quarta-feira, 20 de maio de 2020

O Rock Salva por Ozi Garofalo

O ROCK SALVA



Talvez o DR. SIN resolva essa doença, para que possamos curtir os mares de ANGRA ou ir pra um HANGAR, conhecer o BARÃO VERMELHO e propor pegar um voo para buscar A CHAVE DO SOL ou procurar JACK BLUE E OS GAROTOS PERDIDOS.

Mas como disse alguém por aí, nossa LÍNGUA DE TRAPO não nos deixa exaltar o rock brasileiro. Então bora tomar uma TUBAINA DO DEMÔNIO ou umA CANNA no BAR, quando essa NACIONARQUIA passar, assintindo pela TV a TROPA DE CHOQUE estabeler o lockdown. Quem sabe a CÓLERA invada os corações mais incautos para tirarmos os RATOS DO PORÃO e seus LAWMAKERS de Brasília, bem como o LOBÃO que cuida das ovelhas, para estabelecermos o CAPITAL INICIAL da retomada.

Desejo que GOZi de boa saúde ao encontrar esta mensagem MADE IN BRAZIL e reze O TERÇO do rock para que ninguém se torne uma VELHA VIRGEM sem AZIMUTH.

Podemos parar na CASA DAS MÁQUINAS para consertar o avião, se houver problema, e comer um JOELHO DE PORCO se o Cozinheiro do Rei, ZÉ RODRIX, estiver lá. Mas cuidado! O viking DE ROSS pode estar a espreita para saquear seu prato.

No rádio podemos ouvir RAUL SEIXAS ou RITA LEE, tudo nas pickups do KID VINIL, saboreando um delicioso sorvete de TUTTI FRUTI.

Se for ULTRAGE, que seja À RIGOR, podemos chamar os RAIMUNDOS, que vão garantir a segurança botando o SACO DE RATOS pra fora.

Mas o que importa e beber entre amigos, afinal sabemos da dificuldade de sermos BEBADOS HABILIDOSOS, porque a estrada é longa e a viagem demora.

Talvez, e essa é uma possibilidade plausível, KIM KEHL E OS KURANDEIROS, tenham outro tratamento para acabar com essa quarentena, se não, voltaremos ao ponto da era Glacial e veremos MAMUTH nas ruas.

Desejo a todos saúde para sair dessa ilesos em busca das KEYS OF THE LIGHT!



São Paulo, 18 de maio de 2020.
OZI GAROFALO



A postagem original está no seguinte endereço:
http://ozigarofalo.blogspot.com/2020/05/o-rock-salva-talvez-o-dr.html?m=1

Para aqueles que desejam entrar em contato com ele, o endereço no face é:
https://www.facebook.com/ozi.garofalo



Tesouros Escondidos do Rock - Edição nº 2



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HEAVY CRUISER
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Heavy Cruiser – Lucky Dog (1973)



Ficha
Estilo: Heavy & Hard Blues
País: Canadá
Ano: 1973
Produtor: Neil Merryweather
Neil Merryweather (born Robert Neilson Lillie on December 27, 1945 in Winnipeg, Manitoba) is a Canadian rock singer, bass player and songwriter. He has recorded and performed with musicians including Steve Miller, Dave Mason, Lita Ford, Billy Joel, Rick James and Wilson Pickett, and released an extensive catalogue of albums.

Tracklist
A1 Everytime I Hear Your Music 00:00
A2 Mirrors In Your Eyes 02:38
A3 Where You Gonna Run To 06:33
A4 Gotta Get Away 9:40
A5 Open Your Eyes 14:02
B1 You Really Got Me 17:36 (kinks cover)
B2 Freefall Glider 20:28 (easy rider)
B3 Concrete Jungle 25:55
B4 Supergirl  29:36
B5 I'll Receive You   33:24



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JUKIN’ BONE
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Jukin' Bone - Way Down East (1972)



Ficha
Estilo: Hard Rock
País: EUA
Ano: 1972

Line-up
Joe Whiting - lead vocals
Mark Doyle - lead guitar, slide guitar, acoustic guitar, pianos, percussion, backing vocals
George Egosarian - rhythm guitar, lead guitar, acoustic guitar
John DeMaso - bass, percussion, backing vocals
Danny Coward - drums, percussion
Kevin Shwaryk - drums, percussion, bubble drums, guiro

Tracklist
01. Cara Lynn
02. Way Down East
03. Nightcrawler
04. Come On Home
05. Mojo Conqueroo
06. See See Rider
07. Can You Feel It
08. Yes Is Yes -
09. Sayin' It Is Easy
10. Johnny Lee's Mood




domingo, 17 de maio de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 2 parte B

ROCK – Suas Histórias & Suas Magias
Capítulo 2 – Parte B
O Nascimento do Blues na Sociedade Americana


4. Afirmação de uma cultura negra depois da emancipação

Não se pode afirmar que o Blues já existia no tempo da escravidão, nem que ele nasceu da emancipação dos escravos, mas sim de transformações da música negra sob o efeito das novas condições socioeconômicas criadas por essa emancipação. 


Blues - Da escravidão à conquista do mundo!





O nascimento do Blues propriamente dito situar-se-ia então, muito provavelmente, no fim do século XIX ou no início do século XX.
  

5. Transformações socioeconômicas do Sul

a) Desmembramento de grandes propriedades
O fim da guerra civil e a ocupação do Sul pelos nortistas levaram em ampla medida ao desaparecimento das plantações de um só proprietário e ao desmembramento em pequenas fazendas.
  
Soldados Norte-Americanos acampados

Os antigos escravos tornaram-se trabalhadores assalariados.
Os negros passaram a ter a possibilidade de comprar terras através de organismos criados para a ocasião e geralmente constituídos de aventureiros, fraudadores e especuladores. Por outro lado, a imensa maioria dos negros emancipados não tinha evidentemente nenhuma possibilidade financeira para tal empreendimento.
  
Campos de algodão

Com efeito, os escravos negros foram em uma ampla maioria empregados como arrendatários, com o direito de cultivar um pequeno pedaço de terra em troca de deveres exorbitantes: 80 a 90% da colheita devida ao proprietário e uma dívida para toda sua vida - e a de seus herdeiros - para com o Armazém Geral mais próximo (o que queria dizer várias milhas de distância e às vezes várias dezenas de milhas), frequentemente também possuído pelo mesmo proprietário da terra.


Da lavoura ao blues - A música que veio dos cânticos dos escravos



Mas as correntes de escravos trabalhando uns amarrados aos outros e retomando em coro as work-songs estavam desmanteladas. Em seu lugar se desenvolve o canto de um cultivador solitário guiando sua mula ou puxando seu arado, saudando o assovio de um trem longínquo ou o barulho do vento nas árvores, improvisando sem outra restrição que não a tradição aninhada no âmago de seu inconsciente que se chamavam hollers.

b) Desenvolvimento de um subproletariado industrial
Nem todos os negros, contudo, tornaram-se arrendatários: aliás, com a alta natalidade registrada depois da emancipação, não se tinha necessidade de todos esses braços.
Uma parte deles procurou trabalho em pequenas fábricas (metalúrgicas, refinarias) que começavam a despontar ao redor das grandes cidades do Sul, ou como lenhadores (rachadores de lenha, desmatadores), ou nas fábricas de terebentina que eram criadas perto de jazigos florestais, em canteiros de obras de grandes trabalhos (construção de estradas, de vias férreas, de barragens) ou ainda como barqueiros e também, e talvez sobretudo, nos entrepostos de algodão ou de usinas têxteis.
Assim se desenvolveu, da Guerra de Secessão à Primeira Guerra Mundial, uma corrente de migração contínua das plantações para as cidades do Sul, significando uma mudança de atividade para os negros e preparando-os para a grande migração para o Norte que iria começar verdadeiramente depois de 1918.
Os que escolheram (ou tiveram de) abandonar os trabalhos agrícolas formaram rapidamente um subproletariado miserável, morando em cabanas insalubres às portas das cidades, corroídos pela sub-educação, pelo alcoolismo, pelo amontoamento de famílias e pela promiscuidade, pela ausência de perspectivas de futuro. O lenhador, o trabalhador das matas, o construtor de diques, o barqueiro, enfim, todos continuaram (ou reencontraram) a tradição das work-songs, modificadas pela dos hollers já largamente implantada nas fazendas que acabavam de deixar.

c) O aparecimento dos músicos profissionais
A existência desse subproletariado semiurbano criou uma extraordinária procura de divertimentos: lojas de bebidas, salas de jogo, espeluncas clandestinas, casas de prostituição, tendo sempre música. Muito rapidamente, apareceu uma categoria social nessas novas comunidades negras: a do músico cego ou aleijado, inapto para o trabalho manual, resmungando contra o duro trabalho da cultura do algodão ou simplesmente infringindo as leis em sua comunidade de origem e fugindo à justiça. Frequentemente itinerante, o músico, contador de histórias, cantor de canções - songster, como começou a ser chamado - passa de vilarejo em vilarejo, de campos florestais a barragens em construção, distraindo trabalhadores e contramestres, trabalhadores agrícolas e florestais, em troca de pouso, comida e uma garrafa de uísque.
  

O cantor tocava também um instrumento para marcar o ritmo e fazer dançar, mas um instrumento que podia levar em suas peregrinações - inicialmente um banjo ou um violino, mas logo, e cada vez mais à medida que o século XX avançava, uma guitarra leve, prática e barata muito mais completa que o violino e muito mais flexível que o banjo.
É claro que as casas de jogo e os prostíbulos, e logo os cinemas mudos, tinham frequentemente seu músico particular, bem vestido e bem munido, usando piano para tocar os temas trazidos dos campos assim como as baladas em voga nas grandes cidades do Norte, que ele adaptava à sensibilidade negra, usando principalmente e urna vez mais uma abundância de Blues-notes obtidas com dificuldade, enrolando panos em alguns martelos de seu piano.

d) Isolamento dos negros na sociedade sulista
A supressão da escravidão modificou de forma considerável o lugar dos negros na sociedade sulista.
As intenções generosas da Reconstrução e da ocupação do Sul pelas tropas ianques no imediato pós-guerra permitiram efetivamente aos antigos escravos, às vezes, o acesso a um certo nível de educação e o exercício de um mínimo de direitos cívicos, entre eles o direito de voto.
Mas em 1877, as últimas tropas nortistas deixaram o estado de Luisiana, colocando fim a uma ocupação muito difícil e freando também o empreendimento de reconstrução que se revelou então um fracasso total. A ideia de uma reconciliação necessária entre o Norte e o Sul para construir uma nação veio sem dificuldades se fazer nas costas dos negros.

e) Subcidadania
Para os negros, a saída das tropas nortistas tomou a feição de um desastre, e o espírito de revanche dos brancos sulistas e principalmente dos mais extremistas agrupados em associações secretas, racistas e violentas, como a Ku Klux Klan ou os Cavaleiros do Branco Camélia, veio se exercer imediatamente e com ferocidade sobre os antigos escravos promovidos a "cidadãos iguais".
Eram frequentes os relatos de linchamentos estarrecedores.
O que acabou por forçar a eliminação de muitos direitos dos negros.

f) Segregação
Paralelamente, importantes medidas de separação das raças em todos os lugares públicos eram implementadas.
  
Ku Klux Kan

No Sul a segregação significava para os negros escolas mais pobres, hospitais mais desguarnecidos, transportes mais caóticos, a certeza, de qualquer forma, de ter sempre os prédios mais miseráveis e sórdidos do que os dos brancos.
A chegada da crise econômica no começo da década de 1890 atingiu a monocultura dos estados do Sul duramente, os negros passaram a ser presos por questões absolutamente fúteis, aumentando a população carcerária, que serviria de mão-de-obra compulsória à todos que dela necessitassem. Esses negros eram acorrentados uns aos outros e supervisionados por “mestres” armados de chicote. Por tudo isso, a vida dos negros do Sul no início do século XX era mais difícil e mais precária que nos tempos da escravidão.

g) A alma negra
Entre 1895 e 1900, floresceram seitas religiosas negras em todo o Sul e Sudoeste, das quais a mais célebre era a dos pentecostais. Essas novas Igrejas negras eram animadas por um fervor religioso extraordinário que encontrava sua expressão natural nas Gospel Songs, herdeiras diretas dos negro-spirituals do tempo da escravidão e que veiculavam uma força de contestação e de afirmação de sua própria cultura na mesma proporção em que os brancos não se preocupavam mais em evangelizar as "almas negras".
  


Precious Lord - Little Richard (Gospel Music 1960)



Harlem Gospel Choir - Amazing Grace



Assim surgiram notáveis preachers negros, verdadeiros guias espirituais da comunidade negra, a quem se escutava com atenção e a quem às vezes se venerava. Também cada vez mais freqüentemente, o preacher aumentava a força de sua mensagem ao entregá-la cantando e tocando guitarra ou piano.

h) Aparecimento da balada negra: o Blues
Paralelamente, o songster elaborava, sobre o modelo das baladas populares de origem anglo-saxônica, verdadeiras canções de gesta, que falavam de homens negros a homens negros. Tal acontecimento, tal personalidade, tal bairro de tal cidade, tal marginal lutando contra a sociedade (... dos brancos) davam matéria a uma balada que era divulgada de vilarejo em cidade, de acampamento de trabalhadores em bordel, que era retomada, aumentada, aperfeiçoada, adaptada à personalidade de cada novo contador.
Como se lembrava Furry Lewis, que conheceu bem toda essa época:
"... o songster ia à igreja, e o pregador vinha dançar no vilarejo, o jovem músico vencia ao tornar-se pianista em um dos bares de Memphis e freqüentemente, com a idade, tornava-se pregador".
Pouco a pouco, essas grandes atividades musicais dos negros americanos se influenciaram mutuamente, imbricaram-se umas sobre as outras, dando um embrião de codificação, uma espécie de "regra de ouro da balada negra" que, alguns anos mais tarde, o disco veio reforçar e depois estratificar.
  
As Chain Gangs

Foi assim que em algum lugar do século XX - do fazendeiro solitário dedilhando seus hollers, chaing gangs de prisioneiros perpetuando os sotaques das work-songs do tempo da escravidão, do pregador inflamando as almas dos fiéis com a ajuda de sua guitarra, do pianista de casa de jogo martelando suas teclas para que sua clientela dançasse e do cantor itinerante disseminando suas baladas - surgiu o Blues.



Lightning- Long John - Old Song by a Chain Gang



Southern Prison Blues Rosie Chain Gang Blues



Chain Gang - Cadence (1990)



Chain Gang - Sam Cooke



Bring It On Home - Roger Ridley




Hugh Laurie - Saint James Infirmary (Let Them Talk)




Até o próximo encontro!



sexta-feira, 15 de maio de 2020

The Pretenders - Back On The Chain Gang

Uma linda música com uma emocionante história


"Back on the Chain Gang" é uma música escrita por Chrissie Hynde e originalmente gravada por sua banda, The Pretenders, e lançada como single pela Sire Records em setembro de 1982. A música também foi lançada no álbum da trilha sonora de The King of Comedy, em março de 1983 e depois foi incluído no próximo álbum dos Pretenders, Learning to Crawl, em janeiro de 1984.
"Back on the Chain Gang" entrou nas paradas da Billboard no início de outubro de 1982, e chegou ao nº 5 no Hot 100, tornando-se o maior sucesso da banda nos EUA.

Capa do single

Ela também chegou ao posto de nº 4 na lista da Hot Mainstream Rock Tracks da Billboard e no 17º posto na lista de singles do Reino Unido. A música do outro lado do single, "My City Was Gone", mais tarde se tornou um grande sucesso nos EUA, com sua letra falando sobre Ohio.

Gravação

"Back on the Chain Gang" foi gravado depois que James Honeyman-Scott, guitarrista do Pretenders, morreu de overdose de drogas aos 25 anos em 16 de junho de 1982. Isso aconteceu dois dias depois que os Pretenders demitiram seu baixista de longa data Pete Farndon por causa de seu problema com drogas. Em 20 de julho de 1982, a banda começou a gravar a música no AIR Studios, em Londres. Naquela época, restavam apenas dois Pretendentes: a cantora e compositora Chrissie Hynde, que estava grávida de três meses de sua primeira filha, e o baterista Martin Chambers. Outros músicos foram contratados para completar a sessão: o guitarrista Billy Bremner do Rockpile, o guitarrista Robbie McIntosh e o baixista Tony Butler, que já estava no estúdio para um projeto de gravação do Big Country. O produtor era Chris Thomas, que era familiar à banda por gter trabalhado na realização dos discos anteriores dos Pretenders, usando Bill Price como engenheiro, mas para esta sessão, Steve Churchyard substituiu Price porque Price estava comprometido com outro projeto do AIR nos Wessex Sound Studios.  


A maior parte da música foi gravada rapidamente, com a banda reunida no estúdio, organizada como se estivesse tocando ao vivo, com a bateria de Chambers em um riser.  Alto-falantes pequenos foram direcionados aos músicos de trás de Chambers para reforçar o som de algumas peças especiais da bateria, como a caixa. O solo de guitarra de Bremner foi apresentado em uma tomada. Mais tarde, sozinha no estúdio, como era sua preferência, Hynde apresentou sua principal linha vocal com três ou quatro overdubs lançados para corrigir pequenas imperfeições. 

James Honeyman-Scott

Ela então gravou seus próprios vocais de apoio. Finalmente, o restante dos vocais de apoio foram realizados por Chambers e Butler, junto com o canto das Chain Gangs (vide Planet Caravan - ROCK – Suas Histórias & Suas Magias Capítulo 2). O som de martelos batendo foi feito batendo várias peças de metal, especialmente os pesos de 11 kg que o estúdio usou como lastro para alguns estandes. Este efeito foi realizado pelo assistente de estúdio Jeremy Allom. A gravação de partes extras para a música e o processo final de mixagem continuou por vários dias após o início da gravação inicial.

Composição

Hynde escreveu "Back on the Chain Gang" como uma homenagem para Honeyman-Scott e ela dedicou a música a ele. A música foi escrita durante o relacionamento tenso que Chrissie Hynde teve com Ray Davies (dos Kinks) e foi gravada quando ela estava grávida de três meses de sua primeira filha. Seu relacionamento intermitente terminou meio ano depois. 

Pete Farndon

Naquela época, os Pretendentes estavam alcançando sucesso internacional. A frase "Chain Gang" pode ser uma referência à frustração de Hynde sobre as demandas incansáveis ​​impostas a ela pela indústria fonográfica para continuar produzindo discos, a dissonância cognitiva resultante do capitalismo de seu sucesso versus suas origens do punk rock e seu desespero com os efeitos corrosivos que a música lhe causou em sua vida pessoal e no relacionamento com Ray Davies.

Em uma série de entrevistas de 2009 “In The Studio with Redbeard” , Hynde disse:

"Nos primeiros dias, estávamos cheios de entusiasmo e queríamos as mesmas coisas ... e tudo estava indo bem ... parecia muito fácil ... eu estava com alguém por quem estava apaixonada ... depois fiquei grávida."

Ela continuou descrevendo o trabalho em "Back on the Chain Gang" com Honeyman-Scott. Então, apenas um mês antes da música ser gravada, os Pretenders demitiram o baixista Pete Farndon. Então, em poucos dias, o guitarrista Honeyman-Scott morreu de overdose acidental de drogas. Farndon também morreria de overdose de drogas dentro de vários meses.

"... dois dias depois, Jimmy morreu ... de repente, passou de tudo para nada ... Fiquei traumatizado com a perda de meus dois melhores amigos ... tive que substituir dois membros da banda - substituir meus melhores amigos ..."

Ray Daivies, Chrissie Hynde & Alice Cooper

"Back on the Chain Gang" assumiu um significado mais profundo para Hynde, com a trágica morte de seu amigo e a pressão urgente de encontrar novos membros da banda para completar o próximo álbum.

“Dediquei a música a Jimmy de alguma forma… Jimmy era um grande admirador de Billy Bremner… quando tivemos que gravar" Back on the Chain Gang" - bem, eu sabia que Billy e Robbie eram quem Jimmy gostaria que stivessem ali, então eu não precisava pensar nisso.” 

Os sons martelados e o canto das gangues em cadeia ouvidos durante o refrão da música ecoam a produção anterior da música " Chain Gang ", de Sam Cooke, lançada em 1960 (vide Planet Caravan - ROCK – Suas Músicas & Suas Magias Capítulo 2).

Videoclipe

O videoclipe, o primeiro após a morte de Honeyman-Scott e a demissão de Farndon em 1982, contou com Hynde e Chambers, os dois únicos Pretendentes restantes na época. 


O vídeo começa com imagens de pessoas pulando no céu, antes de se dissolverem em fotos de pessoas atravessando uma ponte em Londres, presumivelmente para trabalhar na cidade, sendo que Chambers está no meio da multidão, enquanto Hynde o observa do parapeito. Ela passa a segui-lo. Chambers chega a um prédio e entra em um suposto escritório, assim que ele sai da tela, Hynde entra e, enquanto caminha, o "escritório" se dissolve como pano de fundo para as pessoas usando picaretas de forma descontrolada em escavar ruínas no deserto, como se fossem escravas.


Hynde atravessa as ruínas e fica observando as muitas pessoas envolvidas nessa atividade, e ela vê que Chambers é um deles. As fotos das pessoas pulando se entrelaçam em vários pontos do vídeo. 


O final do vídeo retorna à cena de pessoas atravessando a ponte, quando retornam as imagens das pessoas pulando novamente.

Pessoal
Chrissie Hynde - vocal e backing vocal, guitarra
Martin Chambers - bateria, vocal de acompanhamento
Billy Bremner - guitarra principal
Robbie McIntosh - guitarra rítmica
Tony Butler - baixo, vocal de acompanhamento
Jeremy Allom - efeitos de martelo



The Pretenders - Back On The Chain Gang



The Pretenders - Back On The Chain Gang Live London (legendado)



Pretenders - Back on the Chain Gang - The isle of view



Morrissey - Back on the Chain Gang (Official Video)



Giuliano Palma & The Bluebeaters - Back on the Chain Gang









quarta-feira, 13 de maio de 2020

Tesouros Escondidos do Rock - Edição nº 1



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UNIVERSE
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Universe - Universe (1971) 



Ficha
Estilo: Hard, Blues Rock
País: Reino Unido
Ano: 1971

Tracklist
01 - Twilight Winter
02 - Cocaine
03 - Universe
04 - Rolling
05 - Spanish Feeling
06 - The Annexe
07 - Bleak House
08 - Track Four
09 - A Woman's Shape (Norwegian Single, A-Side) 
10 - Shadows Of The Sun (1970 Acetate) 
11 - Waiting For The Summer (1970 Acetate) 


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BULLET
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Bullet - The Entrance to Hell (1971)




Line-up
John Du Cann - Fender guitar, vocals (RIP) (Atomic Rooster)
John Gustafson - Fender bass, vocals (RIP) (Ian Gillan Band, Roxy Music e Quatermass)
Paul Hammond - Haymen drums (RIP) (Atomic Rooster e Hard Stuff)
Al Shaw(Guest) - vocals

Tracklist
01. Door Opens (John Du Cann)
02. Millionaire (John Du Cann)  
03. No Witch At All (John Gustafson)
04. Taken Alive (John Gustafson) 
05. The The Soul That I Had (John Du Cann) 
06. Entrance To Hell (John Du Cann) 
07. The Orchestrator (John Gustafson) 
08. Hell, Demonic Possession (John Du Cann/John Gustafson) 
09. Fortunes Told (John Du Cann) 
10. Sinister Minister (John Gustafson) 
11. Jam (The Rocks) (John Du Cann) 
12. Time Gambler (John Du Cann) 
13. Monster In Paradise (John Gustafson/Ian Gillan/Roger Glover) 
14. Jay Time (John Du Cann) 
15. Mr. Longevity (John Gustafson)  
16. Door Slams (John Du Cann) 
17. Jam (The Taker) (John Du Cann) 




domingo, 10 de maio de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 2 parte A

ROCK – Suas Histórias & Suas Magias
Capítulo 2 – Parte A
O Nascimento do Blues na Sociedade Americana


1. Introdução

O Blues nasceu com a voz dos escravos dos campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Eles cantavam durante os trabalhos nas plantações para aliviar a dureza do trabalho.


Enquanto os negros soltavam suas emoções, os brancos viam o lado prático da coisa. Para os fazendeiros, as work-songs (canções de trabalho) ajudavam a imprimir um ritmo ao trabalho no campo e deixavam os escravos mais alegres. A partir da década de 1860, os spirituals - canções religiosas entoadas pelos negros africanos desde sua chegada à América - sofreram uma mutação fundamental. Além de apelar para Deus, os escravos começaram a curar suas dores de amor através da música.
O Blues é, também, o lamento do andarilho das estradas, o mesmo que chegou até as cidades, adotou o microfone e a guitarra elétrica.


Criado no século passado, ele tomou sua forma final somente a partir de 1900. As primeiras gravações datam dos anos 10. Mas o Blues esperaria um pouco mais para florescer graças ao talento de Big Bill Broonzy, Bessie Smith, Muddy Waters, Otis Spann, Bo Diddley, B.B. King, Lowell Fulson, John Lee Hooker, Howlin, Wolf, Sonny Boy Williamson, Memphis Slim e Buddy Guy.
  

A transgressão não estava somente na conotação amorosa e sexual das letras do Blues. No formato musical, o estilo também marcou uma ruptura.
Fugindo da complexidade do Jazz e da rigidez dos eruditos, o Blues nasceu como uma música crua.
Com uma base harmônica quase simplória, o estilo disseminou-se rapidamente pelo sul dos Estados Unidos. Tocar e cantar o Blues era, teoricamente, simples. Mas o que transformava um mero curioso num verdadeiro bluesman era o sentimento que ele colocava em sua interpretação.
No final do século XIX, a alta taxa de natalidade provocada pela emancipação dos escravos proporcionou outros tipos de trabalho aos negros. Muitos deixaram o campo e partiram para a periferia das grandes cidades do Sul, como Chicago, Memphis e a região do Delta do rio Mississipi, nos estados de Arkansas, Tennessee, Alabama, Luisiana e Mississipi, para trabalhar nas primeiras metalúrgicas e refinarias do país ou em canteiros de obras.
Mas a maior parte deles foi parar nos entrepostos de algodão e tecidos. Esse movimento em direção às cidades do Sul atingiu seu pico entre a virada do século XX e o final da primeira Guerra Mundial (1914-1918).


Mamie Smith

A formação de guetos foi inevitável. Neles, os negros ralavam, sofriam e também se divertiam. A procura por prazer em prostíbulos, bares e casas de jogo tinha um ponto em comum: a música. Neste ambiente, explodiu a revolução do Blues urbano.
Quando conseguiam descolar instrumentos musicais, os negros tocavam o banjor, um ancestral do banjo de origem africana, e o fiddle, espécie de violino trazido para os Estados Unidos pelos irlandeses. O violão apareceria logo depois, graças à influência espanhola vinda do México.
Os primeiros Bluesmen profissionais formam uma categoria à parte. Incapacitados para o trabalho manual, cegos e deficientes encontravam na música seu meio de vida. Blind Lemon Jefferson, Blind Willie McTell e outros tantos Blinds (cegos) começaram assim. Também nascia a tradição do músico itinerante de vida na estrada.
O primeiro Blues a virar disco foi gravado em Nova Iorque pela cantora Mamie Smith, em 1920.
"Crazy Blues" superou todas as expectativas, vendendo 75 mil cópias por semana.


Mamie Smith – Crazy Blues (1920)



Com o sucesso, Mamie voltou ao estúdio três vezes em três semanas e virou febre.
A partir de 1921, todas as grandes gravadoras americanas passaram a ter suas "race series" (séries da raça), subdivisões que lançavam discos de músicos negros para o consumo da população dos guetos urbanos do sul.
A primeira onda de sucesso de vendas de discos foi capitaneada por cantoras como Bessie Smith, Geertrude Ma Rainey e Alberta Hunter.
Até a segunda Guerra Mundial (1939-1945), o mais importante celeiro do Blues era a região do Delta do Mississipi. Ali surgiram Bluesmen fundamentais como Charlie Patton, Tommy Johnson, Son House, Skip James, Big Joe Williams e o lendário Robert Johnson.
Para alguns historiadores, o que fazia o Blues do Delta ser único era a forte influência africana, com um ritmo sincopado, mascado pelos pés, o uso do falsete nos vocais, repetições de um mesmo acorde e o uso de um truque que viraria uma marca registrada do gênero: o slide.
Deslizando o gargalo de uma garrafa ou um pedaço de osso - mais tarde, tubos de metal também seriam usados - sobre as cordas do violão, o músico conseguia um efeito inédito no instrumento.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, o panorama social começou a mudar nos estados do Sul. Graças à entrada de negros nos quadros militares, surge uma promessa de integração racial. Pura ilusão. Encontrando o mesmo cenário na volta para casa, os negros passaram a se isolar cada vez mais em bairros próprios e nasce uma consciência racial que desembocaria nos movimentos pelos direitos civis dos anos 60.


No mundo da música, o esquecido Blues regional cede espaço para um som nitidamente urbano, marcado pela presença de um novo ingrediente: a guitarra elétrica.
Novas gravadoras abrem suas portas e outros bluesman passam a dominar a cena. Em Memphis, agora a capital da região do Delta do Mississipi, garotos como B. B. King, Elmore James, Sonny Boy Williamson e Howlin' Wolf dão seus primeiros passos. Em Chicago, surge outra leva de gênios.
Lá nasceu a parceria de Muddy Waters e Willie Dixon, que rendeu frutos como os clássicos "Hoochie Coochie Man", "Mannish Boy" e "Rollin' and Tumblin'". A cidade Aina viu surgir Little Walter, Otis Rush, Magic Sam e Buddy Guy.


Bessie Smith - St.Louis Blues (1929)



Janis Joplin - Black Mountain Blues (Live) - (Bessie Smith Cover) - Early 1960s



Muddy Waters - Manish Boy



Enquanto isso, o solitário John Lee Hooker levanta sua voz em Detroit. Cada um à sua maneira, todos deixaram sua marca na história do blues.


John Lee Hooker - Boom Boom


Mas os Estados Unidos estavam mudando. Nos anos 50, o Rock'n'Roll explode, uma célebre frase resume bem essa situação: "O Blues teve um bebê e ele ganhou o nome de Rock'n'Roll.
A partir desta fase, o estilo criado pelos escravos do sul dos Estados Unidos começou a ser um ingrediente obrigatório na receita de inúmeros cantores e bandas de Rock. De Elvys Presley a Janis Joplin. De Rolling Stones, Led Zeppellin a Deep Purple, passando por The Doors, Creedence Clearwater Revival e The Who, todo mundo sofreu alguma influência do blues, culminando com Jimi Hendrix e Eric Clapton, estes em diversas formações de banda ou em carreira solo.

2. O Nascimento do Blues

É no diário de Charlotte Forten que aparece pela primeira vez o termo "Blues". Charlotte era uma negra nascida livre no Norte, que tinha estudado e se tornado professora. Depois de alguns anos de ensino no estado de Maryland, decidiu, a pedido do proprietário, ensinar a ler os escravos de Edito Island, na Carolina do Sul e aí morou de 1862 a 1865. Ela manteve um relatório quase que diário desses anos, notando sobretudo as dificuldades de toda ordem que encontrava em suas obrigações. No domingo de 14 de dezembro de 1862 escreveu, transtornada pelos gritos que subiam dos bairros de escravos: "Voltei da igreja com o Blues. Joguei-me sobre meu leito e pela primeira vez, desde que cheguei aqui, me senti muito triste e muito miserável". Ela não define as relações eventuais do Blues com qualquer expressão musical, mas nota, todavia, alguns dias mais tarde (18 de fevereiro de 1863), falando da canção Poor Rosy: "Uma das escravas me disse: Gosto de Poor Rosy mais do que de qualquer outra canção, mas para cantá-la bem é preciso estar muito triste e com o espírito inquieto".

Charlotte Forten

Não há nenhuma dúvida que esses termos definem o humor necessário ao Blues, como testemunham dezenas de entrevistas de artistas. Se Poor Rosy, tal como a conhecemos através de algumas versões gravadas depois de 1920, não é propriamente um Blues, mas uma espécie de balada bem ritmada, e se sabemos que o Blues provavelmente não existia na época em que Charlotte Forten se encontrava em Edito Island, o espírito do Blues em si já existia e o termo "Blues", com todas as suas conotações depressivas e de fossa, certamente era muito difundido entre os negros.


Poor Rosy



3. A música dos negros durante a escravidão

a) Natureza da Música

Os relatos que temos dessa época, principalmente os feitos por uma famosa atriz inglesa Fannie Anne Kemble, quando de sua estadia em uma plantação na Geórgia, dão conta de que os brancos interpretavam o Blues como sendo uma música extraordinariamente selvagem e difícil de relatar; a maneira pela qual o coro explode entre cada frase da melodia cantada por uma voz solista é muito curiosa e eficaz. Ela define assim a função desses cantos; ritmar o trabalho e fazer com que pareça mais leve.
0 que pode surpreender muito mais é o fato de que Jefferson não revela nenhum traço de tambores entre os escravos negros. 0 Black Code aplicado pelos plantadores do Sul estipula que os escravos não têm o direito de tocar tambores ou flautas que "poderiam ser usados, tal qual na África, como meios de linguagem e de comunicação e poderiam servir para incitar à revolta".
  

b) Função da música

b.1. O trabalho nos campos
Os negros arrancados da África eram considerados unicamente como um capital humano destinado ao trabalho. A única chance de sobrevivência para o escravo negro era ser uma boa ferramenta de trabalho. Toda capacidade de qualquer natureza de que fazia prova o escravo era usada pelo senhor se pudesse servir ao trabalho. Isso aplica-se perfeitamente à música: o canto tradicional africano (com um solista e a resposta em coro do grupo) que ritmava os trabalhos do campo na África do Oeste foi, parece, transposto tal e qual para as plantações americanas. Trata-se, é claro, de work-songs, empregadas ainda em torno de 1960 nas penitenciárias para negros no Sul.


22 Years a Slave Cotton Field Song



b.2. A religião

Claro que uma sociedade tão profundamente cristã como a dos plantadores escravagistas do Sul não podia fazer a utilização do homem negro unicamente como animal de carga. Depois de durante muito tempo considerarem-se os negros como meio-macacos, resolveu-se evangelizá-los em massa, levando-lhes assim a felicidade de crer em Jesus. Bem depressa, e provavelmente desde o início do século XIX, o canto religioso tornou-se um dos meios de expressão privilegiados (porque, é claro, autorizado) do gênio africano. Com uma considerável capacidade de adaptação, os escravos negros transformaram os hinos batistas e metodistas em cantos que misturavam as origens africana e europeia e que se espalharam no mundo inteiro sob o nome de negro-spirituals.


The Golden Gospel Singers – Oh Freedom!



b.3. A dança

É de se notar que, embora alguns plantadores martirizavam alguns de seus escravos, outros - sem dúvida a maioria - tinham uma atitude benevolente e paternalista, aliviando a consciência enquanto manejavam uma mão-de-obra preciosa e cada vez mais cara no decorrer do século XIX. Aumentam os testemunhos de complacência a respeito de relações amistosas entre brancos e negros nas plantações. As famílias de escravos frequentemente habitavam pequenas casas individuais disseminadas pela plantação e rodeadas por uma horta individual que era de sua propriedade.
  

Da mesma maneira, a noite de sábado era frequentemente reservada aos cantos e danças.
Ainda uma vez, a mistura das danças tradicionais africanas trazidas pelos negros com as danças europeias que os escravos tinham ocasião de ver e ouvir iam resultar nessa "dança das plantações" (plantation dance).


Plantation Dance Ring Shout




Até o próximo encontro!