terça-feira, 30 de junho de 2020

Spectrodelic Project

Sonzeira Sessentista das boas


Vince Velvet lança álbum calcado em selvagens sons de guitarras que celebram o rock-and-roll e a música nas suas mais diversas encarnações
“Se fantasmas realmente existem, os meus são psicodélicos”. É com essa afirmação, de evidente emanação lisérgica, que o guitarrista gaúcho Vince Velvet define a sonoridade sulcada em sua grata estreia fonográfica – o disco Spectrodelic Project. Finalizado entre 2017 e 2018, o disco, que possui 14 potentes faixas, foi gravado, produzido e mixado por ele próprio (que já tocou em reconhecidas bandas da cena de rock porto-alegrense como, por exemplo, Os Flutuantes.
Na fervura de riffs e solos que ardem no som (de timbre setentista) da Spectrodelic, as múltiplas sonoridades que se entrelaçam ao longo do disco – que em algumas faixas soam como num vinil – formam um amplo mosaico de estilos musicais, que vão do rock-and-roll clássico aos blues, do jazz ao erudito, passando pelo funk, soul e western. Etecetera. Um nome que faz a cabeça de Vince, em especial, e cuja influência apresenta-se no debute da Spectrodelic, é o da banda britânica de progressive/psychedelic hard rock Family Bandstand.


A ideia, segundo Vince, é que em breve o disco – que ainda tem participação especial de Eduardo Schaffer na música “O Viajante” e projeto gráfico de Andréia Hernandez – também seja prensado em vinil. A Spectrodelic Project tem ultrapassado as fronteiras do Rio Grande do Sul e suas músicas já tocaram em estações de rádio em várias partes do mundo e também Brasil afora. Teve faixas executadas, por exemplo, no programa “Under a Paisley Sky”, da rádio RPP – Mornington Peninsula & Frankston, da Austrália. O disco foi tão bem-recebido por lá, conta o guitarrista, que entrou na programação da emissora: “Foram 14 semanas de Spectrodelic Project sob céu australiano! ” diz, satisfeito, Vince Velvet.


E, apesar da música instrumental ter melhor aceitação no exterior, acredita o guitarrista, algumas web-rádios brasileiras também estão curtindo o disco da Spectrodelic e tocando suas faixas em programas alternativos.
Músicas, aliás, que possuem sugestivos nomes, os quais revelam a fértil imaginação do artista: “Terrific”, “Stone Crusher”, “Monstro na Sopa”, “Brasa Blues”, “Duna Lunar”, “Grande Tiro”, “Boreal”. E, para completar, também há uma espécie de “ode ao grunge”, no caso de “Chuva em Seattle”, que também é uma elegia ao som “crunch” do pedal fuzz presente nas músicas de bandas como Mudhoney, Nirvana e Green River.


O próximo disco da Spectrodelic Projet, anuncia Vince Velvet, já vem sendo gestado. Ele adianta que está compondo novas músicas e que tem planos de gravar ao vivo com banda, com a inserção de overdubs e a utilização de sintetizadores. “Com certeza será diferente de tudo que eu já fiz”, anuncia.
Ouça o disco da Spetrodelic Project:
https://linktr.ee/spectrodelic

Assessoria de Imprensa: Cristiano Bastos
Contatos: WattsUp: (51) 9 9555 8744



Sprectodelic Project





Entrevista


Teu nome é Vince Velvet, o cara por trás do Spectrodelic Project, isso?
Vince Velvet foi como me batizou John Morton (integrante de uma banda da cena do rock psicodélico, chamada Hunger que atuou na Sunset Strip, em Los Angeles, na década de 1960.  Morton dizia que este nome iria soar mais de acordo com o estilo de música que venho fazendo.


Tem alguma explicação especial para o nome "Spectrodelic"?
Se fantasmas realmente existem, os meus são psicodélicos rsrsrs.
A verdade é que eu estava embusca de um trocadilho com a palavra Psychedelic  e queria um nome  diferente das bandas daquela época. Imaginei o espectro solar(a imagem que se visualiza na sombra quando a luz do sol se divide através de um prisma) unido à psicodelia, então Spectrodelic foi o nome que minha mente me revelou!

Quais bandas e artistas influenciaram o som da Spectrodelic?
Delimitar as influencias é difícil e acredito que este não seja o caminho... a gente escuta tanta coisa ao longo da vida. Pra quem vive a música, sente sempre de uma maneira diferente cada sonoridade que nos chega. Enfim, somos o resultado de muitas influências, somos multifacetados e o que sou hoje, como músico, é formado por muitos estilos diferentes, quer seja pelas músicas que ouvia ainda criança, quer seja pelas minhas escolhas que tem muito de rock clássico, blues, jazz, música erudita, western. Uma banda que me influencia e que eu indico muito é Family Bandstand, escuto toda a discografia há muitos anos e não me enjoa, além de ser uma banda criativa o seu frontman, Roger Chapman, é um excelente vocalista, um vocal que rebenta os alto-falantes. Escutem Family Band Stand e sejam felizes.

"Chuva em Seattle": isso tem a ver com grunge?
Chuva em Seattle é uma breve passagem no disco e me refiro ao  Grunge por eu ter usado, naquele momento da gravação, uma distorção suja que só um Pedal Fuzz pode oferecer, para tirar um som no estilo daquele vindo de Seattle,o movimento grunge fez chover! Mas Chuva em Seattle pode pode soar muito bem no formato acústico, também. 
Sobre sua experiência como guitarrista: além dos Flutuantes, quais foram as outras bandas nas quais tocou?
Antes dos Flutuantes, toquei com bandas undergrounds, como a Tramóia que era um projeto muito bacana, infelizmente não chegamos a gravar, mas adoraria que isso acontecesse um dia. Com os Flutuantes, gravamos um disco,Vol.1 e alguns singles, foram muitos anos de estrada com shows em várias cidades do país. Logo que voltei a tocar, participei de uma banda chamada Diletantes por algum tempo, e paralelo a isso, fui finalizando o meu disco. Atualmente, tenho me dedicado ao disco da Spectrodelic e a novas composições para o futuro disco, também fui convidado para alguns shows acústicos com o músico e produtor Egisto Dal Santo, muito conhecido por sua vasta produção fonográfica e por lançar grandes bandas no RS. Também fiz algumas participações especiais nos projetos Histórias do Rock Gaúcho e Tributo Oficial Bebeco Garcia idealizados por Dal Santo, também tenho o acompanhado na divulgação do disco os 4 Magníficos.

Quando o disco da Spectrodelic foi gravado?
O disco foi gravado entre 2010 e 2018.Quando saí de minha cidade natal (Canoas) para vir morar no Litoral Norte do RS, em 2012, tive que me adaptar a nova realidade e por questões pessoais me afastei da música.No entanto, em 2017, voltei a compor e finalizei o disco.

Pretende prensar o disco em vinil?
Desde o início desse projeto a intenção era fazer vinil,talvez por isso o disco soe um tanto analógico com timbres setentistas. Espero ainda ter em mãos o tão sonhado bolachão Spectrodelic. Ainda estou a procura de um selo.


O disco tocou em rádios em vários lugares do mundo e também do Brasil. Fale sobre isso.
Isso é muito interessante porque com esse formato instrumental a minha música se tornou universal e sem limitações de idioma. Certa vez mostrei uma demo que se chama "Esse é o dobro do preço" para um amigo de rede social, Malcolnm Frank Thompson, ele disse que havia adorado o som e me perguntou se poderia tocar a música no programa de rádio dele que  vai ao ar todas as quintas-feiras na  RPP RADIO - Mornington Peninsula & Frankston Local News, Events And Weather, no programa UNDER A PAISLEY SKY,na Austrália, autorizei de imediato pois aquilo seria uma experiência incrível.Na verdade nem acreditei no que estava acontecendo.Isso foi um grande motivo para eu terminar o disco SPECTRODELIC PROJECT. Desde então ele tocava tudo que eu mostrava, sempre elogiando o trabalho, a mistura, a sonoridade.  Foquei na finalização do disco e assim que ficou pronto, enviei para ele. Ao receber o disco, ele rodou faixa por faixa, uma a cada semana em seu programa, foram 14 semanas de Spectrodelic Project sob céu australiano!
Apesar da música instrumental ser melhor aceita no exterior, algumas webrádios aqui do Brasil estão curtindo o disco e tocando em seus programas alternativos.

Há quanto tempo existe o Spectrodelic Project e por que a opção de fazer um trabalho instrumental?
Tudo começou há uns 10 anos quando comecei a compor e produzir alguns sons que não se encaixavam no repertório das bandas que participei, optei então por fazer um trabalho solo. O som instrumental foi se formando naturalmente, gravei algumas demos e mostrei para amigos do Youtube que curtiram, naquele tempo conseguia me comunicar inbox e divulgar no youtube também, se ainda tem isso hoje eu realmente estou desatualizado rsrsrs

Como tem sido a recepção do público?
Pelo fato do disco ter sido feito com diferentes estilos musicais, mas tendo como base aquele veneninho que só o Rock’n’roll tem, tenho recebido muitos elogios sobre a obra. Quem ouve, gosta e muitos comentam que, apesar de ser instrumental, é um disco leve de ouvir, pois as músicas diferem bastante entre si.

Como está sendo a divulgação do trabalho nesse período sem shows e quais os planos futuros?
Nessa fase de lives em que os músicos e a classe artística está se reinventando, vou seguir trabalhando novas composições para o futuro disco. Quanto a divulgação, está sendo feita nas webrádios, blogs, divulgação nas redes sociais, tentando levar este trabalho o mais longe possível.

Como será o próximo disco? O que dá pra adiantar?
O que posso adiantar é que estou compondo novas músicas e tenho planos de gravar ao vivo com banda e colocar overdubs e sintetizadores. Com certeza será diferente de tudo que eu já fiz.





segunda-feira, 29 de junho de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Intérpretes do Blues

O Blues e seus intérpretes 


Pat Travers - Stevie



Blues Traveler - The Mountains Win Again



Chicken Shack - I'd Rather Go Blind Live 2004



Point Blank - How Blue Can You Get (Blues Time)



Eric Sardinas - Worried Blues



Robben Ford - Cannonbal Shuffle



Blindside Blues Band - Crossroads 2010



Pinnick Gales Pridgen - Hang On, Big Brother



Justin Johnson – Rumble Strippin



Lurrie Bell & His Chicago Blues Band - Wine Headed Woman 2017



Allman Brothers Blues Band - Melissa Acoustic



The Rolling Stones - Midnight Rambler Live




domingo, 28 de junho de 2020

ROCK - Suas Histórias & Suas Magias - Capítulo 4

Capítulo 4
Considerações Finais sobre o Blues


1. O Blues Rock como influência musical

A temática sofrida e as guitarras choradas do Blues encontram a energia e a jovialidade do Rock, resultando em um estilo que influenciou várias bandas ao longo das décadas
Misturar um estilo tão carregado de emoção com a rebeldia de uma juventude só poderia resultar em um produto final incrível. O tradicional Blues americano, com sua guitarra sofrida, temas melancólicos e uma voz marcante e que te leva junto na história cantada, encontrava a energia das guitarras, agora agressivas, do clima dançante e das letras que falavam do lado bom de ser jovem e curtir a vida intensamente.
O Blues marcou o a primeira metade do século 20, tradicionalmente de origem ainda interiorana, sendo um dos primeiros artistas o lendário e místico Robert Johnson. Apenas no início da década de 40 e 50 é que, com a urbanização da população estadunidense, o gênero ganha uma roupagem mais energética e dançante, se tornando o Rhythm and Blues, ou R&B, e que viria a ser a base para o Rock ‘n’ Roll poucos anos depois.
O sul dos Estados Unidos foi o berço do Blues, onde os mestres como B.B. King, Howlin’ Wolf, Junior Kimbrough, Bo Diddley e Chuck Berry soaram seus primeiros acordes em suas guitarras elétricas.


Junior Kimbrough

A genialidade em tirar o máximo de seu instrumento, o fazendo gritar e chorar quando se queria põr para fora a tristeza, era tamanha. E essa característica veio graças a influência do Rock na musicalidade blueseira, marcando o cenário musical dos EUA e se tornando uma marca registrada da cultura do país até hoje.


BB King

A década do Rock chegava nos anos 50 e 60 e era notável a influência do Blues ritmado em suas composições. Bandas como Cream, Animals e Rolling Stones (em seu começo de carreira) apresentavam um Rock com foco nas guitarras e seus power chords, mas com um aumento no tempo, até então mais lento do Blues. Dava-se a “fórmula” do Blues Rock.


Cream

Nos anos 70, o Blue Rock seria a inspiração para o Hard Rock de Led Zeppelin, Aerosmith, ZZ Top e Lynyrkd Skynyrd, esse último com um som mais sulista. Porém, bandas de Glam viriam a matar o que o Hard Rock trazia e dava-se assim o declínio do Blues Rock seja ele em sua essência ou em inspiração. Por se tratar de um estilo marcante e intrínseco na alma musical e cultural do povo dos Estados Unidos, o Blues Rock ainda pulsava na veia artística de músicos que estava criando suas primeiras canções e iam aparecer no cenário musical.


Led Zeppelin

Um ano antes da virada do milênio, uma dupla de Detroit munida de guitarra, bateria e vestindo vermelho, branco e preto lançariam seu disco de estréia. The White Stripes foi um dos, se não o, responsável pelo revival do Blues Rock e o trouxe de volta com um arranjo garageiro que estava vigente na época. Com a guitarra afinada em ré e a bateria simplificada servindo de base para Jack White surtar nas cordas, o som da dupla nos remetia ao passado, trazendo um Blues Rock agora com uma energia ainda maior.
Mesmo com o fim da banda em 2010, Jack White ainda transmitia a mensagem blueseira através de suas outras bandas, como é o caso do The Dead Weather, banda a qual White se dedica à bateria e junto com outros músicos, incluindo Alison do The Kills, traz um Blues Rock mais obscuro e denso saindo um pouco do ritmo mais Garage Rock dançante dos Stripes.
O revival vinha num ritmo alucinado com discos sendo lançados constantemente. Em 2002, outra dupla surgia: The Black Keys. Como o próprio nome diz, The Big Come Up, disco de estreia da dupla, veio como um forte e grande nome para compor a revitalização do estilo. Dan e Patrick compunham seu som bem baseados na origem do Blues misturando-o com o peso mais moderno do Rock da época. A banda viria a lançar em 2003 o que para muitos é o melhor álbum de sua carreira: Thickfreakness, um álbum que mistura o Blues Rock com o Rock Clássico. A banda viria a sofrer uma alteração em seu som nos dois últimos álbuns, principalmente no último, El Camino, que traz uma mistura de Blues Rock com Indie Rock que dividiu opiniões de fãs mais antigos da banda.
Outra banda que misturou o Blues Rock com algum outro estilo foi o trio inglês Band of Skulls. Com uma pegada bem Garage Rock, a banda lançou seu primeiro álbum em 2009, e possui apenas mais um em sua discografia. Mesmo com pouca idade, o grupo ganha destaque o suficiente para ser convidado para tocar em festivais como o Coachella em 2012.
É comum, com o passar do tempo, novas influências se misturarem a estilos antigos. Porém, há sempre aqueles artistas que trazem de volta a essência em sua primazia. É o caso de Gary Clark Jr.. O texano, que assim como The Black Keys foi atração do Lollapalooza Brasil 2013, resgata brilhantemente o Blues Rock tradicional ao longo de seus mais de quinze anos de carreira.


Gary Clark Jr. - Bright Lights



O Blues pode ser considerado facilmente uma das mais belas obras da humanidade. Sua essência e temática são belas e serviu de base para muito do que ouvimos hoje no quesito Rock. Com isso, o Blues Rock veio como sua cria e conseguiu juntar outro estilo primoroso a seu som resultando em um som completo, recheado de técnica e emoção. Um estilo que caminha aos seus 60 anos, andando de braço dado com seu irmão Rock ‘n’ Roll. Uma dupla que não tem hora para descansar.
Vitor Ferrari | Share


2. Instrumentos do Blues

O Blues começou como uma forma musical simples no sul profundo dos Estados Unidos no final do século 19, mas tornou-se mais complexo ao longo dos anos.
O Blues enquanto música tornou-se mais reconhecível e definível no início do século 20, com o surgimento de compositores como WC Pratt, Robert Johnson e artistas como Bessie Smith, que caracterizam o estilo de blues de 12 compassos que formou a base do blues por gerações. Liricamente, o blues tende a inclinar-se para a tristeza e sofrimento.
O Blues é uma forma musical que pode ser expressa em qualquer instrumento, no entanto, o blues tradicional faz uso de certos instrumentos básicos.

a) Harmónica
  

Harmônica Hohner Diatônica

Um dos instrumentos mais reconhecidos no Blues é a harmónica. Um músico a solo pode instrumentar o estilo tradicional sozinho, ele toca e a harmónica responde.
  

Harmônica Hohner Cromática

Um dos músicos de Blues mais conhecido que toca harmónica era Boy Williamson II. A sua influência estendeu-se aos roqueiros de Blues britânicos e gravou com nomes importantes como Eric Clapton. Stevie Wonder e Mick Jagger são outros dois músicos que foram profundamente inspirados pelo Blues e eles próprios também tocam muito bem harmónica.

b) Guitarra
Foram adicionados muitos tipos de guitarras ao longo dos anos, principalmente a guitarra elétrica que ajudou a desenvolver o Blues enquanto género. Uma guitarra única utilizada no Blues é a Dobro ou a guitarra ressonadora. Estes instrumentos são únicos pois em vez de transportarem o som através de uma placa de som (a parte superior da guitarra), a vibração das cordas percorre até um ressonador ou diversos ressonadores.
  

Guitarra Ressonadora

A utilização de ressonadores foi implementada de modo a amplificar o som da guitarra. No entanto, os amplificadores eletrônicos vieram resolver este problema, mas a guitarra ressonadora continua a ser apreciada pelo seu som único.



Guitarra Semiacústica

A inspiração para muitos guitarristas que começam no Blues é Robert Johnson. Reza a lenda que ele se cruzou com o diabo com quem fez um negócio de trocar a sua alma pelo dom da música. E como é talentoso! O guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards, afirmou que "Robert Johnson era ele próprio como uma orquestra". Ele apresentou a música de Johnson ao colega de banda Brian Jones que no início quase não conseguia acreditar que o som não era de 2 guitarristas, mas sim apenas de Johnson.
Um outro grande guitarrista que não podemos deixar de mencionar é BB King. Enquanto cantor, guitarrista, compositor e produtor musical, é considerado o músico Blues mais influente de todos os tempos. Com a sua guitarra chamada Lucille deixou para sempre um legado no mundo do Blues.



Guitarra Telecaster

c) Baixo
Tanto o baixo, como o baixo vertical ou o contrabaixo são utilizados nas músicas de Blues. Embora o baixo vertical possa ser tocado com um arco, no Blues é mais habitual o músico tocar diretamente nas cordas, uma técnica chamada pizzicato que permite criar linhas de baixo rápidas.
  
Willie Dixon

Talvez o baixista de Blues mais influente seja Willie Dixon, que ficou famoso por afirmar “o blues é a raiz, o resto são os frutos”, uma declaração muito verdadeira que revela a influência do blues nos outros géneros musicais.
  
Donald "Duck" Dunn

Outro nome que talvez reconheça entre baixistas de Blues é Donald “Duck” Dunn. Participou no filme Blues Brothers. Para além da sua carreira no cinema e dos seus contributos para o desenvolvimento do Blues, colaborou com muitos outros artistas como Freddie King e Eric Clapton.

d) Bateria
A bateria marca não só o ritmo da música como também permite uns solos fantásticos. Um grande nome que deve conhecer é o de Steve Jordan. Depois de acompanhar Stevie Wonder, participou numa digressão com os Blues Brothers, embora não tenha participado no filme de 1980.
  

Steve Jordan

Outro nome que talvez reconheça é o do baterista Mick Fleetwood, que é não só fundador dos Fleetwood Mac, mas também baterista na sua própria banda de Blues.

e) Piano
O piano, no blues, não tem ocupado lugar proeminente, como a guitarra. Em termos de “blues virtuoses” das últimas décadas, há mais gaitistas, inclusive, do que tecladistas. Mas nosso instrumento, certamente, irá ter, sempre, um lugar em uma banda, por conta de suas qualidades rítmicas e melódicas, a despeito das previsões histéricas de alguns observadores
Muitos dos melhores cantores e compositores são pianistas e o piano blues tem sido de grande influência nos caminhos do jazz, do rock e do soul. Os vários estilos do gênero existentes devem muito às suas raízes rudes e tumultuadas das barrelhouses (tavernas) e canteiros de obras das estradas de ferro americanas, entre o final do século 19 e o início do 20. Os pianistas tiveram que desenvolver um som rítmico e agressivo, para que pudessem ser ouvidos acima do burburinho e agradassem naqueles ambientes tumultuados. Não à toa, alguns dos primeiros grandes pianistas de blues são conhecidos pelo estilo barrelhouse.

Otis Spann

Não há dúvidas de que mais guitarristas do que pianistas gravaram discos no início da indústria fonográfica. Muitos perderam capítulos importantes dessa história por causa da preferência das companhias responsáveis pelos registros de blues nos anos 20 e 30. Alguns pianistas nem chegaram a produzir um disco completo e são agora conhecidos por meio de algumas poucas e obscuras coletâneas. Muitos, inclusive, nunca tiveram a oportunidade de gravar sequer uma música. Outros, no entanto, registraram álbuns logo após o surgimento do próprio blues, como Cow Cow Davenport, Roosevelt Sykes e Pine Top Smith. O disco Pine Top’s Boogie Woogie, de 1929, por exemplo, marca o surgimento do termo boogie-woogie, hoje muito utilizado.

Boogie-woogie
Esse estilo se caracteriza pela estrutura de 12 compassos do blues, com a mão esquerda repetindo um padrão rítmico enquanto a direita toca as melodias e improvisos. Mas muitas pessoas que escreveriam uma novela sobre Robert Johnson nem sabem o que isto significa: que os compassos do boogie-woogie se tornaram a fundação do jazz em 1930/1940, do jump blues em 1940/1950 e do R&B/rock&roll em 1950/1960.
  
Professor Longhair

Quando o blues começou a ser eletrificado, em Chicago, nos anos 40 e 50, a guitarra e a gaita assumiram maior proeminência do que o piano. Muitos discos de pianistas do gênero, na verdade, não mostravam suas reais habilidades ao instrumento. Alguns, como Leroy Carr, Walter Davis e Roosevelt Skyes, se tornaram populares pela sua voz. O que tocavam era incidental, um acompanhamento. A maioria dos pianistas urbanos fez sucesso como cantores e compositores.
Até hoje, pianistas tem tido mais oportunidades nessas ocupações do que como instrumentistas, principalmente por causa das exigências da mídia. Uma das maneiras para reverter essa situação seria que os meios de comunicação e os “formadores de opinião” resgatassem a importância e a beleza do piano com instrumento solista. Muito tempo se passou desde que os pianistas exerciam uma influência fundamental nas direções do blues, como fizeram nos dias do boogie-woogie e barrelhouse. (Mauricio Pedrossa)


3. O Blues no Brasil

Falar de Blues no Brasil e de sua história é algo parecido como desbravar uma floresta densa sem mapa ou GPS, ou seja, você não tem muito material para isso, o que é incrível.
Existem poucas considerações sobre isso na net, então tivemos que buscar essas poucas matérias e trazê-las para que possamos falar um pouco sobre o Blues em nossa Pátria.
A seguir posto duas dessas matérias as quais eu achei que contém histórias interessantes, o que não quer dizer que eu concorde integralmente com elas.

a) O Blues e o rock no Brasil – por Milton Medusa
Guardada as devidas proporções, podemos dizer que o surgimento do blues no Brasil foi similar ao que aconteceu na Inglaterra, nos anos 60. Como o blues é uma música americana e não tem raízes no país, foi através do surgimento do rock tupiniquim que o estilo apareceu nessas terras.
Podemos dizer que desde a Jovem Guarda o estilo já caminhava lado a lado com o rock, já que os artistas nacionais faziam versões para Rock’s internacionais e toda a primeira geração do Rock’N Roll dos anos 50 seguia a forma de 12 compassos do Blues, assim como seu fraseado e riff’s com a mistura de escalas pentatônicas menores e maiores.
Com a geração de bandas dos anos 70, como Made in Brazil, Rita Lee & Tutti-Frutti e Raul Seixas, o blues estava sempre presente no repertório desses artistas e era comum ter pelo menos uma música por disco no estilo. Por exemplo: no disco “Fruto Proibido”(1975), de Rita Lee & Tutti-Frutti, contém a música ” Cartão Postal”,um autêntico blues com uma interessante variação harmônica.
  
Rita Lee & Os Tutti-Frutti

No underground, já circulavam autênticas bandas de blues, como o Fickle Pickle (com André Christóvam, Paulo Zinner e Nelson Brito, os dois últimos futuros integrantes do Golpe de Estado) e até o cantor Serguei, que transitou por vários estilos, mas sempre levantou a bandeira do blues cantando Summertime, na versão de Janis Joplin, com quem se envolveu e outros standarts.

Made In Brazil

Já nos anos 80, com a explosão do BR- Rock, algumas bandas do mainstream apresentavam blues em seu repertório, como o Barão Vermelho com “Down em Mim”, gravada no seu disco de estréia, em 1982 e a Blitz (Cruel, Cruel Esquizofrenético Blues, 1984), mas foi com artistas como Celso Blues Boy, que estreou em disco em 82, participando da coletânea chamada Rock Voador, é que a coisa começou a engrenar, com artistas voltados ao estilo.
“O Ave de Veludo” lançou o auto-intitulado 1º disco completo de blues no país, em 1984, se bem que faziam um hard blues, um som mais pesado. Até as bandas de hard/heavy paulistas incluíam blues em seu repertório, como o Golpe de Estado, que gravou em 1986 seu primeiro disco e a música “Olhos de Guerra” é uma balada blues rock, e a Chave do Sol, que no disco The Key, de 1987, gravou “Keep me warm tonigth”, em inglês.
  

Mas foi com o Blues Etílicos (Rio de Janeiro) e André Chirstóvam (São Paulo) em 1989, quando lançaram seus discos, pelo selo Eldorado e estouraram no país, que se criou uma cena de blues nacional. O grupo carioca tem o gaitista Flávio Guimarães como sua moeda forte, sendo um grande instrumentista e conhecedor do estilo. Já o guitarrista paulista foi o primeiro a se formar no GIT, em Los Angeles, e trouxe toda esta bagagem de conviver com os artistas americanos de blues para cá e se tornou um verdadeiro embaixador do estilo no país.
Dividiu o palco com grandes nomes internacionais e sua discografia é uma referência do estilo no país, onde desfila toda sua técnica, principalmente no bottleneck. Daí em diante, todo artista gravava um blues, como Alceu Valença, que lancou “Andar, Andar”, em 1990 e o Nasi, cantor do Ira, que montou uma banda de blues como um projeto paralelo.
O Made in Brazil lançou em 1992 um disco inteiramente dedicado ao estilo, chamado “In Blues”, que foi gravado em 1990, mas isso já era um projeto antigo e estava nos planos da banda desde 1985, na fase mais heavy de sua carreira. Vale lembrar que o disco ao vivo Pirata – vol.2, gravado em 1984 e lançado em 1986, trazia uma versão para Mannish Boy, de Muddy Watters, chamada “Mexa-se Bloy”.
A sequência disso foi surgir uma nova safra de bandas nacionais de blues, como Blue Jeans, Big Allanbik e Irmandade do Blues, que tocam blues sempre com pé no Rock, uma característica das bandas nacionais, por sinal. A ideia aqui foi fazer um panorama do blues no Brasil e perceber que ele sempre andou lado a lado com o Rock, tendo grandes guitarristas e instrumentistas em nível internacional.

b) O Blues no Brasil – por Eugênio Martins Junior para Mandinga Blues
Ele nasceu da fusão do grito de dor, dos sussurros de amor e das canções de trabalho dos negros lá nos confins do estado do Mississipi, nos Estados Unidos. No começo, essencialmente rural, ganhou os estados do Sul até expandir-se em todo o país e sempre quando é dado como morto ressurge ainda com mais força. Foi assim em Chicago, com Willie Dixon, Muddy Waters e Howlin’ Wolf, na década de 1940; Buddy Guy, Otis Rush e Magic Sam, nos anos cinquenta; na Inglaterra, com Eric Clapton, John Mayall e Rolling Stones, nos anos sessenta; e no Brasil com André Christovam, Blues Etílicos e Nuno Mindelis, na década de 1980.
Isso mesmo, no Brasil, o bom e velho blues está completando duas décadas e, ano após ano, ótimos músicos vêm se dedicando ao gênero, pequenos selos estão aparecendo e festivais acontecendo país afora. No entanto, a cena ainda não está forte, os principais fatores são a falta de casas noturnas, o pouco espaço nos principais meios de comunicação e própria força da música brasileira. Como pouca gente toca no assunto, a Revista Ao Vivo vai fazer um balanço dessa história. Do ponto de vista dos protagonistas.
Na lembrança do guitarrista André Christovam, o show de B. B. King, em 1979, no Festival de Montreux, em São Paulo, foi o marco zero. Há quem diga que as sucessivas apresentações de Buddy Guy e Junior Wells, no 150 Night Club, bar do hotel Maksoud Plaza, em 1985, foi o evento que abriu os olhos dos brasileiros para o blues. Há ainda o advento do Festival Internacional de Blues de Ribeirão Preto, realizado em 1989, no Parque Cava do Bosque. O evento contou com as participações de Buddy Guy, Junior Wells, Albert Collins, Etta James, Magic Slim, André Christovam e Blues Etílicos.
  
André Christovam

Porém, foram os lançamentos de Água Mineral – o segundo do Blues Etílicos - e mandinga, disco de estreia de André Christovam, ambos em 1989, pela gravadora Eldorado, que começaram a mudar o curso da história.
Até então os registros fonográficos não eram nada animadores. A discografia internacional sempre foi pífia, quando não, calcada em coletâneas. A nacional dava pena. O disco mais conhecido é o Som na Guitarra, lançado em 1984, pelo guitarrista e cantor carioca Celso Blues Boy. Vinha com os sucessos “Aumenta que isso aí é rock and roll” e “Blues motel”. Ele foi o primeiro artista brasileiro a adotar a palavra blues no nome. O apelido foi dado por Luiz Carlos Pereira de Sá, da dupla Sá e Guarabira. A alcunha “Blues Boy” é uma homenagem a Blues Boy King, ou B.B. King. Outro disco conhecido é de uma banda paulistana chamada Ave de Veludo, também de 1984. Mas esse nem vale a pena comentar.
Segundo Christovam, Mandinga, Água Mineral, além do seu A Touch of Glass (1990), e San-Ho-Zay (1990), do Blues Etílicos, venderam mais de 40 mil cópias. “Juntos, os quatro venderam mais do que todos os discos de blues nacionais e internacionais lançados no Brasil até então”, revela.
O atual diretor artístico e produtor do Bourbon Street Music Club, em São Paulo, Herbert Lucas, que na época foi o produtor de Mandinga, conta que o disco foi o primeiro a ser lançado oficialmente por uma gravadora como disco de blues brasileiro. “Na verdade, nós estávamos no lugar certo na hora certa. Logo depois dos lançamentos desses dois CDs, aconteceu o Festival de Blues de Ribeirão Preto, organizado pelo produtor César Castanho e bancado pelo Governo do Estado. Quer dizer, aí o blues entrou na pauta”, lembra Lucas, um dos responsáveis por colocar o Brasil na rota.
Pelas suas contas, desde que começou como o diretor artístico do Bourbon Street, ele foi o responsável por cerca de 400 shows internacionais. Desses, 120 foram de blues. Os principais nomes do gênero dos últimos anos vieram ao Brasil pelas suas mãos: B.B. King, Buddy Guy, Ray Charles, Robert Cray, John Mayall, Etta James, Koko Taylor, Charlie Musselwhite e muitas outras atrações de Chicago e New Orleans. Entre os jazzistas, Nina Simone, Herbie Hancock, Diana Krall, Diane Schuur, Betty Carter, Jean Luc Ponty, David Samborn, Yellow Jackets, Stanley Clark, Maceo Parker; além dos grandes nomes da guitarra como Steve Vai, Mike Stern, Robben Ford e Steve Morse.

Celso Blues Boys

Se nos anos 1980 a cena era forte, nos noventa não dá para dizer o mesmo. André Christovam, autor de “Confortável”, que nada mais é do que uma versão de Built for Confort, de Howlin Wolf, afirma que os blueseiros brasileiros perderam a oportunidade de popularizar o gênero quando decidiram optar por cantar as letras em inglês. “Na época não tivemos alguém para direcionar isso. Num dia ruim o pessoal do blues tocava muito melhor do que qualquer um do rock em dia bom. Se tivéssemos tido essa visão, teríamos deixado todo mundo no chinelo. Eu mesmo não tive essa competência”, analisa.
Cantar em inglês ou português sempre foi o grande dilema dos blueseiros brasileiros. O guitarrista e produtor Big Joe Manfra fica no meio do caminho. “Cantar em português seria legal para fazer divulgação, mas onde, se não temos rádios que tocam blues. Alguém discute se o Sepultura deveria cantar em português? Seria legal se fosse a nossa realidade, mas em CD de blues não existe música de trabalho”, pontua.
Segundo Manfra, um lançamento chega ao mercado com duas ou três mil cópias e conforme vai acabando o artista reedita na base de mil cópias. O custo de produção varia entre 10 e 15 mil reais. “Antigamente lançávamos mil cópias de saída, mas hoje, com as vendas em loja e em shows, o número de CDs vendidos chega a cinco mil em dois anos”, revela. Nos shows, como a venda é direta, um CD custa quinze reais, no máximo vinte. Nas lojas, só o Divino sabe.
A Blues Time Records foi fundada em 2000, pouco depois de Manfra lançar seu primeiro CD, de maneira independente. O fato coincidiu com uma viagem do gaitista Jefferson Gonçalves aos Estados Unidos. “Ele chegou dizendo que lá fora todo mundo estava produzindo CDs de blues independentes”, conta Manfra. A sociedade deu certo e, desde então, o Blues Time se tornou o principal selo nacional do gênero, e vem arregimentando blueseiros brasileiros e estrangeiros. São mais de trinta títulos de conjuntos de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraná.
Blueseiro brasileiro é como o Ronaldo Fenômeno, não desiste nunca. A teimosia de André Christovam o levou ao número 2120 da Michigan Ave, em Chicago, nada mais, nada menos, nos estúdios da Chess Records, a lendária gravadora de blues. “Fiz uma jam de 40 minutos no Buddy Guy Legends e o empresário do Buddy me disse que o entrosamento com os músicos estava tão bom que ele pagava para gente entrar em um estúdio e gravar um disco, mas como eu já tinha grana para gravar um outro álbum foi mais fácil. Gravamos em duas semanas ao vivo no estúdio”, lembra.
Mais uma vez André foi o pioneiro, desta vez por ser o primeiro músico brasileiro a gravar um disco de blues fora do país. O intercâmbio continuou com a vinda dos músicos de Chicago ao Brasil para a turnê de lançamento de 2120 Sessions (1991). O time era Andrew Odon (vocal), Jerry Porter (bateria) e J.W. Willians (baixo). O vocalista Andrew Odon morreu um mês após o fim dessa turnê.
Outros dois discos que passaram para a história do blues nacional são Texas Bound (1996) e Blues on the Outside (2000), do angolano radicado no Brasil, Nuno Mindelis. Ambos têm a participação de Chris Layton (bateria) e Tommy Shannon (baixo), o “Double Trouble”, duo que acompanhava o guitarrista texano Stevie Ray Vaughan. Com eles, Nuno não só ganhou reconhecimento das platéias internacionais, mas também um apelido “The Beast”.
Fugindo da guerra civil em seu país, Mindelis veio parar no Brasil em 1976, aos 17 anos. Na bagagem, sua única arma era uma guitarra Gibson Les Paul que deixou os cariocas babando. “Comprei aquela Gibson com o dinheiro que juntei varrendo o chão de uma fábrica no Canadá. Quando cheguei ao Rio, a notícia se espalhou e uma vez veio um cara querendo me conhecer, disse que era de um grupo chamado Vímana. Até hoje eu não sei quem foi. Se foi o Lulu (Santos), o Lobão, ou o Ritchie”, lembra.
  
Nuno Mindelis

Duro e desterrado, Nuno foi obrigado a exercer outros ofícios até a música exigir toda a sua dedicação. Mas nem tudo foi espinho no caminho do blueseiro africano que adotou o Brasil como país. No tempo em que morou no Canadá, assistiu a lenda do blues Willie Dixon acompanhado por Roy Buchanan e a banda oficial de Muddy Waters. Além desse show, no Café Campus, em Montreal, ele conta que as apresentações de Richie Blackmore (Deep Purple), Frank Zappa e Weather Report ajudaram a formar a sua identidade musical.
Os dois desbravadores abriram o caminho para uma legião de músicos reivindicarem sua cota lá fora. Alguns, como o gaitista Robson Fernandes, dizem que tocar no estrangeiro nada mais é do que uma estratégia para aumentar o mercado para sua música. “Quero tocar lá fora para aumentar o meu número de shows e ganhar mais dinheiro. É claro que eu vou querer detonar, fazer um bom show, mas a idéia central é distribuir a música no mundo inteiro, como B.B. King fala no livro dele. É claro, o show tem de ser bom para vender CD e voltar aos lugares”, afirma.
Além do lado financeiro, é natural que outros músicos busquem mesmo o gostinho de ser reconhecido na terra de Robert Johnson. O gaitista Big Chico, por exemplo, lançou o ótimo Blues Dream (2006), gravado na Califórnia, com a participação de Johnny Dyer e mais uma banda só com gringos.
O álbum foi editado pelo selo Chico Blues, do blueseiro que antes de chegar a São Paulo, nos anos 1970, era catador de algodão no sertão da Paraíba, e que nada tem a ver com o Big Chico, além da amizade. Chico Blues fundou um selo cujos sete títulos são distribuídos em convênio com o californiano Pacific Blues, do produtor Jerry Hall, e que possibilita maior visibilidade para os CDs da Prado Blues Band, Robson Fernandes e Big Chico de costa a costa, nos Estados Unidos.
Além desses, Igor Prado, autor do elogiado Upside Down (2007), está prestes a lançar um CD com a participação do cantor Lynwood Slim. Ivan Márcio, gaitista da Prado Blues Band, também está com um CD no forno gravado em Chicago. Big Gilson gravou Chrysalis (2007), com a participação do cantor The Wolf, na Inglaterra. Big Joe Manfra gravou um CD com Peter Madcat Ruth, Live in Rio (2005) e ainda editou Live at the Ark (2000), de Madcat e Flyin’ High (2001), de Jamie Wood e Johnny Rover. Ou seja, as coisas estão fluindo.
Além de músico e editor, Manfra também é um dos diretores de um dos maiores festivais de blues e jazz do país, o Rio das Ostras Jazz e Blues. O evento é realizado todos os anos no balneário carioca. No campo do blues, o festival já trouxe ao Brasil James Blood Ulmer, John Mayall, Michael Hill, Roy Rogers, Eddie C. Campbell, Big Time Sarah, Magic Slim e a maioria dos artistas nacionais. Além de Rio das Ostras, Búzios, Paraty, Guarujá, Guaramiranga, Garanhuns, São Paulo (Bourbon Fest) e muitas outras cidades do Brasil possuem seus festivais durante todo o ano.

c) Bandas e Músicos de Blues Nacionais

c.1. Ave de Veludo
Ave de Veludo é uma banda de blues-rock e hard rock criada no final da década de 1970 em São Paulo por Índio (voz, também vocalista da Hino Mortal), Ney Prado (guitarra), Paulinho Prado (baixo) e Sérgio Tenório (bateria).
Em sua discografia consta apenas um registro: Elétrico Blues

Elétrico Blues – por Aninha Sanchez 1984 Baratos & Afins
Em abril de 1980 no extinto Teatro Idema o grupo Ave de Veludo Fazia suas primeiras apresentações de blue. Na época o conjunto éra composto de três elementos que agradaram muitas noites nos teatros do Bixiga, Cenarte, Oficina e o teatro Procópio Ferreira em São Bernardo do Campo.
Em julho de 1981 numa apresentação no teatro Cenarte sentiram a necessidade de mais um elemento na banda, então eles arranjaram um cantor apaixonado por Blues, mexeram nos arranjos e depois de muitos ensaios fizeram uma curta temporada no teatro das nações unidas em seguida partiram para festivais e algumas apresentações na extinta " Praça do Rock" no Jardim Da Aclimação em São Paulo onde sempre foram muito aplaudidos.
De lá para cá o "Ave " evoluiu muito e registrou seu trabalho que resulta neste LP Eléctrico Blues (O Primeiro Disco Integralmente de Blues Lançado no Brasil para o selo " Baratos Afins" o disco mostra basicamente o Blues Com Muito Peso de Rock. As Letras falam da vida, das fugas, dos sonhos e de Paz.
Em l996 O Disco Foi Remasterizado para Digital por Luiz Calanca e nele foi incluído mais quatro faixas com a formação de trio com Paulinho assumindo os vocais e mais duas faixas extras Andarilho e Onde Erramos, gravado ao vivo no Projeto S.P. na festa de 10º Aniversário da Baratos Afins. Vale a pena conferir.
Ney Prado: Guitarras, se aperfeiçoou em Violão no Conservatório Tupinamba, sua formação vai do Blues ao Clássico e assina a maioria das composições da Banda.
Paulinho Prado: Baixo. Estudou Violão na Faculdade de Artes e Academia Paulista de Violão onde se aperfeiçoou e se especializou em Contrabaixo, tem formação jazzística e é também o arranjador da maior parte do repertório do grupo.
Sérgio Tenorio: Bateria. Estudou Muito tempo no grupo "Ama" cursou teoria e percussão na Fundação São Caetano do Sul, sempre tocando Paralelamente em grupos de música pop e jazz rock.
Jose Carlos Gianotti: Voz. Cantou em várias outras bandas é autodidata, sua escola foi ouvir discos de cantores de blues americanos e ingleses, também compõe e é de sua autoria a maioria das letras.


Ave de Veludo - Elétrico Blues



c.2. André Christóvam
Guitarrista, compositor e cantor brasileiro. André Christovam. Nascido em São Paulo, André estudou música no renomado Guitar Institute of Los Angeles (GIT) nos anos 1980, tornando-se o primeiro brasileiro a formar-se nesta escola. No final dos anos 1980, André decide gravar seu primeiro trabalho solo com o álbum Mandinga, em 1989, um álbum marcante a discografia do blues nacional, principalmente pelo ineditismo de trazer um disco de blues com todas as músicas em português. Na década de 1990, o guitarrista participou como sideman da turnê do gaitista Sugar Blue, e da gravação do show do bluesman Taj Mahal para a serie Heineken Concerts. E gravou um CD em Chicago, The 2120 Sessions com o vocalista Big Voice Odom e membros da banda de Junior Well.


Andre Christovam - So Long Bohemia



c.3. Nuno Mindelis
Nasceu em Cabinda, 7 de Agosto de 1957 músico luso-brasileiro nascido em Angola. É um dos mais conceituados guitarristas de blues do Brasil. Apaixonou-se pela música desde criança por volta dos cinco anos. Aos nove anos já tocava em instrumentos confeccionados por ele. Durante sua infância ouviu grandes nomes do Blues. Em 1975, morando no Canadá, formou uma banda de blues, passando a tocar em Jam e clubes locais. Um ano depois decidiu unir-se à família, vindo também morar no Brasil.em 1994, veio o reconhecimento internacional pela revista "Guitar Player" americana. Em 1998 a consagração definitiva: Nuno é eleito o melhor guitarrista de blues segundo o concurso mundial de aniversário de 30 anos da revista.


Nuno Mindelis - Blues para o Brasil Ao Vivo



c.4. Celso Blues Boys
Nascido Celso Ricardo Furtado de Carvalho, Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 1956 - Joinville, 6 de agosto de 2012) foi um cantor, compositor e guitarrista brasileiro. O pai do blues brasileiro. Montou a banda Legião Estrangeira em 1976, com a qual se apresentava em bares e casas de show. Passou a ser mais conhecido a partir de 1980, quando mandou uma fita para a Rádio Fluminense, no Rio, voltada para o repertório roqueiro. Gravou o primeiro disco em 1984, "Som na Guitarra", que incluía seu maior sucesso: "Aumenta que Isso Aí É Rock'n Roll". Um dos primeiros a cantar blues em português, escolheu o nome artístico em homenagem ao ídolo B. B. King, um dos pais do gênero, com quem também tocou na década de 1980.


Celso Blues Boy e BB King - Mississipi (clipe oficial)



Celso Blues Boy - Sempre brilhará Ao Vivo



c.5. Fernando Nickhorn Noronha
Guitarrista e compositor brasileiro de blues, mais conhecido por seu trabalho à frente da banda Fernando Noronha & Black Soul. Fernando toca profissionalmente desde 1995 e, durante sua carreira, teve a oportunidade de tocar, abrir shows e/ou gravar com muitos artistas, como BB King, Buddy Guy, Ron Levy, Jeff Healey, Phil Guy, Coco Montoya, Holland K Smith, Chuck Berry, entre outros. Incorpora o estilo texano não só na maneira de tocar como também nas roupas que veste em suas apresentações.


Fernando Noronha & Black Soul



c.6. Igor Prado
Canhoto aprendeu virando uma guitarra de destro de cabeça para baixo, Igor é um canhoto que toca com as cordas invertidas do instrumento. Aprofundou-se na linguagem do Blues tradicional e West Coast Swing, estilo que mistura o blues com elementos do Swing, famoso movimento de jazz dançante dos anos quarenta. A Igor Prado Band é formada por seu irmão Yuri Prado na bateria, Rodrigo Mantovani no contrabaixo elétrico e acústico e Denílson Martins no Saxofone Barítono.


Igor Prado - Shake It Baby June 2017



c.7. Cracker Blues
Foi formada no ano 2000, fortemente influenciada pelo Blues Texano, Southern Rock e Country, além do blues acústico do Delta do Mississipi. No início, executava repertório composto por músicas de Robert Johnson, ZZ Top, Allman Brothers, Jimi Hendrix, Stevie Ray Vaughan, Sonny Boy Willianson II, Eric Sardinas,entre outros, e posteriormente passou a incluir composições próprias em português.mesclando Blues, Rock e Country, todas com letras em português Cracker Blues.


Cracker Blues - Blues Do Inimigo (ao vivo no Kiss Club)



c.8. Blues Etílicos
Criado em 1985, pelo gaitista Flávio Guimarães, o baixista Cláudio Bedran e o guitarrista Otávio Rocha e, poucos meses depois de sua estreia, incorporou o cantor e guitarrista Greg Wilson e o baterista Gil Eduardo. Em 1987, a banda grava seu primeiro LP, pelo selo independente Satisfaction Discos. Logo em seguida são contratados pela Gravadora Eldorado, lançando Água Mineral em 89, San Ho Zay em 1990 e IV em 91. San Ho Zay atinge a marca de 35.000 cópias vendidas, sendo o álbum mais vendido de uma banda de blues brasileira em todos os tempos.


Blues Etílicos - Puro malte no Estúdio Showlivre 2013



c.9. Baseado em Blues
Banda de blues, formado em 1992 pelo gaitista Jefferson Gonçalves, pelo vocalista André Casquilho, e pelos músicos Sérgio Rocha, Pedro Augusto, Fabio Mesquita e Marco BZ. No início de sua trajetória, tocou em casas noturnas cariocas e no Circo Voador.


Baseado em Blues - Engano Natu Nobilis Blues Festival 2003



c.10. Facção Caipira
Junta o blues, country e rock com um pouco de regionalismo. A Facção nasceu em 2009, em Niterói, composto por Jan Santoro (Voz/Resonator), Daniel Leon (Gaita), Vinicius Câmara (Baixo) e Renan Carriço (Bateria) A Facção Caipira se destaca em  fazer o blues parecer menos complexo e o country mais acessível, com fortes  influências do Dr. Feelgood.


Facção Caipira - Blues Brasileiro Foragido Americano



c.11. Bando do Velho Jack
Banda brasileira formada em 1995 na cidade de Campo Grande no Mato Grosso do Sul. Banda surgiu da união de integrantes da Blues Band, uma banda de blues, com integrantes da Alta Tensão, banda de heavy metal, tendo em sua formação original: João Bosco (baterista), Marcos Yallouz (baixista), Alex Batata (vocalista e gaitista) e Fábio Brum (guitarrista).


O Bando do Velho Jack - Gasolina



c.12. Bêbados Habilidosos
Banda de blues brasileira formada na cidade de Campo Grande no Mato Grosso do Sul. Formada por ex-membros da extinta "Blues Band" considerada a primeira banda de blues do estado a banda "Bêbados Habilidosos" tem como ponto comum a paixão pelo ritmo nascido às margens do Mississipi nos Estados Unidos:


Bêbados Habilidosos- Blues da Solidão



c.13. Solon Ferreira Coelho Fiskbone
Nascido em Caxias do Sul, 27 de setembro de 1967, guitarrista brasileiro de blues. Iniciou na carreira em 1984 e já atuou ao lado de músicos como Eddie C.Campbell, James Wheeler, Billy Branch, John Primer, Phil Guy e Hubert Sumlin, influências de Stevie Ray Vaughan e Freddie King,


Solon Fishbone - Nescafé & Blues (1995)



c.14. Big Gilson
Bluesman brasileiro que mais atua no exterior, aonde sua carreira é desde 1995. Big é um guitarrista, cantor e compositor. Começou com o blues branco de Johnny Winter, Eric Clapton e Roy Buchanan, passando depois a conhecer velhos mestres, como: Buddy Guy, Elmore James, Albert King, Freddie King, Robert Johnson e muitos outros músicos importantes. Fundador da Big Allanbik, uma das pioneiras bandas de blues brasileiras.


Big Gilson - Albatross (Peter Green)



c.15. Blues Power
Formada em 2014, em São Paulo, por músicos profissionais com longa história no rock brasileiro e na noite paulistana, Power Blues traz composições originais que mantém a tradição e punch do verdadeiro rock brasileiro e paulistano.
Reunindo influências de bandas e artistas nacionais como Made in Brazil, Mutantes, Rita Lee & Tutti Frutti, Secos e Molhados e do rock e blues internacional, a banda apresenta um amálgama contagiante de um estilo mundialmente consagrado com os matizes musicais e singulares do melhor da cena musical brasileira. Suas principais características são a força de execução ao vivo e as composições que, ao mesmo tempo, apresentam fortes traços de inovação e se mostram fiéis às vertentes do rock nacional e de raiz.
Músicos: Paula Mota – Vocal
Daniel Gerber – Guitarra
Daniel Kid Ribeiro – Contrabaixo
Roby Pontes – Bateria


Banda Power Blues - Mentes Criminosas Video Clip Oficial



c.16. Pete Hassle Screw’d Blues Band
A Screw’d Blues Band é liderada pelo famoso cantor e gaitista britânico Peter Hossell (também conhecido como Pete Hassle), 66 anos, que mora há pouco mais de uma década no Brasil e traz na bagagem uma trajetória musical muito rica. Na estrada desde meados dos anos 1960, época que os ingleses estavam descobrindo o blues americano, Pete abriu para o Rolling Stones no lendário Hyde Park Festival (em 1969) e seu único compacto foi produzido por Nick Mason (baterista do Pink Floyd).
Howlin’ Wolf, Robert Johnson, Freddie King, Sonny Boy Willianson, Willie Dixon, Jimmy Reed são as principais influências da Screw’d, além do blues inglês de bandas como John Mayall, Cream, Fleetwood Mac, Paul Butterfield Blues Band, entre outras.
Formada em 2011, a Pete Hassle & Screw’d Blues Band conta com Peter Hossell (voz/gaita), Ziggy Mendonça (guitarras), Castro Jr. (baixo) e Alex Ac (bateria).


Pete Hassle and Screw'd - Sporting Life (with Fabio Brum) at Bourbon Street



c.17. Bandas várias que tem Blues em seu repertório


Rita Lee & Tutti-Frutti – Cartão Postal



Made In Brazil - Blues Na Madrugada



O Peso - Blues



Fickle Pickle – Early in the morning



Barão Vermelho - Down em mim Ao Vivo Mtv



Blitz – Cruel, Cruel, Esquizofrenetico Blues Ao Vivo no Circo 2012



Made In Brazil - Mexa se Boy Live Gillan's In 2013



Blue Jeans – Got to move São Paulo Session




Até o próximo encontro!