco-Íris da Gravidade) e Tom Robbins (Até As Vaqueiras Entendem o Blues).
William S. Burroughs é considerado um antepassado da literatura pós-moderna; ele também inspirou o gênero cyberpunk.
O escritor do Beat, LeRoi Jones / Amiri Baraka, ajudou a iniciar o movimento das Artes Negras.
Como havia foco na performance ao vivo entre os Beats, muitos poetas do Slam afirmaram ser influenciados pelos Beats. Saul Williams, por exemplo, cita Allen Ginsberg, Amiri Baraka e Bob Kaufman como principais influências.
Os poetas do Postbeat são descendentes diretos da geração Beat. Sua associação ou tutela sob Ginsberg na Escola Jack Kerouac de Poéticas da Universidade Naropa e mais tarde no Brooklyn College enfatizaram o legado social-ativista dos Beats e criaram seu próprio corpo de literatura. Autores conhecidos são Anne Waldman, Antler, Andy Clausen, David Cope, Eileen Myles, Eliot Katz, Paul Beatty, Safira, Lesléa Newman, Jim Cohn, Thomas R. Peters Jr. (poeta e proprietário da livraria de batidas), Sharon Mesmer , Randy Roark, Josh Smith, David Evans.

g.12. Música Rock e Pop
O Beats exerceu uma influência generalizada no rock and roll e na música popular, incluindo os Beatles, Bob Dylan e Jim Morrison. Os Beatles escreveram seu nome com um "a", em parte como uma referência à Geração Beat, e John Lennon era fã de Jack Kerouac. Os Beatles até colocaram o escritor William S. Burroughs na capa do seu álbum Sgt. Banda de clube de corações solitários de Pepper. Mais tarde, Ginsberg conheceu e se tornou amigo dos membros dos Beatles, e Paul McCartney tocou violão no álbum Ballad of the Skeletons, de Ginsberg.
Ginsberg era amigo íntimo de Bob Dylan e viajou com ele na Rolling Thunder Revue em 1975. Dylan cita Ginsberg e Kerouac como principais influências.
Jim Morrison cita Kerouac como uma de suas maiores influências, e Ray Manzarek, membro do Doors, disse: "Queríamos ser beatniks". Em seu livro Acenda meu fogo: minha vida com as portas (Light My Fire – My life with the Doors), Manzarek também escreve "Suponho que se Jack Kerouac nunca tivesse escrito On the Road, os Doors nunca teriam existido". Michael McClure também era amigo dos membros do The Doors, em um ponto de turnê com Manzarek.
Ginsberg era um amigo de Ken Kesey 's Feliz Pranksters , um grupo do qual Neal Cassady era um membro, que também incluiu membros do Grateful Dead . Na década de 1970, Burroughs era amigo de Mick Jagger, Lou Reed, David Bowie e Patti Smith.
O grupo musical Steely Dan recebeu o nome de um vibrador movido a vapor no Burroughs' Naked Lunch. A banda britânica de rock progressivo “Soft Machine” recebe esse nome em virtude de um poema de Burroughs “A Soft Machine”.
O cantor e compositor Tom Waits, um fã do Beat, escreveu "Jack and Neal" sobre Kerouac e Cassady e gravou "On the Road" (uma canção escrita por Kerouac depois de terminar o romance) com Primus. Mais tarde, ele colaborou com Burroughs no trabalho teatral The Black Rider.
O músico de jazz / compositor Robert Kraft (que não deve ser confundido com o dono da NFL Team, Robert Kraft) escreveu e lançou uma homenagem contemporânea à estética de Jack Kerouac e Beat Generation, intitulada "Beat Generation" no álbum de 1988 Quake City.
O músico Mark Sandman, que era o baixista, vocalista e ex-membro da banda alternativa de jazz Morphine, estava interessado na Beat Generation e escreveu uma música chamada "Kerouac" como uma homenagem a Jack Kerouac e sua filosofia e maneira pessoal da vida.
A banda Aztec Two-Step gravou "The Persecution & Restoration of Dean Moriarty (On the Road)" em 1972.
Houve um ressurgimento do interesse pelas batidas entre as bandas nos anos 80. Ginsberg trabalhou com o Clash e Burroughs trabalhou com Sonic Youth , REM , Kurt Cobain e Ministry, entre outros. Bono do U2 cita Burroughs como uma grande influência, e Burroughs apareceu brevemente em um vídeo do U2 em 1997. A banda pós-punk Joy Division nomeou uma música "Interzone" após uma coleção de histórias de Burroughs. Laurie Anderson apresentou Burroughs em seu álbum de 1984, Mister Heartbreak, e em seu filme de concerto de 1986 Casa dos bravos. A banda King Crimson produziu o álbum Beat, inspirado na Beat Generation.
Mais recentemente, a artista americana Lana Del Rey faz referência ao movimento Beat e à poesia Beat em sua música de 2014 " Brooklyn Baby ".

g.13. Crítica
A geração Beat foi recebida com escrutínio e recebeu muitos estereótipos. Várias revistas, incluindo Life e Playboy, retrataram os membros da geração Beat como niilistas e não intelectuais. Essa crítica foi em grande parte devido às diferenças ideológicas entre a cultura americana da época e a Beat Generation, incluindo suas crenças inspiradas pelos budistas.
Norman Podhoretz , um estudante da Columbia com Kerouac e Ginsberg, mais tarde se tornou um crítico dos Beats. Seu artigo da Partisan Review de 1958, "Os Boêmios do Nada-Sabe", foi uma crítica veemente principalmente de On the Road e The Subterraneans, de Kerouac, e também do Howl, de Ginsberg. Sua crítica central é que o abraço beat da espontaneidade está vinculado a um culto antiintelectual do "primitivo" que pode facilmente se transformar em desatenção e violência. Podhoretz afirmou que havia um vínculo entre os Beats e os delinqüentes criminais.
Ginsberg respondeu em uma entrevista de 1958 ao The Village Voice, abordando especificamente a acusação de que o Beats destruiu "a distinção entre vida e literatura". Na entrevista, ele afirmou que "o pouco sobre o anti-intelectualismo é uma vaidade, nós tivemos a mesma educação, estudamos na mesma escola, você sabe que existem 'intelectuais' e intelectuais. Podhoretz está fora de sintonia com literatura do século XX, ele está escrevendo para a mente do século XVIII. Agora temos uma literatura pessoal - Proust, Wolfe, Faulkner, Joyce".

h) Filmes

D.O.A. (1949)
Filme noir ambientado em São Francisco
Inclui uma das primeiras representações (ficcionais) da cultura Beat.
Um contador descobre ter sido mortalmente envenenado por um veneno de ação lenta. Com o tempo que lhe resta tenta descobrir quem e por que o assassinaram.
Direção: Rudolph Maté
Roteiro: Russell Rouse e Clarence Greene
Elenco: Edmond O’Brien, Pamela Britton, Luther Adler, Beverly Garland
Música: Randy Sparks




The Beat Generation (1959)
The Beat Generation é um filme de crime americano de 1959 de Metro-Goldwyn-Mayer, estrelado por Steve Cochran e Mamie Van Doren, com Ray Danton, Fay Spain, Maggie Hayes, Jackie Coogan, Louis Armstrong, James Mitchum, Vampira e Ray Anthony.
Direção: Charles F. Haas
Música composta por: Albert Glasser




Um Balde de Sangue (1959)
A Bucket of Blood é um filme de terror de comédia americano de 1959, dirigido por Roger Corman. Estrelado por Dick Miller foi ambientado na cultura beatnik.
Direção: Roger Corman
Música composta por: Fred Katz
Roteiro: Charles B. Griffith




Próxima parada, Greenwich Village
Next Stop, Greenwich Village é um filme de comédia dramática estadunidense de 1976, escrito e dirigido por Paul Mazursky. O roteiro do diretor é semibiográfico e a produção participou do Festival de Cannes. Foi o primeiro filme de Bill Murray, num pequeno papel não creditado.
Direção: Paul Mazursky
Roteiro: Paul Mazursky
Elenco: Lenny Baker, Shelley Winters, Ellen Greene




O que aconteceu com Kerouac?
O documentário (What Happened To Jack Kerouac?), explora a promessa não cumprida do ícone da Beat Generation, Jack Kerouac, cobrindo o período desde a publicação de seu famoso romance On the Road, em 1957, até sua morte por álcool, 12 anos depois.
Diretores: Richard Lerner, Lewis MacAdams
Escritor: Jack Kerouac
Estrelas: Gregory Corso, Jan Kerouac e Herbert Huncke






Almoço Nú (1991)
Naked Lunch é um 1991 filme de drama co-escrito e dirigido por David Cronenberg e estrelado por Peter Weller, Judy Davis, Ian Holm, e Roy Scheider. É uma adaptação do romance escrito por William S. Burroughs em 1959 de mesmo nome, e um co-produção internacional de Canadá, Grã-Bretanha e Japão.
O filme foi lançado em 27 de dezembro de 1991, nos Estados Unidos e 24 de abril de 1992, no Reino Unido pela 20th Century Fox. Ele recebeu críticas positivas dos críticos, mas foi uma bomba nas bilheterias, ganhando apenas US $ 2,6 milhões de um orçamento de US $ 17-18 milhões, devido a um lançamento limitado. Ele ganhou inúmeros prêmios, incluindo o National Society of Film Critics Award de Melhor Diretor e sete prêmios Genie, nomeadamente Melhor Filme. Naked Lunch desde então se tornou num Filme Cult.




Life and Times of Allen Ginsberg (1993)
A vida e os tempos de Allen Ginsberg é umfilme de 1993 de Jerry Aronson, descrevendo a vida do poeta Allen Ginsberg desde o nascimento e a primeira infância até seus pensamentos sobre a morte aos 66 anos. O filme foi concluído e lançado várias vezes devido à mudança de tecnologias e eventos mundiais. O primeiro lançamento do filme foi em 1993, no Festival de Cinema de Sundance, após o qual ele participou de um festival internacional e de uma peça teatral nos EUA. Na época, Ginsberg ainda estava vivo. Quando Aronson mostrou o filme, o poeta teria concordado com a cabeça, pensativo disse: "Então, é Allen Ginsberg".






So I Married an Axe Murderer (1993)
So I Married an Axe Murderer é um filme de comédia romântica americana de 1993, dirigido por Thomas Schlamme e estrelado por Mike Myers e Nancy Travis. Myers interpreta Charlie MacKenzie, um homem com medo de se comprometer até conhecer Harriet (Travis), que trabalha em um açougue e pode ser um serial killer. Myers também interpreta o pai de seu próprio personagem, Stuart.
Direção: Thomas Schlamme
Roteiro: Robbie Fox






Allen Ginsberg Live in London (1995)
Allen Ginsberg Live in London é um filme em DVD de Allen Ginsberg lendo sua poesia, cantando canções e realizando uma meditação tibetana ao vivo no palco em Londres, na quinta-feira, 19 de outubro de 1995, no Megatripolis club-night naboate Heaven, em Londres.




The Source (1999)
O filme é sobre a Beat Generation e seu impacto nos movimentos de contracultura a partir das décadas de 1960-70 e apresenta participações de Johnny Depp, Dennis Hopper e John Turturro recitando cada um dos trabalhos de um escritor (como Turturro recitando Howl ) para outro.
Direção: Chuck Workman
Música composta por: Philip Glass, David Amram






Até o próximo encontro!